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Luciano Juba segue sendo um dos principais laterais do Brasileirão

OPINIÃO

Ancelotti incoerente e Luciano Juba esquecido

Técnico ignorou promessa de minutagem e os números do lateral do Bahia em 2025 e 2026

Luciano Juba segue sendo um dos principais laterais do Brasileirão - Foto @rafaelribeirorio / CBF

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Rafael Tiago

Por Rafael Tiago

17/03/2026 - 11:16 h

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A divulgação da lista de convocados de Carlo Ancelotti para os amistosos da Data FIFA de março, contra as fortes seleções da França e da Croácia, trouxe a esperada renovação na Seleção Brasileira. Nomes como Gabriel Sara, Igor Thiago e o jovem Rayan sinalizam que o técnico italiano está de olhos abertos para o desempenho global. No entanto, o que salta aos olhos é a ausência de Luciano Juba, do Bahia.

O erro de Ancelotti com o Brasil não é apenas uma questão de preferência, mas de incoerência técnica e falta de palavra.

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Uma dívida de outubro

É preciso refrescar a memória da comissão técnica: Juba, de 26 anos, não é um "aventureiro" no radar da Amarelinha. Em novembro de 2025, ele foi convocado para as partidas contra Tunísia e Senegal. Naquela ocasião, o próprio Ancelotti afirmou em coletiva que o lateral do Bahia teria minutagem, justificando que o jogador oferecia uma "saída diferenciada".

Na época, o treinador falou: "Luciano tem ido muito bem no treinamento. Mostrou todas as suas qualidades, estamos muito contentes com ele, porque é sério, profissional, mostra a qualidade que tem. É um jogador muito bom com bola, muito bom", disse.

"Muito inteligente no posicionamento no campo, terá oportunidade para jogar amanhã e também para estar na Copa do Mundo. Estamos contentes com ele"
Carlo Ancelotti

A realidade? Juba não pisou no gramado. Foi chamado para observar do banco enquanto o setor sofria para criar. Deixá-lo de fora agora, justamente quando ele inicia 2026 mantendo a regularidade que o tornou o lateral mais letal do país, é admitir que aquela promessa de oportunidade foi vazia.

Os números não mentem

Enquanto muitos laterais convocados se destacam pelo "equilíbrio" defensivo, os scouts de Luciano Juba no Bahia são de um legítimo camisa 10.

  • Temporada 2025: terminou o ano com 9 gols e 5 assistências.
  • Início de 2026: mantém a liderança em estatísticas de passes decisivos e precisão em cruzamentos no cenário nacional. Marcou dois gols e deu duas assistências.

Em confrontos pesados contra defesas fechadas, como as de França e Croácia, ter um lateral que atua como construtor interno — herança clara do trabalho de Rogério Ceni — seria o trunfo tático para liberar os pontas. Juba não apenas corre pela linha de fundo; ele pensa o jogo, bate faltas, finaliza bem de fora e flutua para o meio-campo, oferecendo uma versatilidade que nenhum outro nome na lista possui.

Superioridade estatística sobre os concorrentes

Ao colocarmos o desempenho de Juba na balança contra nomes de peso da posição, a injustiça ganha contornos matemáticos. Enquanto Alex Sandro, no Flamengo, oferece uma segurança defensiva sólida, mas com raras subidas ao ataque (apenas 3 participações diretas em gols no último ano), e Douglas Santos mantém sua regularidade tática no Zenit, o lateral do Bahia opera em outra prateleira ofensiva.

O Rogério entende que o Juba é um jogador que pode ser convocado. Eu demorei para me convencer que o Juba pode ser convocado e agora eu estou convencido. Pode ser, não que será.
PVC - jornalista esportivo

Com 14 participações diretas entre gols e assistências desde 2025, Juba entrega um volume de jogo que dobra a produção dos concorrentes diretos, provando que, no critério de produtividade e impacto no terço final do campo, ele não tem rivais à altura hoje.

Dois pesos e duas medidas

A convocação acertou ao premiar o mérito e o frescor de atletas como Léo Pereira (Flamengo) e Danilo (Botafogo), além de abrir espaço para o faro de gol de Igor Thiago (Brentford) e a explosão do jovem Rayan (Bournemouth). São escolhas merecidas que oxigenam o grupo.

Mas qual o critério para ignorar o lateral-esquerdo mais decisivo em atividade no Brasil enquanto se abre a porta para tantas outras novidades? Se a ideia é testar "potenciais", Juba já provou que seu futebol é realidade consolidada. Não convocá-lo é ignorar o mérito de quem entrega números de elite temporada após temporada.

Ancelotti perde a chance de testar uma variação tática moderna e, acima de tudo, perde a oportunidade de fazer justiça a um jogador que já deveria ter tido sua chance em campo há seis meses.

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