DEBATE
Flávio Bolsonaro vai a Washington discursar contra tarifa dos EUA
Senador se inscreve em audiência sobre sobretaxa de 25%


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, se inscreveu para participar presencialmente da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington.
O evento, marcado para o próximo dia 6 de julho, vai debater a proposta do governo americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
De acordo com o documento protocolado no órgão, o parlamentar vai fazer uma exposição em inglês durante os cinco minutos regulamentares concedidos aos participantes.
No pedido enviado ao USTR, Flávio afirma que vai defender a suspensão da sobretaxa e a abertura de um mecanismo bilateral de negociação entre os dois países.
Novo tarifaço
A proposta do novo "tarifaço" foi anunciada no início do mês, uma semana após o senador visitar o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca.
O episódio gerou forte repercussão política no Brasil. Aliados e integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, atribuíram o anúncio à atuação de Flávio e do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
No ano passado, Eduardo confirmou ter articulado sanções americanas em reação ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio Bolsonaro nega qualquer relação com a medida e afirma ter tratado com Trump apenas sobre o combate ao crime organizado.
"Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas", escreveu o senador em suas redes sociais nesta terça-feira (23), acusando o presidente Lula de omissão por suposto cálculo eleitoral.
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No resumo do depoimento enviado às autoridades americanas, Flávio sustenta que a sobretaxa não eliminará as práticas questionadas pelos EUA e produzirá o efeito contrário, beneficiando politicamente o atual governo brasileiro e prejudicando exportadores locais, além de importadores e consumidores americanos.
O senador pretende abordar os seis temas investigados pelo USTR: comércio digital (incluindo o Pix), tarifas, leis anticorrupção, propriedade intelectual, mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Reação do governo
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que não enviará representantes para a audiência em Washington por entender que o fórum é destinado à manifestação de entes privados, e não de governos.
A estratégia do Itamaraty é concentrar a atuação nos canais diplomáticos tradicionais, por meio de documentos formais e reuniões diretas com autoridades americanas.
A definição sobre a tarifa de 25% vai ocorrer em 15 de julho, data final das negociações entre Washington e Brasília. A partir deste prazo, a sobretaxa poderá ser implementada pelos EUA, embora não haja obrigação de adoção imediata.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, o clima é de pessimismo quanto ao recuo americano, mas o governo manterá o diálogo aberto para evitar críticas da oposição de que teria desistido de buscar um acordo comercial.


