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ANTAQ pretende zerar uso de carbono nos portos da Bahia

Em entrevista ao Portal A TARDE, superintendente detalha estratégias da Agência

Isabela Cardoso
Por Isabela Cardoso
Cristina Castro, a superintendente de ESG e Inovação da ANTAQ
Cristina Castro, a superintendente de ESG e Inovação da ANTAQ -

A Bahia faz parte de uma meta que pode mudar os rumos da descarbonização no setor portuário nordestino. A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) integra uma das frentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) voltadas à transição energética, ao lado dos portos do Rio Grande do Norte e Alagoas. O objetivo é ambicioso: até o final do ano, zerar o uso de carbono nesses três portos.

Em visita institucional nesta quinta-feira, 17, Cristina Castro Lucas de Souza, a superintendente de ESG e Inovação da ANTAQ, foi recebida pelo diretor de Relações Institucionais do Grupo A TARDE, Luciano Neves. Também estiveram presentes Ricardo Bertelli, gerente de ESG na Codeba e o advogado Lucas Gavazza.

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Em entrevista ao Portal A TARDE, a superintendente detalha como a agência tem estruturado políticas voltadas à sustentabilidade, com foco na descarbonização, inclusão, inovação e soluções baseadas na natureza.

“Agora, no final de agosto, a gente já vai ter um Energy Book que vai para todos os portos brasileiros, mas com o modelo desses três portos, usando também a Bahia como uma referência. E a partir disso, a gente quer até o fim do ano zerar a energia, limpar a energia desses três portos, mostrando que isso é possível. Começando a descarbonizar pela energia", explica.

Portos brasileiros e o papel da ANTAQ

O Brasil tem cerca de 250 portos, com diferentes portes, estruturas e desafios. Cristina reforça a importância do transporte aquaviário, que movimenta praticamente tudo que usamos. “97% de tudo que você consome na sua vida ou passa nos oceanos ou sai nos oceanos. Tudo que você olhar nessa sala, 97% passou no porto."

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A ANTAQ, apesar de ser uma agência jovem e enxuta, nasceu com foco em meio ambiente. Desde 2023, passou a estruturar sua atuação com base em ESG (sigla para Environmental, Social and Governance), mudando inclusive a nomenclatura de uma de suas superintendências para “ESG e Inovação”.

“A entrada de desenvolvimento econômico no mundo, desde que o mundo é mundo, passa pelo porto. E isso só pode ser monitorado e pensado se for pela ferramenta, pela matriz, pelo olhar de ESG", pontua.

O primeiro inventário setorial

Um dos marcos recentes da agência foi a criação do primeiro inventário setorial de emissões do setor aquaviário no país. O estudo mostrou que, mesmo com o aumento de 14,8% no transporte de cargas entre 2021 e 2023, as emissões caíram 7,8%.

“Com políticas de descarbonização da Petrobras, da Transpetro, de cuidados básicos que estavam existindo ali com o petróleo, com o bunker versus o diesel, a gente teve uma diminuição sem muito investimento em infraestrutura", conta Cristina.

Agora, a ANTAQ prepara os inventários de 2024 e 2025 e já lançou um guia de boas práticas para orientar todos os portos brasileiros sobre descarbonização e mudanças climáticas. O objetivo é nivelar o conhecimento e promover uma cultura de transição energética em todo o setor.

Luciano Neves, Cristina Castro e Ricardo Bertelli
Luciano Neves, Cristina Castro e Ricardo Bertelli | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Soluções baseadas na natureza

Outro eixo importante dos projetos liderados pela superintendência é a chamada infraestrutura verde, com tecnologias inspiradas na própria natureza. A iniciativa inclui o desenvolvimento de um novo projeto nacional chamado “Porto Cidade”, que será orientado por soluções naturais para adaptação e mitigação dos efeitos climáticos.

“A gente precisa pensar na infraestrutura verde. Infraestrutura, ela precisa ser adaptada às necessidades de mudança climática... Infraestrutura que apoie uma agenda positiva e adaptação e mitigação da mudança climática", detalha a superintendente.

ESG, inclusão e futuro

Cristina ressalta que ESG não é apenas uma sigla da moda, mas uma maneira estratégica de garantir a continuidade da vida, dos recursos e da economia. Para isso, é preciso considerar também aspectos sociais, como capacitação profissional, diversidade e inclusão de mulheres no setor portuário.

“A tecnologia é meio. Ela é o que vai tocar o resultado final que você quer chegar. Primeiro, eu preciso entender quais são os nossos maiores problemas. Mudança climática, descarbonização, biomassa, inclusão, diversidade... O que é inovação? É fazer algo novo agregando valor social. Tem que ter resposta social", comenta.

Cristina reforça que os desafios são muitos, mas que o caminho está claro: monitorar, planejar e transformar. “A gente precisa da diferença, da educação, da formação, é só com isso que se cresce, para a partir disso se pensar em formatos de tecnologias que se adaptem melhor às necessidades locais", conclui.

Para a CODEBA, "atuar em programas de descarbonização portuária não é apenas uma prioridade ambiental, mas também uma estratégia de modernização e eficiência. O projeto em parceria com a ANTAQ fortalece nossas ações de integração porto-cidade e promove a relação de responsabilidade social dos portos com a cidade".

"O projeto nos posiciona em conformidade com as melhores práticas e diretrizes internacionais. Além de contribuir com a redução de emissões, essa iniciativa promoverá uma gestão mais sustentável do consumo energético, com impactos positivos diretos na redução de custos operacionais e na competitividade dos nossos portos."

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ANTAQ descarbonização esg

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