REFERÊNCIA BAIANA
Luís Eduardo Magalhães celebra 26 anos como símbolo do novo interior
Em entrevista ao portal A TARDE, prefeito Júnior Marabá (PP) fala do crescimento e projeta novos saltos econômicos

A cidade de Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, completa 26 anos de emancipação política nesta segunda-feira, 30.
O município que nasceu de um ponto de apoio na BR-242, que ligava a Bahia ao estado de Goiás, hoje, vive os tempos de ouro, sob o comando do prefeito Júnior Marabá (PP).
Jovem apenas na idade, a cidade já carrega um grande legado: a referência no agronegócio. Além disso, ela também traz consigo o destaque de pertencer a região conhecida como Matopiba, nome dado à nova fronteira agrícola que fica na divisa dos estados de Maranhão, Tocantins, Bahia e Piauí.
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Em entrevista exclusiva ao Grupo A TARDE, o prefeito Júnior Marabá elencou os avanços da cidade nos principais setores estratégicos, como:
- educação;
- economia;
- agronegócio;
- saúde;
- gestão;
- infraestrutura.

Confira a entrevista completa abaixo:
O crescimento populacional de LEM é acelerado. Como equilibrar a oferta de serviços públicos, como saúde e educação, com essa expansão constante?
Esse é um dos nossos grandes desafios. Luís Eduardo Magalhães cresce rapidamente e cada ano a gente sente esse crescimento refletido nos números de atendimento e atenção social. A Educação é um bom exemplo disso. Todo ano a gente tem uma média de 5% a 7% de aumento no número de alunos.
Na saúde, nossas projeções de atendimento são sempre maiores do que os números reais. Isso acontece em função do crescimento populacional, mas também pela qualidade da entrega da Saúde que nós ofertamos.
Como a Saúde pública é oferecida através do SUS, nós não temos como recusar atendimento à pacientes de outros municípios da região e até do Tocantins, por exemplo. Crescimento é algo positivo, sem dúvidas. Mas na velocidade que temos hoje é sem dúvida desafiador.
A pavimentação asfáltica foi uma bandeira forte. Qual a meta real de cobertura até o fim deste ciclo?
Nós iniciamos o governo já em 2021 com a missão de ampliar o número de ruas asfaltadas no município. Tínhamos cerca de 30% da cidade com asfalto de má qualidade e já precisando de reparos. Fizemos o recapeamento das principais avenidas do Centro e iniciamos o projeto de asfaltamento dos bairros.
Nós sempre entendemos que não adiantaria fazer uma rua aqui e outra ali. Tínhamos que resolver o asfalto de bairros inteiros e foi o que fizemos. Asfaltamos os bairros Florais Léa, Conquista, Léa Cordeiro, Mimoso, Jardim das Acácias e parte do Santa Cruz.
Hoje temos cerca de 85% da cidade já asfaltada, mas precisando fazer recapeamento e reconstrução de muitas vias. Anunciamos um investimento de R$ 100 milhões para esse ano e já iniciamos as obras. Queremos entregar Luís Eduardo Magalhães 100% assaltada até o final do meu segundo mandato.
Como a prefeitura tem atuado para diversificar a economia local e reduzir a dependência direta da variação do preço das commodities (soja e algodão)?
Nós temos consciência do nosso papel dentro dessa roda gigante que move o agro. O que entendemos é a obrigação de preparar a cidade para o crescimento que a iniciativa privada impõe, pois eles comandam o agro. Temos que oferecer infraestrutura, saúde, educação e formação de obra, para que a riqueza do campo chegue nas mesas da cidade.
Outra frente importante é buscar atrair e viabilizar a chegada de novas frentes produtivas. Acho importante nossa condição de maior exportador de commodities, mas quero atrair indústrias para beneficiar nosso algodão, nossa soja e nosso milho, como é o caso da Inpasa que começa a operar aqui, já no segundo semestre deste ano.
Ela é uma biorrefinaria de grãos que usa matérias-primas como o milho e o sorgo, na produção de biocombustíveis, de DDGS e de óleos vegetais. Só para ter uma ideia, o que será produzido de biocombustível apenas nessa na planta da Inpasa de Luís Eduardo Magalhães, deixaria a Bahia autossuficiente em Etanol.
A Bahia Farm Show completa 20 anos em 2026. Qual o legado prático que o evento deixa para o cidadão que não é do setor produtivo?
A Bahia Farm Show já é um patrimônio luiseduardense. Ela tem o DNA dos pioneiros do agro que sempre trabalharam de forma profissional. Durante a semana do evento a cidade colhe frutos em diversos setores do comércio e prestação de serviços.
Hotéis que lotam com um ano de antecedência, restaurantes cheios, comércio aquecido e muitas frentes de trabalho temporário. Muitas residências são alugadas por empresas para hospedar equipes. Dá para ver que a dinâmica da cidade muda totalmente.
Como está o diálogo com os produtores do Cerrado em relação à sustentabilidade e preservação das bacias hidrográficas?
Temos um diálogo constante através da Secretaria de Agricultura, que tem um produtor à frente desta pasta, que é o Jaime Cappellesso.
Diferentemente do que tentam vender algumas ideologias - que tendem a demonizar o produtor rural, nós entendemos que eles são os maiores interessados em preservar a terra. É a matéria prima deles.
Não tem lógica um produtor investir tanto em equipamentos e tecnologias e depois atentar contra a água ou áreas de preservação. Imagine que a área preservada obrigatória no Brasil, a tal Reserva Legal, varia de 20% a 80% do imóvel rural, dependendo da localização e bioma. E se não preservar, não produz.
