DESVIO DE FINALIDADE
Retirada de feirantes para abrigar camarote gera tensão em Correntina
Ocupação de espaços coletivos por entes privados deve ser justificada pelo interesse social

A gestão do prefeito de Correntina, oeste da Bahia, Mariano Correntina (União Brasil) encontra-se no centro de uma densa polêmica jurídica e social. A decisão de remover os tradicionais feirantes do centro da cidade para viabilizar a estrutura do "Camarote Infinity" — empreendimento de entretenimento restrito — desencadeou um debate sobre os limites da administração pública e a priorização do interesse privado sobre o bem comum.
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Princípio da finalidade pública
Juridicamente, a ocupação de espaços coletivos por entes privados é uma exceção que deve, obrigatoriamente, ser justificada pelo interesse social.
Especialistas apontam que, ao deslocar famílias que dependem do comércio popular para ceder espaço a um evento de elite, a Prefeitura pode estar incorrendo em desvio de finalidade.
Vem à tona ainda o questionamento sobre qual seria o benefício real para a coletividade na substituição de um polo econômico e cultural por uma iniciativa de acesso limitado
Indenizações
Um dos pontos mais críticos do imbróglio refere-se à oferta de compensações financeiras aos feirantes. Embora o poder público possa revogar permissões de uso, a legislação brasileira é restrita quanto ao pagamento de auxílios diretos.
Geralmente, tais recursos são liberados em contextos de calamidade pública ou remoções por risco de vida.
O uso de dinheiro público para "abrir caminho" para um evento particular levanta o alerta do Ministério Público sobre possível improbidade administrativa.
Revolta
A feira de Correntina é, historicamente, o coração econômico do pequeno produtor. A resistência da comunidade não é meramente política, mas de sobrevivência.
A revolta popular sustenta-se em três pilares, os quais são a ameaça direta à renda das famílias, a sensação de privilégio concedido a uma minoria abastada e o ferimento à identidade cultural da cidade.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Correntina esclarece que não procede a informação de retirada de feirantes de espaço destinado à feira para a instalação do Camarote Infinity durante o período do Carnaval.
Ainda de acordo com a Prefeitura, na ocasião, a ampla maioria concordou com a instalação do camarote, reconhecendo que a estrutura integra o conjunto de ações voltadas à ampliação do público e ao fortalecimento do Carnaval, com reflexos diretos na economia local.
Durante a reunião, apenas dois feirantes manifestaram insatisfação, posição que foi registrada econsiderada no diálogo. Para garantir que nenhum feirante fosse prejudicado, a Prefeitura organizou de forma imediata uma área ao lado da feira. O ajuste implicou apenas no reposicionamento de alguns feirantes para poucos metros da área original, sem prejuízo de funcionamento
A Prefeitura reforça que nenhum espaço foi fechado e nenhum comerciante foi impedido de trabalhar. Todas as ações tiveram como objetivo conciliar a organização do Carnaval com a valorização do comércio local, garantindo estrutura, segurança e respeito aos trabalhadores.
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