Busca interna do iBahia
HOME > ECONOMIA

IMPACTOS

El Niño e guerras ameaçam o preço da comida no Brasil

Especialistas explicam que o aumento na produção e dos insumos causarão insegurança alimentar

Carla Melo
Por
Alimentos devem aumentar até o final do ano
Alimentos devem aumentar até o final do ano - Foto: © Rafa Neddermeyer | Agência Brasil

O retorno da guerra no Oriente Médio, a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia e a chegada do El Niño acendem alerta em todo o mundo, sobretudo para os setores produtivos dependentes de matérias primas como o petróleo e alimentos.

Especialistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertam que o aumento dos custos e a redução na produtividade das safras sejam os principais impactos na cadeia produtiva mundial.

Tudo sobre Economia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, disse em entrevista à Reuters que o aumento dos preços de alimentos sejam impactados ainda mais pelo cenário marcado por preços mais altos do petróleo, a falta de fertilizantes da região do Golfo Pérsico, a escassez de diesel em algumas partes do mundo e os fenômenos climáticos extremos.

“O petróleo Brent, porque é usado para bombeamento, embalagem, processamento e transporte. E o gás natural, porque é usado na produção de fertilizantes”, disse o especialista.

Efeito cascata

Para Leandro Gilio, economista do Insper Agro Global, as guerras impactam principalmente insumos agropecuários, e isso gera um efeito cascata, encarecendo as logísticas globais, seguros e fretes. Esse aumento no custo tende a ser repassado à produção e consequentemente ao consumidor.

“Tudo isso em conjunto acaba gerando um impacto bastante significativo nos preços globais de alimentos. Se a medida é duradoura ou temporária, isso tem ainda mais imprevisibilidade de até onde essas guerras vão acontecer e como essas rupturas nas cadeias globais vão elevar o preço”, explicou o especialista em agronegócio.

Leia Também:

A TARDE AGRO

Praga que devora animais vivos pode abrir porteiras para o Brasil
Praga que devora animais vivos pode abrir porteiras para o Brasil imagem

A TARDE AGRO

Como o uso da inteligência artificial está desbancando o agro baiano?
Como o uso da inteligência artificial está desbancando o agro baiano? imagem

A TARDE AGRO

Guerra do Oriente Médio ameaça demanda de fertilizantes no Brasil
Guerra do Oriente Médio ameaça demanda de fertilizantes no Brasil imagem

Os preços dos alimentos estão sendo mantidos relativamente moderados neste início de ano, chegando até a amenizar, em alguns lugares, o aumento causado pelos altos custos da energia. Entretanto, esse cenário deve mudar até o final do ano, com aumento de preços de commodities como milho, trigo e arroz.

Como os preços das commodities são globais, isso causa instabilidade em todo o mundo, mesmo que os países mais ricos tenham mais recursos financeiros para amortecer o impacto sobre os produtores.

"Isso está sendo sentido na Europa, nos EUA, no Brasil e na Ásia", disse Torero. "As margens apertadas estão pressionando as decisões sobre o plantio.", continuou ele.

El Niño terá efeito maior no Brasil

A chegada do El Niño no mundo está aumentando a preocupação para o agronegócio. Enquanto as estimativas para o efeito climático são marcadas por alterações significativas nos padrões de chuva, é esperado que esse aumento também reflita nos preços das commodities e leve dezenas de milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda.

Para o meteorologista Giuliano Carlos Nascimento, uma das regiões do estado da Bahia que serão mais afetadas pela mudança climática é a região Oeste, popularmente conhecida como Matopiba.

O território que se destaca, principalmente pela produção de soja e milho, deve ser atingido por um bloqueio atmosférico que pode vir acompanhado de calor intenso e também incêndios.

“Regiões como o Oeste, Centro e Centro-Oeste devem ser impactadas com essas ondas de calor e prejudicar cultivos e safras”, disse o especialista em entrevista ao A TARDE Cast.

Gilio explica ainda que a chegada do El Niño terá riscos ainda maiores diante dos custos de insumos, como fertilizantes, e cujo o Brasil depende 85% de importação da substância para a produção agropecuária.

“As margens de produtos agropecuários são bastante apertadas e os insumos cresceram muito em preços, isso acaba prejudicando o produtor. Mais ou menos 40% dos custos da soja, do milho e outros produtos vem justamente do fertilizante, e a gente está vivendo uma crise com relação à oferta desse produto no mercado interno”, disse o especialista.

Leia Também:

A TARDE AGRO

Praga que devora animais vivos pode abrir porteiras para o Brasil
Praga que devora animais vivos pode abrir porteiras para o Brasil imagem

A TARDE AGRO

Como o uso da inteligência artificial está desbancando o agro baiano?
Como o uso da inteligência artificial está desbancando o agro baiano? imagem

A TARDE AGRO

Guerra do Oriente Médio ameaça demanda de fertilizantes no Brasil
Guerra do Oriente Médio ameaça demanda de fertilizantes no Brasil imagem

Ele explica que os preços dos insumos estão em alta e o preço dos produtos no mercado internacional estão em baixa, diante das altas produções na safra anterior. Entretanto, o economista explica que os riscos às produções dependem dos efeitos do El Niño no Brasil, uma vez que o fenômeno climático tende a ter efeitos diversos nas regiões do país.

“Com relação à produção, sim, existe algum tipo de risco, mas pode acontecer de, eventualmente, se reduzir áreas de produção em algumas regiões prejudicadas com secas e compensá-las por uma alta de produção no sul do país, onde o regime hídrico ele se eleva”, continua ele.

Alta na insegurança alimentar

Os especialistas explicam que como a tendência de alta nos preços dos alimentos é com o aumento de custo nas produções, esse cenário pode favorecer a insegurança alimentar tanto no Brasil, quanto em todo o mundo.

“Nos últimos 20 anos, em geral a gente vinha avaliando redução da insegurança alimentar, redução do número de pessoas em situação de desnutrição e em situação de fome no mundo, mas quando vimos aumento de guerras e pandemias, esse cenário retrocedeu um pouco nesse sentido globalmente”, explica ele.

Para o Brasil, esse cenário pode ser amenizado devido à liderança do Brasil na alta capacidade de produção de alimentos à um baixo custo. Entretanto, o especialista alerta que as altas da produção podem ser repassadas ao consumidor.

“A gente consegue produzir muito a um baixo custo e isso nos traz uma certa segurança em relação a outros países do mundo, onde temos uma competitividade maior em relação ao que a gente produz com nosso preço interno. O principal fator relacionado à insegurança alimentar é justamente o preço e o acesso a alimentos. Não é falta de alimentos, mas é o que o consumidor consegue comprar em última instância”, finalizou ele.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Bahia brasil economia Guerra

Relacionadas

Mais lidas