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FAFEN-BA, há 55 anos garantindo a soberania alimentar brasileira

Confira o artigo de Deyvid Bacelar, sindicalista licenciado

Deyvid Bacelar, sindicalista licenciado
Por Deyvid Bacelar, sindicalista licenciado
Ao completar 55 anos de existência, a FAFEN-BA reafirma seu lugar como uma das mais importantes plantas industriais do país
Ao completar 55 anos de existência, a FAFEN-BA reafirma seu lugar como uma das mais importantes plantas industriais do país - Foto: Agência Petrobras / Divulgação

A comemoração dos 55 anos da FAFEN-BA é algo muito simbólico para toda a classe trabalhadora brasileira, principalmente porque foi graças a uma luta histórica que conseguimos retomar as atividades da fábrica. Desde o anúncio da hibernação e posterior paralisação das unidades de fertilizantes em 2018, lideramos campanhas, mobilizações e negociações para impedir o desmonte da produção nacional de fertilizantes. Durante anos, denunciamos que o fechamento da FAFEN-BA aumentaria a dependência externa do Brasil e enfraqueceria a soberania produtiva nacional.

Ao lado de outras fábricas de fertilizantes do sistema Petrobras, a FAFEN-BA vem agora ajudando na recuperação da capacidade nacional de produzir insumos fundamentais para o agronegócio e para a segurança alimentar, sendo estratégica para o Brasil.

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Ao completar 55 anos de existência, a FAFEN-BA reafirma seu lugar como uma das mais importantes plantas industriais do país e um dos empreendimentos estratégicos para o desenvolvimento econômico da Bahia e para a segurança produtiva do Brasil. Localizada no Polo Industrial de Camaçari, a unidade tornou-se, ao longo de cinco décadas, muito mais do que uma fábrica de fertilizantes. Sua trajetória está diretamente ligada à expansão da indústria petroquímica brasileira, ao fortalecimento do agronegócio nacional, à geração de empregos qualificados e à busca pela soberania do país em um setor considerado vital para a produção de alimentos.

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A história da FAFEN-BA se confunde com a própria história da industrialização da Bahia. Sua implantação consolidou Camaçari como um dos maiores polos industriais da América Latina e contribuiu para a formação de uma complexa rede de fornecedores, prestadores de serviços, empresas de engenharia, transporte e logística. Ao longo dos anos, milhares de trabalhadores passaram pela unidade, ajudando a construir um patrimônio industrial que transcende os limites do estado e assume relevância nacional.

A importância da FAFEN-BA tornou-se ainda mais evidente em um cenário internacional marcado por crises geopolíticas, instabilidade logística e crescente disputa por fertilizantes. Mesmo sendo uma potência agrícola mundial, o Brasil ainda depende significativamente da importação de fertilizantes nitrogenados. Nesse contexto, a retomada da produção na Bahia representa um passo importante para reduzir a vulnerabilidade externa do país e fortalecer sua autonomia na produção de insumos estratégicos para a agricultura.

A contribuição da FAFEN-BA para a soberania da agricultura familiar e do agronegócio no Brasil é direta. Sem fertilizantes nitrogenados, a produtividade de culturas fundamentais para a economia nacional, como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e pastagens, seria severamente comprometida. Ao produzir localmente parte desses insumos, a fábrica ajuda a diminuir a dependência das importações, reduzindo riscos associados a oscilações internacionais de preços e ao fornecimento externo. Por essa razão, além de contribuir para a soberania agrícola, a FAFEN-BA também possui papel relevante na soberania alimentar do Brasil. Embora não produza alimentos, ela produz os fertilizantes que tornam possível a manutenção da elevada produtividade agrícola que abastece milhões de brasileiros e sustenta boa parte das exportaç&otild e;es nacionais.

Atualmente, a unidade baiana produz amônia, ureia e ARLA 32. A amônia é a principal matéria-prima para a fabricação de fertilizantes nitrogenados e possui diversas aplicações industriais. A ureia, por sua vez, é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo, fundamental para o aumento da produtividade agrícola. Já o ARLA 32 é utilizado em veículos movidos a diesel para reduzir emissões atmosféricas e atender às exigências ambientais. A capacidade produtiva da FAFEN-BA alcança cerca de 1.300 toneladas diárias de ureia e 1.300 toneladas diárias de amônia, além de aproximadamente 178 toneladas por dia de ARLA 32. Sozinha, a planta baiana responde por cerca de 5% da demanda nacional de ureia.

Sua importância torna-se ainda maior quando observada em conjunto com a FAFEN de Sergipe e a Araucária Nitrogenados, no Paraná, já que as três unidades deverão responder por aproximadamente 20% da demanda nacional de ureia, contribuindo para reduzir um quadro histórico de dependência externa.

Além de sua relevância industrial e estratégica, a FAFEN produz impactos sociais significativos. A retomada das atividades nas unidades da Bahia e de Sergipe já resultou na geração de aproximadamente 1.350 empregos diretos e 4.050 empregos indiretos.

Em um momento em que o mundo discute segurança alimentar, transição energética e soberania produtiva, a FAFEN-BA reafirma sua importância como um patrimônio industrial nacional e como um símbolo da capacidade brasileira de produzir, inovar e construir seu próprio futuro.

Deyvid Bacelar é sindicalista licenciado

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