AUTOS
Polícia conclui que falha na maçaneta facilita furto da caminhonete mais vendida do Brasil
Falha identificada pela polícia permite que criminosos tenham acesso ao veículo sem suspeitas
Uma vulnerabilidade identificada em modelos da Toyota Hilux e do SW4 fabricados entre 2016 e 2022 tem sido explorada por criminosos para facilitar o furto dos veículos. A falha chamou a atenção das autoridades após uma sequência de ocorrências registradas na região de fronteira entre o Brasil e o Paraguai, levando a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul a aprofundar as investigações sobre o caso.
As apurações ganharam força depois que policiais identificaram um padrão nos crimes. Entre janeiro e abril de 2026, foram registradas 34 ocorrências envolvendo Hilux e SW4 no estado. Todos os veículos furtados pertenciam ao mesmo intervalo de fabricação, sendo que a maioria havia sido produzida a partir de 2019.
O interesse dos investigadores pelo assunto começou ainda em setembro de 2025, durante uma operação realizada em Campo Grande contra uma organização especializada em furtos de caminhonetes. Na ocasião, os agentes perceberam que os modelos da Toyota apareciam com frequência entre os alvos do grupo criminoso.
Ferramenta apreendida ajudou a desvendar esquema
Um dos elementos que ajudaram a esclarecer o método utilizado foi a apreensão de uma chave de fenda fina e alongada, encontrada entre os materiais usados pela quadrilha. A partir dessa descoberta, a Polícia Civil realizou análises técnicas para compreender como os criminosos conseguiam acessar os veículos sem levantar suspeitas.
De acordo com o relatório elaborado pelos investigadores, o ponto vulnerável está relacionado ao sistema de chave inteligente, tecnologia que permite destravar as portas automaticamente quando o proprietário se aproxima do veículo com a chave eletrônica.
Leia Também:
Segundo a hipótese levantada pela polícia, a inserção da ferramenta na maçaneta possibilita uma interferência no circuito do sistema, fazendo com que o veículo interprete o comando como se tivesse sido enviado pela chave original.
Portas são abertas sem disparar alarme
A principal vantagem para os criminosos é que o procedimento não aciona o sistema de alarme. Como o veículo reconhece o comando como legítimo, as portas são destravadas sem gerar qualquer alerta, permitindo acesso ao interior da caminhonete de forma discreta.
Com o carro aberto, os suspeitos passam para a etapa seguinte do crime: a partida do motor.
Equipamentos ficaram mais acessíveis
Segundo o relatório policial, os grupos criminosos utilizam aparelhos eletrônicos capazes de reprogramar chaves genéricas para que funcionem como originais, contornando os mecanismos de proteção instalados pela fabricante.
Os investigadores afirmam que esses equipamentos chegaram a custar cerca de R$ 30 mil. No entanto, o documento destaca que, a partir de 2025, passaram a ser apreendidos dispositivos semelhantes comercializados por valores inferiores a R$ 5 mil, inclusive em plataformas digitais.
Procurada para comentar o caso, a Toyota informou que não iria se pronunciar.