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Nova insulina do SUS reduz picos de glicemia e marca volta da produção nacional após 20 anos

Em entrevista ao A TARDE, secretária afirma que medida amplia segurança no abastecimento

Isabela Cardoso
Por
Insulina glargina
Insulina glargina - Foto: Reprodução

Menos aplicações por dia, redução dos picos de glicemia e produção nacional após duas décadas sem fabricar insulina. Esses são alguns dos avanços trazidos pela insulina glargina no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri.

A
distribuição do novo medicamento começou neste mês e marca uma das principais mudanças no tratamento do diabetes oferecido pela rede pública nos últimos anos.

Além de ampliar o acesso a uma insulina de ação prolongada, a iniciativa faz parte de uma estratégia do governo federal para fortalecer a
produção nacional de medicamentos e reduzir a dependência do mercado internacional.

Incorporação da insulina glargina

Em entrevista ao Grupo A TARDE, Fernanda De Negri afirmou que a incorporação da insulina glargina ao SUS, aprovada em 2024, foi acompanhada pela estruturação de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que permitiu retomar a fabricação do medicamento no Brasil em parceria com a Fiocruz.

Antes da distribuição em larga escala, o
Ministério da Saúde organizou um grupo de trabalho com representantes do Conselho Nacional de Saúde e dos conselhos de secretários estaduais e municipais para definir como ocorreria a transição.

Segundo a secretária, a escolha dos primeiros grupos atendidos foi baseada em estudos técnicos e em um projeto-piloto realizado em quatro estados
para avaliar a adesão ao novo tratamento.

"Agora, uma vez que esse piloto acabou e a gente já testou, estamos iniciando o processo de distribuição dessa insulina mais moderna para todos os estados brasileiros para essas faixas etárias acima de setenta anos e até dezoito anos", detalha.

Até o momento, o Ministério da Saúde já distribuiu cerca de 383 mil tubetes da insulina glargina para os estados. Na Bahia, foram enviados
30.854 tubetes e 8.126 canetas reutilizáveis, que serão utilizadas na aplicação do medicamento.

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Menos aplicações e maior estabilidade da glicemia

Para Fernanda De Negri, o principal ganho para os pacientes está no perfil farmacológico da insulina glargina. Diferentemente da NPH, que costuma exigir mais de uma aplicação diária, a nova insulina permanece ativa por aproximadamente 24h, oferecendo maior estabilidade no controle da glicose.

"Aumenta muito a comodidade dos pacientes. Reduz também os picos de glicemia ao longo do dia, porque é uma insulina que vai sendo de liberação prolongada ao longo do dia... Ela também reduz os picos, tanto os picos de glicemia para cima quanto as chances de hipoglicemia, principalmente por glicemia noturna", explica.

Insulina glargina
Insulina glargina - Foto: Divulgação

A secretária afirmou que a mudança representa um avanço para a qualidade do atendimento oferecido pelo SUS.

"É uma mudança substancial para o Sistema Único de Saúde também porque o Brasil era um dos países que mais usava a insulina humana e essa migração traz o país para onde já se usa uma insulina mais moderna para o tratamento dos pacientes", pontua.

Produção nacional fortalece abastecimento do SUS

Outro ponto destacado por Fernanda foi o impacto da produção nacional da insulina glargina. Segundo a secretária, a retomada da produção ocorre em um cenário de sucessivas dificuldades de abastecimento no mercado internacional.

De Negri afirmou que, nos últimos anos, grandes fabricantes reduziram a oferta mundial de insulina nos últimos anos ao priorizar outros medicamentos, provocando episódios frequentes de escassez.

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"Estão produzindo outros tipos de produtos, como as canetinhas emagrecedoras. Isso tem causado uma escassez de oferta de insulina no mundo todo. Então, ao fazer essa parceria e ao começar a produzir a insulina no Brasil, isso nos deixa mais seguros do ponto de vista de abastecimento", destaca.

Na avaliação da secretária, produzir o medicamento em território nacional fortalece a autonomia do SUS e reduz a exposição a problemas logísticos e geopolíticos.

"Reduz muito o risco. como a guerra no Oriente Médio, que às vezes afeta as cadeias globais de produção e a logística, que tem um risco internacional. Então, tendo esse produto sendo produzido no Brasil, isso dá muito mais garantia de fornecimento, reduz o risco de desabastecimento e escassez de oferta", ressalta.

Autonomia do Complexo Econômico-Industrial da Saúde

A produção nacional da insulina glargina faz parte da Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), transformada em política permanente após a sanção do Projeto de Lei nº 2.583/2020 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os instrumentos previstos está a PDP, modelo que promove a transferência de tecnologia entre empresas privadas e laboratórios públicos para ampliar a fabricação nacional de medicamentos, vacinas e dispositivos destinados ao SUS.

No caso da insulina glargina, a parceria prevê a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) no Brasil e a expansão da fabricação nacional do medicamento.

Os pacientes contemplados pela nova etapa da distribuição devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com receita médica para avaliação da substituição da insulina NPH pela glargina. Além do medicamento, o SUS fornecerá canetas reutilizáveis, agulhas e orientações sobre a aplicação e conservação da insulina.

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diabetes insulina Ministério da Saúde sus

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