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OPINIÃO

IA no SUS: gestão das emergências do Samu e combate aos trotes

Chamadas falsas ocupam linhas de emergência e colocam vidas em risco; cruzamento seguro de dados na rede do SUS surge como aliado dos socorristas

Isamar Villas Boas Perrelli Maia*
Por Isamar Villas Boas Perrelli Maia*
Inteligência artificial nas centrais do SAMU
Inteligência artificial nas centrais do SAMU - Foto: Rafael Nascimento / MS

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) é um dos principais instrumentos de atendimento rápido do Sistema Único de Saúde (SUS). Responsável por prestar socorro em casos graves, como acidentes, infartos e emergências clínicas, o serviço desempenha papel essencial na redução de mortes e sequelas decorrentes da demora no atendimento.

Nos últimos anos, o aumento da demanda sobre as centrais de emergência trouxe desafios importantes para o funcionamento do sistema. Entre eles, os trotes telefônicos continuam sendo um dos problemas mais recorrentes e prejudiciais. Chamadas falsas ocupam linhas de atendimento, mobilizam equipes desnecessariamente e comprometem a disponibilidade de ambulâncias para ocorrências reais.

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Embora muitas vezes tratados como simples brincadeiras, os trotes afetam diretamente a eficiência do serviço público e podem colocar vidas em risco. Nesse cenário, a inteligência artificial, na convergência de dados, surge como uma ferramenta promissora para auxiliar o combate às chamadas falsas e melhorar a gestão das emergências no SUS.

O plano digital para pegar chamadas falsas no ato antes de a ambulância sair

O avanço da saúde digital no Brasil abriu espaço para o uso de tecnologias capazes de tornar os serviços públicos mais eficientes. A Estratégia de Saúde Digital para o Brasil prevê justamente a ampliação do uso de dados, sistemas integrados e ferramentas tecnológicas para fortalecer a gestão da saúde pública.

Dentro desse contexto, a inteligência artificial pode atuar diretamente nas centrais de regulação do SAMU. Sistemas inteligentes conseguem identificar padrões associados a possíveis trotes por meio da análise de comportamento, repetição de números, inconsistências nas informações e características da fala durante a chamada.

Utilizando recursos como reconhecimento de voz, processamento de linguagem natural e análise preditiva, essas ferramentas ajudam os profissionais a identificar indícios de chamadas falsas com mais rapidez. A tecnologia não substitui a atuação humana, mas funciona como apoio à tomada de decisão, contribuindo para um atendimento mais seguro e eficiente.

Além do combate aos trotes, a inteligência artificial pode otimizar a operação das centrais de emergência. Ferramentas analíticas permitem acompanhar o fluxo de ocorrências em tempo real, auxiliar na priorização de atendimentos e contribuir para uma distribuição mais estratégica das ambulâncias.

Outro aspecto importante está relacionado à gestão de dados. Sistemas inteligentes conseguem identificar padrões de ocorrências, regiões com maior demanda e períodos críticos de atendimento. Essas informações favorecem o planejamento das equipes e ajudam na utilização mais eficiente dos recursos públicos.

A integração entre sistemas de saúde também fortalece esse processo. A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) ampliou a possibilidade de compartilhamento seguro de informações entre serviços públicos, favorecendo maior integração entre centrais de regulação, hospitais e unidades de atendimento.

Ao mesmo tempo, a utilização dessas tecnologias exige cuidados relacionados à privacidade e à proteção de dados. O uso de inteligência artificial na saúde deve respeitar critérios de segurança, transparência e supervisão humana, garantindo que a tecnologia seja utilizada de forma ética e responsável.

O futuro do socorro no SUS: Tecnologia para proteger vidas e evitar o desperdício

A inteligência artificial representa uma oportunidade importante no fortalecimento dos serviços de emergência do SUS, especialmente no combate aos trotes e na melhoria da gestão operacional do SAMU 192. Atuando na identificação de chamadas falsas e otimização do funcionamento das centrais de atendimento, a tecnologia contribui para reduzir desperdícios, melhorar o tempo de resposta e ampliar a eficiência do serviço público.

Mais do que modernização tecnológica, trata-se de investir in soluções capazes de proteger vidas e fortalecer a capacidade de atendimento da saúde pública brasileira. O desafio não está apenas em adotar novas ferramentas digitais, mas em garantir que elas sejam utilizadas com responsabilidade, transparência e foco nas necessidades da população.

* Isamar Villas Boas Perrelli Maia é diretor I.M. Tecnologia e Sistemas Ltda.

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