TECNOLOGIA
IA identifica níveis de dor em bebês internados em UTI neonatal
Tecnologia analisa expressões faciais e reduz subjetividade médica

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro Universitário FEI apresentou uma inteligência artificial capaz de identificar diferentes níveis de dor em recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva neonatal.
A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), utiliza análise conjunta de imagens e linguagem para interpretar expressões faciais dos bebês, ajudando profissionais de saúde a avaliar com maior precisão o desconforto dos pacientes.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia reduz a subjetividade nas avaliações médicas e pode apoiar decisões clínicas mais seguras.
Desafio de identificar dor em recém-nascidos
De acordo com a neonatologista Ruth Guinsburg, professora da Unifesp e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital São Paulo, a avaliação da dor em bebês ainda depende principalmente da observação de terceiros.
“Como a dor é um fenômeno subjetivo e o bebê ainda não consegue se comunicar verbalmente, ele depende essencialmente da observação de quem está ao redor”, explica.
Nas UTIs neonatais, profissionais costumam utilizar escalas clínicas para avaliar dor, baseadas em sinais como choro, movimentos corporais e expressões faciais. No entanto, esses instrumentos ainda dependem da interpretação humana.
Como cada observador pode perceber os sinais de forma diferente, influenciado inclusive pelo próprio estado emocional, as avaliações podem variar entre médicos, enfermeiros e familiares.
Avanço no cuidado com recém-nascidos
A nova ferramenta de inteligência artificial surge como uma forma de reduzir essas variações e oferecer suporte mais consistente ao diagnóstico. Além do avanço tecnológico, o estudo também representa um marco na compreensão da dor em recém-nascidos.
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Até a década de 1990, parte da comunidade médica acreditava que bebês não sentiam dor devido ao desenvolvimento neurológico ainda imaturo. Pesquisas posteriores demonstraram exatamente o contrário: por terem o sistema nervoso em formação, os recém-nascidos podem ser ainda mais sensíveis aos estímulos dolorosos.
Segundo Ruth Guinsburg, essa descoberta transformou a forma como a medicina trata os pacientes mais jovens.
Equilíbrio no tratamento da dor
Recém-nascidos internados em UTIs frequentemente passam por procedimentos necessários ao tratamento, mas que podem causar dor. Por isso, o desafio clínico é encontrar o equilíbrio entre tratar o desconforto quando ele existe e evitar o uso excessivo de medicamentos.
A especialista alerta que tanto a dor não tratada quanto o uso exagerado de remédios podem ter efeitos negativos no cérebro em desenvolvimento dos bebês.
IA multimodal amplia aplicação médica
A inteligência artificial desenvolvida pelos pesquisadores utiliza modelos multimodais capazes de analisar diferentes tipos de dados ao mesmo tempo, como imagens e linguagem. Segundo o professor Carlos Eduardo Thomaz, do Centro Universitário FEI, esse tipo de tecnologia segue a mesma linha de modelos avançados de IA como ChatGPT e Gemini.
Esses sistemas são pré-treinados com grandes volumes de dados e conseguem executar tarefas específicas com maior rapidez, sem precisar de adaptação completa para cada caso clínico.
Próximos passos da pesquisa
A tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento, mas já é considerada um avanço promissor no cuidado neonatal. De acordo com os pesquisadores, o próximo objetivo é aumentar ainda mais a precisão do sistema.
Mesmo pequenas melhorias, afirmam os especialistas, podem ter um impacto real na qualidade do atendimento e no bem-estar de bebês internados em unidades de terapia intensiva.
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