BRASIL
Elefante-marinho-do-sul é encontrado ferido em praia do Nordeste
Espécie não ocorre naturalmente no litoral sergipano e é considerada visitante ocasional

Por Luan Julião

Um elefante-marinho-do-sul, macho e juvenil, foi encontrado em condições extremamente frágeis na Praia da Aruana, em Aracaju, na terça-feira, 20. A ocorrência foi confirmada pela Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), que tornou o caso público na sexta-feira, 23.
Segundo a instituição, o animal apresentava apatia intensa e magreza acentuada, o que motivou o resgate imediato. Após ser retirado da praia, ele foi levado ao Centro de Reabilitação e Despetrolização, onde passou a receber acompanhamento veterinário especializado.
No centro, foram realizados exames clínicos e laboratoriais para avaliação do quadro de saúde. O elefante-marinho, que pesava 44,7 quilos, foi identificado como juvenil e acompanhado por profissionais da FMA em parceria com o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-SEAL). Uma equipe multidisciplinar atuou na tentativa de estabilização do animal.
Apesar dos esforços, o elefante-marinho não resistiu. A morte pode estar relacionada a um quadro de inanição e caquexia, condição marcada por extrema perda de peso e ausência de massa muscular. Durante os exames, também foi constatada a ausência de alimento no estômago, indicando que o animal provavelmente permaneceu um longo período sem se alimentar.
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A coordenadora do PMP-SEAL, Elaine Knupp de Brito, explicou que o litoral de Sergipe não faz parte da área habitual da espécie, cuja presença regular ocorre no Sul do Brasil. De acordo com ela, fatores ambientais podem ter influenciado o deslocamento do animal até a região.
O elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) é o maior representante entre os pinípedes. Possui corpo robusto, cabeça grande e nadadeiras anteriores pequenas. Machos adultos podem chegar a cinco metros de comprimento e pesar até quatro toneladas, enquanto os filhotes nascem com cerca de 40 quilos e 1,30 metro.
A espécie tem ocorrência regular na Patagônia argentina e, no Brasil, é considerada visitante ocasional, sem registros de reprodução. Avistamentos esporádicos já foram feitos em estados como Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Alerta aos banhistas
A FMA reforça que pinípedes podem permanecer em praias e áreas rochosas durante períodos naturais de descanso. Ao avistar um animal desse tipo, a orientação é:
- manter distância mínima de 10 metros;
- afastar animais domésticos;
- não alimentar nem tentar conduzir o animal ao mar;
- acionar a Fundação Mamíferos Aquáticos pelos telefones 0800 079 3434 ou (79) 99130-0016.
- A entidade lembra que interferir ou importunar animais marinhos configura crime ambiental.
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