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AtlasIntel: maioria dos brasileiros aponta infiltração das facções na política
Levantamento ocorre após decisão dos EUA sobre organizações
O instituto AtlasIntel divulgou, nesta quarta-feira, 3, uma pesquisa de opinião baseada na decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. O levantamento aponta que a maior parte da população acredita na infiltração dos grupos na política.
Segundo o questionário, 48.3% dos entrevistados acreditam que a corrupção/infiltração política é a principal atividade das facções. Na sequência, com 44.2%, aparece o tráfico de drogas.
A opção lavagem de dinheiro aparece em terceiro, sendo citada por 39.8% dos entrevistados.
Carbono Oculto
A desconfiança da população entrevistada acontece em meio aos escândalos recentes envolvendo facções e atores importantes do meio político.
A operação Carbono Oculto, uma ação conjunta entre Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo, investiga a relação entre o Primeiro Comando da Capital e alguns dos maiores centros financeiros do país, como a ‘Faria Lima’, onde se concentram as chamadas ‘fintechs’.
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Segundo a Receita Federal, essa é a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil.
Vereadores baianos ligados ao crime organizado
Um levantamento feito pelo portal A Tarde mostra que seis vereadores de diferentes municípios baianos foram presos por suspeita de envolvimento com o crime organizado nos últimos meses.
Os parlamentares seriam envolvidos com os seguintes grupos:
- Primeiro Comando de Eunápolis (PCE);
- Comando Vermelho (CV);
- Bonde do Maluco (BDM) - ligado ao PCC.
Combate e prioridades
O questionário também pergunta aos entrevistados qual deveria ser a prioridade das autoridades brasileiras para ‘sufocar’ as facções criminosas. Para 74.5% da população, o ‘sufocamento financeiro’, seja por bloqueio de contas ou rastreio de lavagem de dinheiro é o principal caminho.
O controle rígido das fronteiras do Brasil aparece como a segunda solução mais apontada pelos entrevistados, com 29.1%.
No dia 12 de maio, o governo federal lançou o ‘Brasil Contra o Crime Organizado’, que consiste em uma série de ações de enfrentamento aos grupos criminosos, com um investimento de R$ 11 bilhões na área.
"O que nós estamos fazendo aqui hoje é um sinal pra gente dizer ao crime que eles em pouco tempo não serão mais donos de nenhum território. O território será devolvido ao povo brasileiro", afirmou Lula durante o lançamento do programa.
Ao portal A Tarde, o secretário estadual de Segurança Pública, Marcelo Werner, falou sobre o impacto do programa no combate aos grupos criminosos.
"Acerca do plano, além de injetar recursos, que são de suma importância para a continuidade dos investimentos, aquisição de equipamentos de inteligência, de perícia, de armamentos, viaturas e todos os meios necessários para o plano de segurança pública, ele também trabalha em outras frentes e, repito, são algumas linhas que já estão sendo adotadas aqui na Bahia, a exemplo do fortalecimento do sistema prisional, do fortalecimento das ações integradas no sistema prisional e das forças de segurança estaduais”, destacou na ocasião.
Judiciário na mira
Para a maioria dos entrevistados, o sistema judiciário brasileiro é o setor que mais contribuiu para o crescimento do PCC e do CV. Segundo a pesquisa, 39.5% dos respondentes culpam a Justiça pelo avanço das facções, seguido pelos governos federais (36.3%).
A desigualdade social também é um fator de contribuição para o crescimento das facções, segundo 23.2% dos respondentes.
Você já foi vítima do narcotráfico?
A pesquisa AtlasIntel também questionou se a parcela entrevistada já havia sido vítima ou conhecido alguém que tenha sido prejudicado pelo narcotráfico liderado pelo crime organizado.
Do grupo, 45.9% respondeu que não foi vítima, mas conhece alguém que já tenha sido. Já outros 42.9% afirmam não ter sido vítima, nem conhecido qualquer outra vítima.
Outros 11.2% já foram vítimas do tráfico de drogas liderado pelas facções PCC e CV.
Pesquisa AtlasIntel
O levantamento AtlasIntel entrevistou 1.273 pessoas, entre os dias 30 de maio e 3 de junho, por meio de recrutamento digital aleatório (RDR). A margem de erro é de 3.p.p+-, enquanto o nível de confiança é de 95%.