INUSITADO
Galinha se torna melhor amiga de jovem autista após indicação médica
Ave passou a integrar a rotina de um adolescente com TEA


Uma galinha de porte pequeno se tornou a principal aliada de um adolescente de 14 anos no enfrentamento da ansiedade e dos desafios do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Morador de Campinas (SP), Nicolas Silva encontrou em Pops, uma galinha garnisé, um apoio emocional que transformou sua rotina, fortaleceu sua autonomia e até passou a acompanhá-lo em algumas sessões de terapia. A história chamou atenção nas redes sociais e emocionou milhares de pessoas.
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De acordo com o g1, a ave chegou à família durante a pandemia, após uma recomendação do psiquiatra que acompanha Nicolas. O objetivo era oferecer um animal de apoio emocional para ajudar no tratamento.
Antes dela, a família tentou hamsters e já convivia com cachorros, mas foi a pequena galinha que criou um vínculo único com o adolescente.
Uma amizade que nasceu durante o tratamento
Segundo a mãe de Nicolas, a motorista de aplicativo Priscila Silva, Pops rapidamente passou a fazer parte da rotina do filho e hoje exerce um papel importante nos momentos de ansiedade e estresse.
“Hoje é assim no nosso dia a dia: ele ficou nervoso com alguma coisa, na hora você vê que ele está lá com as galinhas. Já sei onde procurar. Às vezes, eu nem enxergo ele, mas aí você vai olhar e ele está lá”, contou ao g1.
Questionado sobre o que sente quando está ao lado da ave, Nicolas responde de forma simples. "Me acalma". Ao ser perguntado sobre o que mais gosta em Pops, ele resume: "O carinho dela".
Diagnóstico trouxe respostas para a família
Priscila conta que os primeiros sinais apareceram ainda na infância. Nicolas nasceu prematuro, aos sete meses, andava na ponta dos pés e apresentava atraso na fala. Depois de ser tratado inicialmente para ansiedade, o diagnóstico de autismo só veio aos oito anos, durante uma consulta com um neurologista.
Para a mãe, receber essa resposta representou um novo começo. "Pra mim foi uma luz. Foi simplesmente assim: agora eu sei o que ele tem, eu sei o que fazer, o que eu preciso fazer", relembra.
Hoje, Nicolas segue em acompanhamento psicológico, faz uso de medicação e já recebeu alta da fonoaudiologia e da terapia ocupacional.
Pops acompanha Nicolas até nas terapias
Com o passar do tempo, a família percebeu que Pops era muito mais do que um animal de estimação.
Além de permanecer frequentemente no colo ou no ombro de Nicolas, a galinha também participa de algumas sessões de terapia e acompanha o adolescente em diferentes momentos do dia.
“Ele já entrou em posto de gasolina para pagar com a galinha no colo. Se eu deixasse, ele levaria em todo quanto é lugar”, relata a mãe.
Segundo Priscila, Pops apresenta um comportamento diferente das outras aves que passaram pela casa, demonstrando apego quase exclusivo ao adolescente. “Ela é bonitinha, boazinha, não é barulhenta. Eu falo que essa foi feita para ele”, afirma.
Superação dentro e fora da escola
A trajetória de Nicolas também foi marcada por episódios de preconceito.
Segundo a mãe, ele sofreu agressões físicas em uma escola e chegou a ouvir de outra instituição que o local "já tinha muitos alunos deficientes" e não teria vaga para mais um estudante. Hoje, o cenário é diferente. A escola onde Nicolas estuda possui criação de galinhas, que ele costuma visitar durante os intervalos.
O adolescente também é bolsista em um curso técnico de Tecnologia da Informação e já participou de aulas de robótica.
Além de contribuir para reduzir a ansiedade, o contato diário com os animais ajudou Nicolas a desenvolver mais autonomia. Ele próprio construiu uma casinha de madeira para as galinhas no quintal da residência.


