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Fim da escala 6x1: veja se mudança pode afetar o comércio na Bahia

PEC foi aprovada pelo Senado na última quarta-feira, 14, e promulgada na manhã desta sexta- 16

Luiza Nascimento
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| Atualizada em
Mudança na jornada de trabalho será implementada de forma gradual, conforme os prazos previstos no texto aprovado
Mudança na jornada de trabalho será implementada de forma gradual, conforme os prazos previstos no texto aprovado - Foto: Reprodução / Roberto Parizotti (Sapão)

A aprovação do fim da escala 6x1, ocorrida na última quarta-feira, 14, pelo Senado Federal, abre um novo debate entre representantes do setor empresarial. É preciso montar uma estratégia sobre como reorganizar as jornadas de trabalho sem comprometer o funcionamento dos estabelecimentos e a atividade econômica.

A proposta, promulgada nesta sexta, 16, prevê mudanças na organização da jornada de trabalho e dos períodos de descanso dos trabalhadores. Para o setor empresarial, a implementação das novas regras exige planejamento, especialmente em atividades que dependem de equipes em funcionamento durante toda a semana, como lojas, supermercados e outros estabelecimentos comerciais.

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Na Bahia, entidades ligadas ao comércio avaliam os impactos da mudança e discutem os desafios que os empresários poderão enfrentar durante o processo de adaptação. Em entrevista ao portal A TARDE, representantes avaliaram o avanço da lei, adequações e próximos passos.

Como o comércio avalia o fim da escala 6x1?

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) avalia os efeitos da medida para o setor, e acompanha o posicionamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que lamentou que a discussão tenha sido conduzida durante o período eleitoral.

"A entidade reconhece a legitimidade do debate sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos trabalhadores, mas reafirma que mudanças estruturais dessa magnitude exigem aprofundamento técnico, diálogo e avaliação criteriosa de seus impactos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas", declarou a CNC em nota.

Além disso, a entidade reitera que as relações de trabalho devem ser discutidas prioritariamente por meio da negociação coletiva entre representantes de trabalhadores e empregadores.

"Esse é o caminho mais adequado para construir soluções equilibradas, que respeitem as particularidades de cada atividade econômica e as diferentes realidades regionais, assegurando previsibilidade, segurança jurídica e preservação dos postos de trabalho", concluiu.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Salvador também demonstrou preocupação com a aprovação, que classificou como "apressada", mesmo reforçando a importância da valorização dos trabalhadores e a busca por qualidade de vida.

"A medida, votada em pleno período eleitoral, com tramitação acelerada, não realizou os devidos estudos de impacto econômico e técnico, trazendo sérios riscos ao ecossistema do comércio e serviços". disse a CDL em nota enviada para a reportagem.

Além disso, a entidade alertou para os possíveis impactos diretos como:

  • Elevação aos custos operacionais das empresas, especialmente micro e pequenas;
  • risco de pressão inflacionária;
  • ameaça à geração de empregos formais e aumento da informalidade.

A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, defendeu que mudanças na jornada de trabalho sejam discutidas com cautela e tenham seus impactos econômicos avaliados antes da implementação.

“Respeito a decisão, mas uma mudança dessa dimensão exige muito mais do que a aprovação de uma medida. Seria importante que esse debate fosse conduzido com calma, responsabilidade e fora do período eleitoral, para que seus impactos fossem avaliados sem precipitação. A realidade dos negócios brasileiros é muito heterogênea: o pequeno comércio de bairro, o restaurante e uma empresa de maior porte têm estruturas e condições de funcionamento muito diferentes.

Suarez também alertou para os desafios enfrentados pelas micro e pequenas empresas baianas.

"Na Bahia, muitas micro e pequenas empresas operam com margens apertadas e têm pouca capacidade para absorver aumentos de custos de forma imediata. Não se trata de desconsiderar a importância da valorização dos trabalhadores, mas de garantir que uma mudança dessa natureza leve em conta as condições reais de quem empreende, investe e gera renda", afirma Isabela Suarez, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB).

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Adequação das empresas

Entre as principais questões levantadas pelo setor estão a reorganização das escalas, a necessidade de contratação de funcionários e os possíveis reflexos nos custos operacionais. A forma como cada empresa fará essa transição dependerá das características da atividade, do número de trabalhadores e do modelo de funcionamento adotado.

A reorganização da jornada é uma preocupação para lojistas e comerciantes, especialmente em segmentos que precisam manter o atendimento ao público aos fins de semana e em períodos de maior movimento.

Paulo Motta, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas-BA), aponta o "risco de graves prejuízos" para a atividade produtiva do varejo e uma possível desvantagem em relação à concorrência com e-commerce.

Em entrevista ao portal A TARDE, ele revelou que a entidade tem uma grande preocupação, principalmente com comércio de rua e lojas físicas, sobretudo em relação à adaptação para o funcionamento em datas festivas, fins de semana e feriados.

"É uma intervenção muito agressiva nessa nova legislação trabalhista, sem um estudo mais cuidadoso, mais detalhado da sua repercussão, das capacidades de manutenção de emprego e fechamento de unidades", disse Paulo Motta.

Segundo o presidente, se a lei não for devidamente amadurecida, os danos podem gerar uma crise e malefícios eventuais para o trabalhador e empresariado.

"Não só para nós, empresários, que geramos emprego e produzimos, como para o trabalhador, em ter seus empregos e poder ter uma vida tranquila com os seus salários corrigidos anualmente pelos índices inflacionários. Não vemos nada de grande vantajoso para o trabalhador, muito pelo contrário. A maior conquista do trabalhador é ter seu emprego, sua renda e sua atividade regular", disse Motta.

Próximos passos

Além de avaliar os efeitos da mudança, as entidades empresariais precisam definir como orientar seus associados durante a adaptação às novas regras. Entre os pontos que devem entrar no planejamento estão a revisão das escalas, a distribuição das equipes e a necessidade de eventuais contratações para manter o funcionamento dos estabelecimentos.

"As empresas têm que se ajustar à nova escala de trabalho ou tem que contratar novos funcionários para poder manter o seu pleno funcionamento, ou tem que se adequar à condição de ter o funcionamento adaptado à nova escala. Com isso, a produção cai e o desemprego se torna presente", pontuou o representante do Sindilojas.

Segundo ele, é necessário fazer uma reflexão até que surja um entendimento direto entre os sindicatos patronais e laborais para buscar preservação do emprego, da atividade econômica e do interesse de ambas classes.

A expectativa é que o processo de adaptação exija planejamento por parte dos empregadores, sobretudo nos segmentos em que o atendimento não pode ser interrompido. Desta forma, os próximos passos dependerão das regras definitivas para a implementação da nova jornada e das orientações que serão adotadas para o setor.

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escala 6x1 fim da escala 6x1 jornada de trabalho

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