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Dos terminais à cabine de comando

8 DE MARÇO, 8 MULHERES, 8 HISTÓRIAS

Conduzindo sonhos: Conheça a operadora que guia milhares de histórias no metrô de Salvador

Elizabeth da França é a segunda personagem da série especial do Portal A TARDE; conheça a mulher que deciciu trilhar seu próprio destino

Dos terminais à cabine de comando - Foto CLARA PESSOA/AG. A TARDE

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Andrêzza Moura

Por Andrêzza Moura

06/03/2026 - 16:55 h | Atualizada em 06/03/2026 - 18:02

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No segundo episódio da série “8 de Março, 8 mulheres, 8 histórias”, seguimos pelos trilhos de Salvador para conhecer Elizabeth da França Lopes, 34 anos, operadora de trem da Motiva Metrô Bahia.

Todos os dias, cerca de 400 mil pessoas utilizam o metrô de Salvador. São histórias que se cruzam, compromissos que precisam ser cumpridos, sonhos que seguem viagem. E, conduzindo parte dessas trajetórias sobre trilhos, está Elizabeth.

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Há 11 anos na empresa, Beth, como é carinhosamente chamada pelos colegas, começou sua jornada como agente de atendimento, informando e orientando passageiros nos terminais.

Hoje, há nove anos e meio, ela é uma das 45 mulheres entre os 150 operadores de trem do sistema - um setor majoritariamente masculino - no qual conquistou e ocupa seu espaço com competência, atenção e orgulho.

É neste cenário que o Portal A TARDE apresenta o segundo capítulo da série especial: “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”. A segunda parada é na cabine da Motiva, para entender como Beth trilha seu caminho.

Dos terminais à cabine de comando

Elizabeth relembra que sua trajetória começou nos bastidores da operação comercial.

“Eu trabalhava nos terminais. Dos terminais nós viemos dar apoio aqui nas estações, nas bilheterias, que iriam começar a funcionar”, conta ela, revelando que foi nesse período de transição que passou a observar de perto a rotina dos operadores e controladores.

Dos terminais à cabine de comando
Dos terminais à cabine de comando | Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

A curiosidade deu espaço à meta. Incentivada por uma colega, ela começou a acompanhar a comunicação via rádio, a escala de trabalho e a dinâmica da função.

Mas, como ela mesma resume, “o interesse veio da convivência com o sistema”, e a preparação para o processo seletivo começou antes mesmo de decidir se candidatar à nova função.

"Eu acompanhava de perto tanto os operadores quanto os controladores também. Acompanhava a modulação dentro da bilheteria, como é que eles se comunicavam no rádio, como era a escala deles, como é que funcionava a rotina de trabalho e, daí, comecei a estudar e fiz o processo", conta a operadora.

Elizabeth relata que, no começo, aprender a conduzir o trem foi desafiador, mas com o tempo e a prática a atividade se tornou mais fácil. à medida que a experiência permitiu desenvolver e aprimorar as habilidades necessárias.

Ela explica que foram três meses longos de treinamento, com provas teóricas e práticas rigorosas.

Antes de começar a operar trens, Elizabeth trabalhava nos terminais
Antes de começar a operar trens, Elizabeth trabalhava nos terminais | Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

"Hoje, que a gente já opera há muito tempo, parece fácil. E, de fato, a gente consegue desenvolver bem. No entanto, hoje que eu vejo os novos [operadores], a gente já ensinou as novas, e pensamos: 'nossa, o que a gente faz é complexo'. A gente se acostuma tanto a fazer o que faz, que achamos que é fácil, mas não é. É um sistema complexo, seguro", afirma.

Ela pontua ainda que, mesmo depois de quase uma década de experiência, o aprendizado é contínuo: “a gente trabalha com tecnologia, com sistema que se atualiza. Mesmo com nove anos, eu tenho que me atualizar sempre”, reforça.

Mil vidas por viagem

Cada composição tem capacidade para transportar até 250 pessoas por vagão. Em média, Elizabeth conduz cerca de mil passageiros por viagem. Mil vidas. Mil histórias. Mil destinos.

Ela se recorda com nitidez da primeira vez em que operou sozinha, no trecho entre Pirajá e a Lapa, quando ainda não existiam as demais estações.

"Foi bom, mas rolou um pouquinho de insegurança. Fiquei feliz, aí eu falei: 'agora eu estou só [operando sozinha]'. Mas, estar só também traz aquela responsabilidade. Pensei: 'agora eu tenho que resolver todas as questões aqui'", relembrou.

