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A Baixa dos Sapateiros de Geraldo Badá

O grito de socorro de Badá pela Baixa dos Sapateiros

Marlon Marcos*
Por Marlon Marcos*
Lojas Fechadas na Avenida J J seabra, Baixa dos Sapateiros, em Salvador
Lojas Fechadas na Avenida J J seabra, Baixa dos Sapateiros, em Salvador - Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE

Geraldo Badá é um homem-imersão: no mundo da vida, na vida cultural soteropolitana. É um homem-empreendimento acreditando numa cenografia para a cidade que poucos produtores culturais conseguem desenhar ou imaginar e, muito mais, fazer acontecer.

Seus sonhos se confundem com melhoras sociais para o povo preto e pobre deste lugar que parece sempre pedir socorro. Sua atenção maior repousa na histórica via da Baixa dos Sapateiros.

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Em qualquer interlocução com o velho Badá, a Baixa surge como a canção de Ary Barroso em várias vozes consagradas, como um lugar esquecido e perigosamente abandonado o que, segundo suas elucubrações, afeta o destino urbano da antiga cidade de Dorival Caymmi.

Produtor que ajudou a fundar o bloco carnavalesco Badauê, parceiro em vários eventos de Clarindo Silva, Olívia Santana, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Badá clama pela revitalização comercial da Baixa dos Sapateiros, para os restauros do Cine Pax e do Cineteatro Jandaia, para a efetivação de moradias dignas e populares na região, como também, a criação de uma Fundação Cultural que assegure a historicidade desta Avenida, construa um Centro de memória, crie cursos formadores nas áreas do audiovisual, da música, do teatro, da literatura e da culinária.

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Também, oficinas de artesanatos, tecelagens, artes plásticas, cursos de turismo e idiomas, capoeira, restauração. Um centro de intercâmbios culturais com outros estados e países, demonstrando o que foi e o que vai ser a nova Baixa dos Sapateiros para todos nós.

Nascida acima do Rio das Tripas, por estar próxima de um Matadouro na era colonial, depois chamada de Rua da Vala, no século XIX passou a ser chamada de Baixa dos Sapateiros em alusão a muitos profissionais deste tipo que ali trabalhavam.

Em finais dos anos 40 do século XX, viu nascer o seu majestoso e importante Cineteatro Jandaia, atraindo para a Bahia grandes espetáculos e artistas famosos da época, entre eles, a inesquecível Bidú Sayão.

Ainda no século XX, entre as décadas de 50, 60, 70 e 80, era o mais expressivo polo comercial de Salvador. Com o declínio do seu comércio e o abandono institucional dos órgãos competentes do estado e do munícipio, a Baixa dos Sapateiros, mesmo tendo imensa importância histórica e cultural para o Brasil, foi largada ao desmando total. O prédio do Jandaia está prestes a desabar.

Geraldo Badá é um homem-imersão. Um homem-empreendimento. A cultura o mobiliza a cuidar da vida, a vida o implica a ter preocupações culturais. Ele escolheu se inscrever na história da Baixa dos Sapateiros e lutar infinitamente para a sua reestruturação. Sua voz não ecoa sozinha e a Arte e todas as letras, acionadas por ele, nos convidam a abraçar esta causa.

*Marlon Marcos é poeta, jornalista, antropólogo, professor da Unilab

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