ECONOMIA
El Niño e mais: como fenômenos climáticos podem impactar nas safras
Na Bahia, é esperado um prejuízo de mais de R$ 13 bilhões neste ano


Os imapctos do Super El Niño já estão sendo sentidos na economia baiana. De acordo com o alerta emitido pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), em julho, os prejuízos podem ser superiores a R$ 13 bilhões.
Segundo a entidade, o fenômeno climático pode comprometer a produção agropecuária, reduzir a oferta de alimentos, pressionar a inflação e elevar o preço da cesta básica, caso medidas preventivas não sejam adotadas. Além dos impactos econômicos, a Faeb também aponta consequências sociais, como o aumento da migração e do êxodo rural.
No entanto, não é só o El Niño que tem impacto direto com as safra e economia baiana. Outros fenômenos naturais também costumam causar danos no estado.
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Entenda como fenômenos podem impactar na safra baiana
El Niño
Com o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, acontece secas em certas áreas e chuvas fortes em outras. Ao portal A TARDE, Denilson Lima, economista da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), informou que a influência no solo pode acabar impactando na produção e, consequentemente, no preço dos alimentos.
La Niña
Neste caso, existe o esfriamento anormal das águas do Pacífico, ou seja, o oposto do El Niño, o que impacta diretamente a safra, ao alterar o regime de chuvas e as temperaturas no Brasil.
No Nordeste costuma haver excesso de chuvas ou umidade irregular, o que afeta o calendário de plantio e a produtividade das lavouras.
Ciclones
Este fenômeno é caracterizado por ventos muito fortes que giram em grandes áreas, e atingem de forma direta o Sul e o Sudeste. No entanto, há um impacto na safra da Bahia de maneira indireta, alterando o regime de chuvas, a umidade e a temperatura no estado.
Enquanto o Sul lida com excesso de água e ventos fortes, o comportamento desses sistemas costuma ditar o sucesso ou o estresse nas lavouras baianas.
Ondas de calor
Quando ocorre o aumento muito grande e rápido da temperatura, fator que também é percebido durante o El Niño, há um impacto direto na safra da Bahia ao causar estresse térmico e hídrico severo nas plantas.
Também ocorre o aceleramento do ciclo de cultivo de forma desordenada e redução drástica da umidade do solo. O fenômeno empurra as temperaturas acima do limiar crítico de 30 °C, comprometendo diretamente a produtividade das principais commodities do estado.
Inversão térmica
Neste caso, o ar frio fica preso embaixo do ar quente, o que segura a poluição perto do chão nas cidades, principalmente durante o inverno. Desta forma, o principal impacto na Bahia ocorre na pulverização de defensivos agrícolas, provocando o fenômeno da deriva.
Com a tampa invisível de ar quente sobre o ar frio do solo, há graves consequências financeiras e produtivas nas principais regiões agrícolas do estado, como o Oeste baiano (soja, algodão e milho) e o Vale do São Francisco (fruticultura).
Chuvas extrema
Essencial para as plantas, a chuva pode ser prejudicial se ocorrer de forma exagerada ao provocar o alagamento de raízes, atrasar o calendário de plantio e colheita, aumentar a incidência de doenças fúngicas e causar a perda de nutrientes por lixiviação.
Os impactos negativos revertem os ganhos de produtividade e geram prejuízos financeiros severos tanto no Oeste baiano quanto na agricultura familiar do semiárido e Recôncavo.
Geadas
Apesar de raras na maior parte da Bahia, as geadas tendem a acontecer em zonas de maior altitude, como a Chapada Diamantina e o Planalto de Vitória da Conquista. O fenômeno provoca queima de tecidos, congelando a água interna das plantas, rompendo as paredes celulares e até queimando folhas, ramos e flores.
O principal impactado é o café, devido à queima dos botões florais, comprometendo a colheita atual e potencial produtivo das safras dos anos seguintes. Além, disso, batata, tomate e folhosas cultivadas na Chapada podem sofrer perda total em poucas horas de exposição.
Chuvas de granizo
O granizo também costuma ocorrer de forma isolada e está associado a frentes frias e tempestades severas, atingindo principalmente o Oeste da Bahia, onde se concentra o maior polo de grãos, e o Sudoeste.
Desta forma, há destruição mecânica onde pode haver rasgo de folhas, quebra de galhos e derrubada de frutos. O maior prejuízo é na soja, milho e algodão.
Além disso, as feridas abertas nas plantas pelo impacto do granizo facilitam a infecção por fungos e bactérias, exigindo gastos emergenciais com defensivos agrícolas.


