ECONOMIA
Guerras atuais já afetam economia do Brasil, alerta especialista
Evento da ACB discutiu impactos da geopolítica nos negócios brasileiros


Os efeitos das guerras sobre a economia brasileira estiveram no centro de um encontro promovido pela Associação Comercial da Bahia (ACB), na terça-feira, 28, em Salvador.
O evento reuniu empresários, juristas, autoridades e acadêmicos para discutir como os conflitos internacionais já influenciam o ambiente de negócios, mesmo em países distantes dos campos de batalha.
Durante a programação, a ACB também assinou um termo de cooperação institucional com a Academia de Letras Jurídicas da Bahia (ALJB), parceria voltada à produção de conhecimento e à promoção de debates sobre temas estratégicos para o desenvolvimento econômico e jurídico do estado.
Guerras já provocam impactos na economia
A principal palestra do encontro foi ministrada pelo professor Vinicius Mariano de Carvalho, docente de Estudos Brasileiros e Latino-Americanos do Department of War Studies do King's College London. Segundo ele, as guerras contemporâneas ultrapassam os confrontos militares e produzem efeitos diretos sobre a economia mundial.
Entre os impactos apontados pelo especialista estão o bloqueio de rotas marítimas estratégicas, oscilações no preço do petróleo, interrupções nas cadeias globais de suprimentos e riscos à infraestrutura digital.
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Esses fatores afetam o comércio internacional, pressionam a inflação e alteram o planejamento econômico de diversos países, incluindo o Brasil.
De acordo com Carvalho, apesar de estar distante dos principais conflitos armados, o Brasil permanece vulnerável por depender das cadeias globais de produção e do transporte marítimo para abastecimento e exportação de produtos.
Segurança econômica entra na agenda
Para o vice-presidente de Sustentabilidade da ACB, Georges Humbert, o cenário amplia a necessidade de discutir segurança econômica sob a ótica jurídica e institucional.
"Segurança econômica é, hoje, tema de direito e de sustentabilidade. Rotas marítimas bloqueadas, energia volátil e cadeias de suprimento rompidas atingem o Brasil na produção, no preço e no investimento. A resposta passa por segurança jurídica, previsibilidade regulatória e investimento em infraestrutura", afirmou.
A presidente da Associação Comercial da Bahia, Isabela Suarez, destacou que a discussão faz parte da missão histórica da entidade de contribuir para o planejamento econômico do estado.
"Discutir os efeitos dos conflitos internacionais sobre nossos negócios não é exercício teórico: é planejamento. Ao firmarmos cooperação com a Academia de Letras Jurídicas da Bahia, unimos o setor produtivo à tradição jurídica do estado para qualificar esse debate", disse.
Parceria fortalece produção de conhecimento
A cooperação firmada entre a ACB e a ALJB prevê a realização de iniciativas conjuntas voltadas à produção de conhecimento e ao aprofundamento de discussões sobre desenvolvimento econômico, ambiente de negócios e segurança jurídica.
Representada pelo presidente Ricardo Maurício Freire Soares, a Academia de Letras Jurídicas da Bahia participa da iniciativa como parceira institucional para aproximar o meio jurídico do setor produtivo e ampliar o debate sobre os desafios impostos pelo cenário internacional.
Evento reuniu representantes de diferentes setores
Além de empresários e diretores da Associação Comercial da Bahia, o encontro contou com a presença de magistrados, advogados, professores, acadêmicos e representantes do setor público.
Entre os participantes estiveram o escritor Joaci Góes, o desembargador Lidivaldo Reaiche, a juíza Patrícia Cerqueira, o ex-deputado federal Nelson Pelegrino e integrantes da Academia de Letras Jurídicas da Bahia.
Ao final do evento, a ACB reforçou seu papel como espaço de discussão sobre temas que impactam a economia baiana, aproximando especialistas e representantes da sociedade para debater os efeitos do cenário geopolítico sobre o desenvolvimento do estado.


