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Currículo Azul e o Papel Estratégico da UFSB no Desenvolvimento Sustentável da Costa Sul da Bahia

O Currículo Azul representa uma nova forma de compreender a relação entre sociedade e natureza

Fabrício Zanchi*
Por Fabrício Zanchi*
Imagem ilustrativa da imagem Currículo Azul e o Papel Estratégico da UFSB no Desenvolvimento Sustentável da Costa Sul da Bahia
Foto: Divulgação

A Universidade Federal do Sul da Bahia encontra-se em uma das regiões mais privilegiadas do país para contribuir com a construção do Currículo Azul brasileiro. Situada em um território marcado pela riqueza de seus ecossistemas costeiros e marinhos, da Mata Atlântica, pela presença de recifes de coral, estuários, manguezais, pesca artesanal, turismo, atividades portuárias e crescente integração logística nacional, a UFSB possui condições singulares para liderar iniciativas de formação, pesquisa e inovação voltadas à Cultura Oceânica.

O Currículo Azul parte do princípio de que o oceano não é apenas um elemento da paisagem costeira, mas um componente essencial para a regulação climática, a produção de alimentos, a conservação da biodiversidade, a geração de emprego e renda e a promoção do desenvolvimento sustentável. Compreender o oceano é compreender a própria dinâmica da vida no planeta.

“Mais do que falar sobre o oceano, o Currículo Azul é uma forma de conectar informações para compreender, numa dimensão mais ampla, o mundo que vivemos, a contemporaneidade, em diversos aspectos da sociedade”, comenta a Diretora do Centro de Formação em Ciências Ambientais e Coordenadora do PROEXT-PG/UFSB/CAPES, Dra. Juliana Quadros.

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Nesse contexto, a UFSB pode assumir um protagonismo nacional ao integrar a Cultura Oceânica de forma transversal em seus cursos de graduação e pós-graduação, articulando conhecimentos das ciências econômicas, sociais, ambientais, biológicas, tecnológicas, das artes e da saúde. Trata-se de formar profissionais capazes de compreender as complexas relações entre sociedade, ambiente e desenvolvimento, contribuindo para a transformação de uma economia sustentável baseada no conhecimento e na valorização dos recursos naturais, integrando conhecimentos tradicionais e acadêmicos.

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A região sul e extremo sul da Bahia apresenta oportunidades únicas para essa agenda. A presença do Complexo Portuário e de Serviços Porto Sul em Ilhéus, associada à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), representa uma das mais importantes transformações logísticas do país nas próximas décadas.

A cidade de Jequié vive um forte ciclo de expansão, impulsionado pelo agronegócio e o polo comercial regional. Teixeira de Freitas se consolidou como o principal polo econômico do extremo sul baiano. E em Porto Seguro, o setor de serviços e turismo responde por mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) local.

A indústria turística chega a ser responsável por cerca de 95% dos empregos formais na cidade, de acordo com o Observatório Setorial Territorial (SEBRAE). Ao mesmo tempo, a região sul e extremo sul da Bahia abriga ecossistemas de elevada relevância ecológica e comunidades tradicionais que dependem diretamente dos recursos marinhos e costeiros para sua sobrevivência e identidade cultural.

Diante desse cenário, o Currículo Azul pode servir como uma ponte entre a conservação ambiental e inclusão social no escopo do desenvolvimento econômico. A formação de profissionais qualificados para atuar em qualquer área do conhecimento torna-se estratégica para o futuro regional, com potencial em planejamento territorial, gestão costeira, pesca sustentável, aquicultura, turismo de base comunitária, energias renováveis, logística, saúde, biotecnologia marinha e economia azul.

A UFSB também pode contribuir para a formação de professores da educação básica, fortalecendo a implementação da Cultura Oceânica, via Currículo Azul, nas escolas dos municípios do Sul e Extremo Sul da Bahia. Ao aproximar universidade, escolas, comunidades pesqueiras e tradicionais, setor produtivo e poder público, amplia-se a capacidade de construir uma cidadania ambiental comprometida com a sustentabilidade do planeta e com a resiliência dos territórios frente às mudanças climáticas.

A Prof. Juliana Quadros reforça que esse movimento começa pela sensibilização do Currículo Azul nos cursos de graduação e pós-graduação da própria UFSB “o que, a princípio, pode parecer mais desafiador do que realmente é”, uma vez que, segundo ela, “os princípios e valores que a UFSB se propõe, tendo uma educação calcada na interdisciplinaridade e ações com temas transversais buscam compreender e encontrar soluções para problemas e questões locais inseridos em contextos planetários”. O Currículo Azul é dinâmico e orgânico e deve ser construído a partir de cada território com sua diversidade e identidade, e isso a UFSB já faz.

Mais do que um novo conteúdo curricular, o Currículo Azul representa uma nova forma de compreender a relação entre sociedade e natureza. Para a UFSB, significa a oportunidade de consolidar sua vocação como universidade comprometida com os desafios do século XXI, promovendo conhecimento, inovação e transformação social em um território onde o oceano, a biodiversidade e as pessoas compartilham um destino comum.

*Prof. Fabrício Zanchi, PhD e reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia

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