Beth relata que, além de conduzir o trem, transportar pessoas exige atenção redobrada, comunicação clara e rapidez nas decisões.

Elizabeth trabalha como operadora de metrô há 9 anos e meio
Elizabeth trabalha como operadora de metrô há 9 anos e meio | Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

“Em uma hora está tudo tranquilo, daqui a pouco as coisas podem mudar, e precisamos manter atenção para prestar um bom serviço. Temos que cuidar da segurança do cliente, pois, às vezes, ele não tem noção do risco de ficar sobre a faixa amarela”, enfatiza.

Ele acrescenta: “É necessário ter controle da velocidade, chamar a atenção do passageiro e estar atento ao nosso posicionamento para evitar situações de insegurança”.

Representatividade que inspira

Elizabeth confessa que só reconhece a verdadeira grandiosidade do seu trabalho ao perceber, nos olhares de admiração dos clientes, a importância do que faz.

“A gente só percebe a importância do que faz quando recebe a validação dos outros. Só entendemos verdadeiramente nosso valor quando a comunidade e as pessoas ao redor dizem: 'você é operadora de trem? Que massa!'”, destaca.

Beth afirma que o olhar admirado de clientes e crianças revela a importância do seu trabalho
Beth afirma que o olhar admirado de clientes e crianças revela a importância do seu trabalho | Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

A operadora ressalta ainda que o reconhecimento pelo trabalho vai além da simples validação dos outros, sendo o encantamento dos clientes e, principalmente, das crianças, incluindo meninas negras e os autista, que revela o impacto do serviço prestado por ela à sociedade.

Comunicação: o sonho que corre em paralelo

Solteira e mãe de uma adolescente, de 15 anos, Elizabeth carrega outro sonho nos trilhos da própria vida: quer ser jornalista. A paixão pela comunicação ganhou força dentro da própria empresa.

Ela conta que sempre sonhou com a área e que esse desejo foi aflorado ali. Atualmente cursa o segundo semestre de Marketing.

"Hoje, estou fazendo faculdade de marketing, mas quero fazer jornalismo também. Comecei, inclusive, apoiado pela empresa, que paga minha faculdade. É aqui na empresa que as portas têm se aberto para mim, estou vivendo uma fase legal, estou gostando", disse ela, orgulhosa e grata.

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Orgulho de pertencer

Elizabeth afirma que tem orgulho de fazer parte do sistema metroviário de Salvador. Para ela, trata-se de um serviço diferenciado, que transforma a mobilidade urbana da cidade.

Entre decisões rápidas, anúncios de partida, reabertura de portas e campanhas educativas, segue conduzindo mais que composições: conduz confiança. Em cada viagem, reafirma que lugar de mulher é onde ela quiser, até mesmo na cabine de comando de um trem que atravessa a cidade.

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No Dia Internacional da Mulher, sua história representa não apenas as 45 operadoras da empresa, mas todas as mulheres que desafiam estatísticas e ocupam espaços historicamente negados.

Em sua trajetória de vida, Elizabeth da França Lopes não conduz apenas trens, acima de tudo, conduz possibilidades e inspira caminhos.

Próxima estação: construindo o próprio destino

No próximo capítulo da série “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”, a reportagem deixa os trilhos da Motiva Metrô Bahia para seguir até o canteiro de obras do empreendimento Legacy, em Salvador, e acompanhar a trajetória de Madalena Paixão Costa, ajudante de hidráulica, que vem conquistando espaço em um setor historicamente dominado por homens.

Acompanhe o terceiro capítulo da série e veja como Madalena constrói, entre ferramentas e desafios, um novo capítulo da própria história marcada por coragem, aprendizado e determinação.

Madalena Paixão Costa
Madalena Paixão Costa | Foto: José Simões / Ag. A TARDE

“8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias” - Matérias

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Com o objetivo de debater temas fundamentais para o público feminino, o Grupo A TARDE promove o evento "Mulheres em Pauta: Empoderamento e Segurança". O encontro será realizado no dia 17 de março, das 15h às 18h, no Auditório do SEBRAE (Rua Arthur de Azevêdo Machado, 1225, Edf. Civil Towers, Costa Azul, Salvador - BA). A iniciativa integra as celebrações em torno do Dia da Mulher, reunindo discussões sobre protagonismo e proteção no cenário atual.

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8 de março Dia da Mulher Dia Internacional da Mullher

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