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Bahia faz primeira telecirurgia robótica de longa distância

Operação combina maior precisão e recuperação mais rápida do paciente

Jackson Souza
Por Jackson Souza
Cirurgião controlou o robô em Salvador
Cirurgião controlou o robô em Salvador - Foto: Shirley Stolze / Ag. A TARD

A Bahia realizou ontem a primeira telecirurgia robótica do estado: uma nefrectomia parcial para retirada de um tumor no rim de um paciente que estava em Mato Grosso do Sul, a mais de 2.300 quilômetros de distância. O procedimento, o primeiro do tipo realizado na rede privada no Brasil, é considerado por especialistas um marco para a medicina nacional e mundial. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia – ainda restrita principalmente ao setor privado – seja ampliada e incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), facilitando o acesso de pacientes que vivem longe dos grandes centros a profissionais e técnicas altamente especializadas.

Realizada por meio de um robô controlado remotamente por um cirurgião, a operação é minimamente invasiva, oferece maior precisão e proporciona uma recuperação mais rápida ao paciente. Além disso, permite que especialistas operem pessoas localizadas em diferentes cidades ou até países.

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A avaliação é do urologista e cirurgião robótico Nilo Jorge Leão, que conduziu o procedimento a partir do Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (Iart), em Salvador. Em Campo Grande (MS), onde estava o paciente, uma equipe médica de apoio acompanhou toda a cirurgia e assumia etapas específicas do procedimento quando necessário.

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"É muito mais do que um avanço tecnológico. Estamos falando de democratizar o acesso à saúde de qualidade para pessoas que não têm culpa de terem nascido longe dos grandes centros. Minha impressão é que os custos vão cair muito nos próximos anos e os governos vão entender que a relação custo-benefício dessa tecnologia é extremamente positiva. Afinal, estamos falando de uma cirurgia para retirar um câncer de um órgão vital", afirma.

Na operação, um paciente de 56 anos passou por uma nefrectomia parcial, procedimento que remove apenas a parte do rim afetada pelo tumor, preservando o restante do órgão e sua função. A cirurgia utilizou internet via satélite pela segunda vez e registrou latência – o intervalo entre o comando do cirurgião e a resposta do robô – de apenas 0,05 milissegundo, índice considerado seguro para esse tipo de procedimento, que transcorreu dentro do esperado.

Com mais de 2 mil cirurgias robóticas realizadas, Nilo Jorge Leão, que também coordena o Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), reconhece que a tecnologia ainda exige alto investimento, mas defende que seus benefícios justificam a análise por parte dos gestores públicos.

"À medida que a telecirurgia vai se consolidando, fica evidente que é possível oferecer cirurgia de qualidade independentemente de onde o paciente esteja. É claro que ainda não é um investimento barato, mas cabe aos gestores avaliar o quanto isso agrega à vida das pessoas", diz.

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