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Fim da renovação automática da CNH? Médicos querem barrar mudança

Proposta que elimina etapas da renovação para bons condutores vira alvo de críticas

Iarla Queiroz
Por
Carteira Nacional de Motorista
Carteira Nacional de Motorista - Foto: Divulgação / Detran AL

A promessa de facilitar a vida de quem dirige sem cometer infrações ao longo do ano virou motivo de disputa. A proposta do governo federal de permitir a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para os chamados “bons condutores” não caiu bem entre especialistas da área da saúde.

Anunciada em janeiro, a medida prevê que motoristas que não tenham registrado infrações nos últimos 12 meses possam renovar o documento sem passar pelos trâmites tradicionais — o que inclui menos burocracia e redução de custos. Mas, na prática, a ideia está longe de ser consenso.

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O que está em jogo

A mudança foi formalizada por meio da Medida Provisória nº 1.327/2025, conhecida como “MP do Bom Condutor”. O texto tem validade até maio, quando será analisado pelo Congresso Nacional e pode ou não se tornar uma regra definitiva.

Enquanto o governo aposta na simplificação do processo, o debate ganha força em outra frente: a segurança no trânsito.

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Críticas ganham força entre médicos

Mais de 35 entidades médicas se posicionaram contra a proposta. À frente do movimento está a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), que vê na medida um risco direto à avaliação das condições de saúde dos motoristas.

O principal ponto de contestação é a retirada do Exame de Aptidão Física e Mental (EAFM), atualmente exigido na renovação da CNH. Segundo as entidades, a capacidade de dirigir não é permanente e pode ser afetada por fatores como doenças, alterações clínicas ou até o uso de determinados medicamentos.

Riscos invisíveis nas estatísticas

De acordo com o manifesto divulgado pelas entidades, esses problemas de saúde não geram multas nem pontos na carteira — o que significa que podem passar despercebidos pelo sistema atual baseado em infrações.

Ainda assim, essas condições podem impactar diretamente habilidades essenciais para dirigir, como visão, cognição e reflexos, aumentando o risco de acidentes.

Para os médicos, o EAFM funciona como um filtro preventivo essencial. No documento, eles defendem que eliminar essa etapa representa abrir mão de um mecanismo importante de proteção à vida no trânsito.

Debate chega ao Congresso

A mobilização das entidades foi tornada pública na última terça-feira (7), justamente no dia em que foi instalada, na Câmara dos Deputados, a comissão responsável por analisar a medida provisória.

Agora, o futuro da renovação automática da CNH depende do andamento dessa discussão — que coloca, de um lado, a desburocratização e, de outro, o alerta para possíveis impactos na segurança viária.

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