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Tarifaço da China? Exportação de carne entra na mira de novas tarifas

Apesar do recorde em 2026, o setor demonstra preocupação devido à cota de importação do país

Carla Melo
Por
A China se manteve como principal destino da carne bovina brasileira em junho
A China se manteve como principal destino da carne bovina brasileira em junho - Foto: © Marcello Casal Jr | Agência Brasil

Após o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos (EUA) aos produtos brasileiros, na última quarta-feira, 15, o Brasil está avaliando um novo desafio nas relações comerciais envolvendo exportações de carne bovina à China.

Apesar do recorde de exportações brasileiras de carne bovina no primeiro semestre de 2026, o setor demonstra preocupação devido à cota de importação da China e de restrições da União Europeia, de acordo com avaliação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

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A China passou a cobrar tarifa total de 67% sobre embarques acima da cota anual, em dezembro de 2025, após investigação sobre o aumento das importações de carne bovina. O Brasil esgotou integralmente o limite de 1,106 milhão de toneladas no início deste mês.

Os embarques acima desse volume passaram a sofrer tributação adicional. Pelas regras definidas por Pequim, as salvaguardas permanecerão por três anos. Mesmo assim, o governo poderá revisar as medidas durante esse período.

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Até a mudança, a China liderava as compras de carne bovina brasileira. O país respondia por mais da metade das exportações do setor. Agora, as indústrias deverão ampliar as vendas para outros mercados. Além disso, buscarão fortalecer negócios com países que já importam carne bovina brasileira.

Altas na exportações brasileiras

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 1,705 milhão de toneladas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 1,476 milhão de toneladas.

A receita alcançou US$ 9,85 bilhões, alta de 36,2% frente aos US$ 7,24 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. A média mensal de embarques no período foi de aproximadamente 284 mil toneladas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Em junho, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 317,3 mil toneladas, volume 16,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram embarcadas 272,2 mil toneladas. A receita obtida com as exportações somou US$ 1,975 bilhão, resultado 38,1% superior ao registrado em junho de 2025.

A China se manteve como principal destino da carne bovina brasileira em junho, responsável por 161,9 mil toneladas, aumento de 19% em relação a junho de 2025, e US$ 1,08 bilhão em receita, crescimento de 39,5%. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 26,4 mil toneladas, redução de 8,3%, e US$ 192,9 milhões, alta de 16,4%.

O Chile ocupou o terceiro lugar, com 12,9 mil toneladas, crescimento de 67,5%, e US$ 81,7 milhões, avanço de 56,8%. O México apareceu na quarta posição, com 11,8 mil toneladas, aumento de 153,9%, e receita de US$ 74 milhões, alta de 136,6%.

Tarifaço dos EUA

Os Estados Unidos oficializaram na última quinta-feira, 15, a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros. O presidente Donald Trump acatou a recomendação da investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), em impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

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Com a medida imposta, o Brasil se torna o país com a segunda maior tarifa, perdendo apenas para a China, que lidera a lista do tarifaço. As informações são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que dados de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça.

Apesar de a carne bovina estar na lista de produtos isentos nas tarifas norte-americanas, setores da economia brasileira projetam impacto na produção, exportação e até mesmo na manutenção de empregos.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acredita que o tarifaço deve afetar cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro ao território norte-americano. Segundo a entidade, a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o alcance da medida sobre o setor, mas parte das vendas brasileiras para o mercado americano continuará sujeita à cobrança.

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agro economia exportação

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