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Os gêneros literários e um autortemporão

Novo livro de contos aborda a vida nas cidades

*Paulo Ormindo de Azevedo
Por *Paulo Ormindo de Azevedo
Paulo Ormindo de Azevedo
Paulo Ormindo de Azevedo - Foto: Divulgação | UFBA

Há dois meses lancei na Academia de Letras da Bahia o livro de contos Histórias Urbanas. Por uma deformação profissional, a maioria dos meus contos envolvem questões urbanas. Ao contrário do que acontece com minhas crônicas jornalísticas, que têm “resposta paga” no Facebook, os comentários ao meu livro pingam à medida que encontro ocasionalmente leitores dele em eventos sociais. As apreciações são elogiosas, mas criticamente pobres. Por discrição, os que não gostaram, não comentaram.

Sou basicamente um cronista e já publiquei dois livros de crônicas originárias deste jornal: A memória das pedras (ALBA, 2017) e Navegação errante (Mondrongo, 2021). As crônicas são flash da vida cotidiana, mas geralmente alternadas pela crítica à vida social e à política. Rubem Braga, o maior cronista brasileiro, além de crônicas poéticas fez também políticas.

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Histórias Urbanas é meu primeiro livro de contos. O conto tem uma duração um pouco maior, poucos personagens, um clímax dramático e um desfecho que ilumina todo o narrado anteriormente. Já o romance envolve um número maior de personagens e ambientes e pode envolver até mais de uma geração. Julio Cortázar, o maior contista argentino, autor do genial O Jogo da Amarelinha, dizia que a literatura podia ser comparada a uma disputa de boxe, o romance é uma vitória por rounds, enquanto o conto é uma vitória por nocaute. Desisti, assim, de me aventurar no romance.

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Nada contenta mais um autor que ser lido, mas na era dos whatsapp e emojis é cada vez menor o número de leitores, especialmente de ficção. O que mais se vende hoje são os livros de autoajuda, para uma sociedade cada vez mais neurótica. As feiras de livros se proliferam pelo interior do país, mas se transformaram em promoções de muitos municípios, com shows, tertúlias de gente famosa, venda de artesanato, exposições de arte e festivais gastronômicos e etílicos.

Diante desse quadro e na esperança que alguém possa fazer uma resenha crítica do meu livro, resolvi fazer a divulgação do livro. Histórias urbanas são contos breves e bem humorados, pois ninguém tem mais saco para ler muita coisa e também pelo calo que criei de escrever crônicas para este jornal com o limite de 2.700 caracteres incluindo os espaços.

Histórias urbanas e outros contos tem prefácio generoso de Heloísa Prazeres e seis capítulos: Histórias Urbanas, Revivendo o surrealismo, Contos picantes, Fábulas contemporâneas, Tumultos de amor e Cantata natalina. Os contos dos quatro primeiros capítulos são irônicos no bom sentido. Tumultos de amor envolve sentimentos contraditórios e Cantatas natalinas é o capítulo mais lírico. Os meus livros podem ser encontrados nas livrarias Escariz no Shopping Barra, Leitura no Shopping da Bahia e LDM nos Shoppings Paseo e Bela Vista, ou pedindo à Editora Mondrongo. Boa leitura!

*Arquiteto, professor titular aposentado da UFBA e membro da ALB, IAB e ABI

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