CERCO FATAL
Fêmeas de tartaruga preferem saltar de penhascos ao acasalamento forçado
Estudo revela que agressão sexual dizima população feminina na ilha de Golem Grad

Um cenário de desequilíbrio biológico sem precedentes está transformando a ilha de Golem Grad, na Macedônia do Norte, em uma armadilha mortal para as tartarugas-do-mediterrâneo (Testudo hermanni). Cientistas constataram que, para evitar o assédio violento dos machos, as fêmeas estão saltando de penhascos, muitas vezes encontrando a morte nas rochas abaixo.
A pesquisa, publicada na prestigiada revista Ecology Letters, revela uma realidade brutal: em certas áreas da ilha, a proporção chega a 19 machos para cada fêmea.
Esse abismo demográfico gera uma perseguição frenética que inviabiliza a sobrevivência da espécie a longo prazo.
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"Soterradas por machos"
O ecologista Dragan Arsovski, da Sociedade Ecológica da Macedônia, iniciou a investigação após notar que a população da ilha — que à primeira vista parecia saudável — apresentava uma taxa de mortalidade feminina anormalmente alta em idades precoces.
De acordo com Arsovski, o comportamento reprodutivo dos machos é marcado pela violência.
"Ela literalmente fica soterrada por machos", afirmou o pesquisador ao The New York Times.
Os registros indicam que os machos batem, montam e mordem as fêmeas até causar sangramento e lesões genitais graves, utilizando inclusive a ponta afiada da cauda para cutucá-las durante a fuga.
Caminho para extinção
O estudo baseou-se em 16 anos de análise de dados. A conclusão é alarmante: enquanto as fêmeas da ilha tentam sobreviver a ferimentos e quedas, as taxas de reprodução despencam em comparação com as populações vizinhas no continente.
Embora machos também caiam dos penhascos ocasionalmente, a frequência de mortes femininas por queda é significativamente superior.
Se o ritmo atual de agressão e mortalidade persistir, os modelos matemáticos dos pesquisadores são precisos e sombrios: a última fêmea de Golem Grad deve morrer no ano de 2083.
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