ECONOMIA
São João, Copa e Dia dos Namorados: veja como economizar em junho
Datas comemorativas podem pesar no bolso dos baianos
Em meio a tantas celebrações no mês de junho, o desafio é diminuir o impacto no bolso. Além dos tradicionais festejos de São João, muitos baianos também precisam que equilibrar as finanças para presentear a pessoa amada no Dia dos Namorados e curtir a Copa do Mundo de 2026.
Essas datas comemorativas aquecem o comércio e impulsionam as vendas do setor formal e informal todos os anos, mas há períodos que o número de eventos aumenta. Portanto, qual a melhor maneira de pagar as contas e ainda se divertir?
De acordo com a analista contábil Maiara Portugal, o primeiro passo é traçar um planejamento de acordo com a própria realidade financeira, o que evita excessos e, consequentemente, endividamentos.
“A recomendação é realizar um planejamento financeiro prévio, com definição de orçamento e projeção do fluxo de caixa, compatibilizando os gastos com a capacidade financeira. O acompanhamento das despesas evita comprometimento excessivo da renda e auxilia na manutenção da saúde financeira”, comenta ela em entrevista ao MASSA!
Outra questão a ser observada é que 2026 também é um ano com mais feriados em dias úteis, o que amplia as possibilidades de atividades e compras que envolvam despesas extras.
“Anos com maior número de feriados tendem a estimular despesas discricionárias, como lazer, viagens, hospedagem e alimentação fora do lar, enquanto anos com menos feriados podem reduzir esse impacto sobre o orçamento familiar. Sob a ótica financeira, isso reforça a importância do planejamento orçamentário ao longo do ano, de modo a evitar que despesas sazonais comprometam a capacidade de pagamento das obrigações recorrentes e a formação de reservas financeiras”, explica.
A profissional ainda ressalta que os consumidores precisam estar atentos o ano inteiro: “Os períodos que exigem mais atenção são aqueles com maior estímulo ao consumo, como Carnaval, São João, Black Friday, Natal e Réveillon. Além disso, o início do ano concentra despesas obrigatórias, como IPTU, IPVA e material escolar. Nesses momentos, o planejamento financeiro é essencial para evitar endividamento”.
Leia Também:
Propagandas e promoções alavancam as compras
A cultura de presentear e comparecer a eventos tradicionais é muito no Brasil, mesmo durante épocas em que o dinheiro é curto e os gastos aumentam. Uma pesquisa realizada pela Neogrid em parceria com a Opinion Box, batizada de “Consumo em Tempos de Inflação e Repriorização”, publicada no ano passado, apontou que 51% dos entrevistados afirmaram ter mantido o hábito de comprar presentes ou produtos típicos em datas comemorativas, embora com menos gastos, e outros 24% disseram não ter alterado a rotina de consumo.
É justamente nesses períodos que o mercado de marketing tem o hábito de investir pesado em campanhas que auxiliam as empresas e microempreendedores a faturarem mais, conforme explica Davi Gomes, publicitário e social media baiano.
“As marcas utilizam o apelo emocional das datas comemorativas para fortalecer a conexão com o público e impulsionar as vendas. Nesse período, são desenvolvidas campanhas e produtos personalizados que despertam atenção, criam identificação, geram valor para o consumidor e, consequentemente, se convertem em vendas”, declara ele em entrevista ao MASSA!
Os atrativos para fisgar mais clientes são muitos e o cenário fica cada vez mais competitivo: “Estratégias de curto prazo, como brindes e descontos, são boas alternativas para fidelizar clientes durante períodos festivos. Mas na real, o que realmente faz a diferença para conquistar essa fidelização de forma efetiva é a maneira como a marca deseja ser percebida pelo público, independentemente da época do ano, mantendo um branding e um posicionamento consistentes”.
Todo esse marketing é super válido, mas a população deve estar atenta para não cair em uma armadilha para o consumo desenfreado.
“Uma boa estratégia é pensar se a compra é realmente necessária ou apenas um desejo do momento. Fazer um planejamento dos gastos e evitar compras por impulso ajuda a manter as finanças em dia”, alerta Maiara Portugal.
Os baianos se desdobram para dar conta de tudo.
Francielle Santos, de 24 anos, é moradora do bairro Tancredo Neves, em Salvador, e opta por planejar os gastos que terá nos períodos festivos com antecedência.
“Tive uma preparação anterior, eu diminuí os gastos em abril para tentar conseguir sobreviver a junho [risos]. O presente do Dia dos Namorados eu já tinha programado desde o mês passado. Agora vem a Copa e o São João, aí a gente vai empurrando com a barriga e coloca no cartão de crédito”, revela.
Já Augusto César, de 44 anos, morador da Valéria, prioriza aquilo que gosta mais, que é o São João. Ele também não abre mão do tradicional presente para a companheira, Tainara Silva, e prefere pagar todas as contas antes de tomar decisões de gastos extras.
“É economia de um lado e de outro. Você paga a conta primeiro, depois você sai administrando o restante. Primeiro você paga as contas e o que sobrar você vai administrando. A Copa não estou muito ligado a isso mais não, mas o São Joãozinho dá para fazer um milhozinho pelo menos, um bolinho diferente, mas você tem que fazer economia antes por uns dois meses e já está preparado para isso, dá para amenizar”, indica.