A segurança pública é uma preocupação em cidades que crescem rápido. O senhor pretende ampliar os investimentos na Guarda Municipal ou focar em tecnologia de videomonitoramento?
Por incrível que pareça, mesmo com o crescimento acelerado que enfrentamos por estar situada às margens de uma BR e por ter um perfil rural, nós somos hoje a segunda cidade mais segura para se viver no Estado. Temos um efetivo de 130 agentes, entre Guarda Municipal – que é armada e treinada, e Agentes de Trânsito. Essa equipe trabalha em parceria com a demais forças de segurança do Estado.
Temos videomonitoramento na SUTRANS, que é a nossa Superintendência de Trânsito, onde uma central controla cerca de 30 câmeras posicionadas nos principais pontos da cidade, com identificação de placas e banco de dados para verificação de carros roubados, por exemplo.
Nossa preocupação com segurança é tão detalhada, que foi criada aqui a Ronda do Trabalhador. E o que é isso? Diariamente, às 4h, nós colocamos viaturas nas ruas dos bairros populares para dar segurança ao trabalhador que está saindo de casa. É comum ver um trabalhador com celular na mão em plena madrugada.
Quais são as ações práticas para elevar os índices de aprendizagem em LEM e como o município tem trabalhado a alfabetização na idade certa?
Vou começar essa resposta dizendo que a Educação é a minha paixão de ser prefeito. E nós partimos do princípio de que o aluno tem que gostar de ser aluno. Ou seja, ele precisa ter seus materiais e suas necessidades atendidas. E acreditamos que é isso que eleva índice de aprendizagem e alfabetização.
Nós entendemos que o primeiro passo era acabar com a desigualdade social dentro da sala de aula. Tínhamos que colocar todos os alunos em pé de igualdade e sem discriminação de material e nem de roupa. Não era lógico que uma criança - de uma condição social menor, que trazia seu pouco material numa sacolinha de mercado, e que muitas vezes entrava na sala de aula com fome, teria a mesma condição de aprendizado do seu coleguinha que gozava de uma situação melhor.
Foi aí que iniciamos nossas entregas de fardamento e material escolar. Hoje os alunos recebem um kit com material escolar com cerca de 30 itens, como caderno, lápis, giz de cera, cola, tesoura e mais um monte de material adequado a série dele.
Além de um kit fardamento com duas camisas, uma calça, um moletom, um short, um tênis e uma mochila. Hoje todos os 22 mil alunos da Rede Municipal de Luís Eduardo Magalhães entram na sala de aula de forma igual e com um grande detalhe: alimentados.
Adotamos o pensamento de que ‘criança com fome não aprende’. Por isso acrescentamos à merenda escolar o desjejum. Ou seja, toda criança recebe antes de entrar em sala na sala uma fruta ou uma vitamina, para que não entrem de barriguinha vazia.
Existe um plano para expandir o modelo de tempo integral para o ensino fundamental II no município?
Nós inauguramos esse mês a nossa primeira escola bilíngue, onde atendemos cerca de 300 crianças em tempo integral, com ensino português-inglês sendo pioneira na Bahia. Essa nova unidade é para atender estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
Hoje, além da unidade bilíngue, nós temos duas escolas em tempo integral, onde atendemos cerca de 600 alunos do 1º ao 9º ano, e mais nove creches, onde atendemos cerca de 1.900 crianças.
Nosso foco hoje é a ampliação de creches em tempo integral, a fim de acolher ainda mais crianças e dar tranquilidade para mães que precisam trabalhar.
Como a rede municipal tem se estruturado para atender alunos com deficiência ou necessidades especiais, especialmente no que diz respeito a mediadores e salas de recursos?
Hoje nossa rede de ensino conta com salas de Atendimento Educacional Especializado em todas as unidades escolares, onde os atendimentos, que são feitos por psicopedagogos especializados, acontecem no contraturno. Nós temos hoje cerca de 60 monitores em salas de aulas para garantir atenção para esses especiais.
Após a pandemia, logo no retorno das crianças às aulas, nós identificamos a necessidade de criar o NAP. O Núcleo de Atendimento Psicopedagógico para dar suporte aos alunos. Hoje este núcleo atende alunos com TDH e dislexia.
Com o crescimento de bairros como o Jardim das Acácias e o Santa Cruz, há previsão de novas Unidades de Saúde da Família (USF) nessas regiões para desafogar a UPA central?
Hoje nós contamos com 21 unidades básicas de saúde, que incluem unidades de saúde da família e centros de saúde, onde cinco deles funcionam com horário estendido até às 22h.
Essa necessidade de funcionamento em horário diferenciado foi identificada pelo nosso secretário de Saúde, Dr. Pedro Ribeiro, exatamente com a finalidade de deixar a atenção primária nos postinhos de bairro e desafogar a UPA.
Luís Eduardo Magalhães tem a sorte de contar hoje com o Hospital Municipal Miriam Borges, que veio a somar muito na oferta de Saúde para a população.
É uma estrutura moderna que nós entregamos a cerca de um ano, e que conta com uma maternidade de primeiro mundo, dez leitos de UTI infantil, mais dez de UTI adulto, centros cirúrgicos equipados e uma equipe de atendimento muito legal. O Dr. Pedro tem trabalhado muito na humanização do atendimento da saúde.
Como está o índice de abastecimento das farmácias básicas hoje e o que foi feito para evitar rupturas de estoque?
Hoje nosso atendimento funciona de forma regular, salvo algumas raras situações de fornecimento de medicamentos específicos. Temos uma farmácia que atende muito bem às demandas da cidade.
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