Busca interna do iBahia
HOME > BRASIL
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

CRISE

O drama dos pacientes com desabastecimento global do Mounjaro

Fabricada pela Eli Lilly, produção mundial da medicação não tem conseguido acompanhar demanda

Rodrigo Tardio

Por Rodrigo Tardio

27/01/2026 - 18:57 h

Siga o A TARDE no Google

Google icon
Interrupção brusca do tratamento pode causar "efeito rebote", onde paciente sente aumento súbito do apetite
Interrupção brusca do tratamento pode causar "efeito rebote", onde paciente sente aumento súbito do apetite -

A falta do Mounjaro (tirzepatida) nas farmácias tornou-se um dos tópicos mais discutidos — e frustrantes — para pacientes que tratam diabetes tipo 2 e obesidade. A medicação, fabricada pela farmacêutica Eli Lilly, é um agonista duplo, que age nos receptores GLP-1 e GIP, o que o torna mais potente que o Ozempic.

O produto tornou-se o "padrão ouro" devido à eficácia superior, porém a procura foi tão grande que a produção global não conseguiu acompanhar o ritmo.

Tudo sobre Brasil em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

Sumiço do Mounjaro

De acordo com a Dra. Flávia Coimbra, endocrinologista e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o desabastecimento não é um problema exclusivo do Brasil, mas um fenômeno global.

"O desabastecimento já tem acontecido há algum tempo. É algo periódico, falta em um determinado momento e o mercado reabastece. Nesses últimos meses, observamos que algumas doses como a de 2,5 mg, porém as doses de 5; 7,5 e 10 mg não observamos essa falta", disse.

A procura tem sido explosiva, tanto para o tratamento de diabetes quanto para o uso off-label (emagrecimento).

Impacto

A interrupção brusca do tratamento pode causar o "efeito rebote", onde o paciente sente um aumento súbito do apetite e, no caso de diabéticos, uma descompensação nos níveis de glicose.

"As pessoas que têm diabetes, o grande problema é da interrupção abrupta é que pode haver um descontrole da glicose. A glicose vem controlada pelo uso do medicamento, e se suspende imediatamente, o paciente pode ter uma hiperglicemia, o que pode trazer uma descompensação do diabetes. Já as pessoas que têm obesidade, a interrupção momentânea não tem tanto problema, como dois ou três dias, porém a falta do medicamento acima de duas semanas, caso o paciente já esteja em uma dose maior, vai ter que voltar para dose menor e acostumar com o remédio", afirmou a Dra. Flávia Coimbra.

Canetas paraguaias

O alto custo dos medicamentos para o tratamento do diabetes e da obesidade no Brasil, bem como a falta do Mounjaro, têm provocado uma migração de consumidores para o mercado paraguaio. E é aí que mora o perigo.

Diante de preços que podem superar o salário mínimo nacional, brasileiros utilizam plataformas como Facebook, TikTok e grupos de WhatsApp para compartilhar estratégias de acesso a versões dos fármacos comercializadas no país vizinho, como o Lipoless (do laboratório Éticos) e o T.G. (da Indufar).

A disparidade de preços é o principal motor do fenômeno. No mercado brasileiro, o preço de tabela do medicamento Mounjaro, na dosagem de 2,5 mg, é de R$ 1.562,66, de acordo com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Em contrapartida, em farmácias paraguaias, doses equivalentes do T.G. são encontradas por cerca de R$ 294, enquanto a versão de 15 mg do Lipoless custa a partir de R$ 770.

Comércio digital

Para além do turismo de saúde na fronteira, as redes sociais tornaram-se um balcão de negócios informal. Nos comentários de publicações que funcionam como tutoriais, vendedores oferecem o produto diretamente para quem não pode viajar. Nesses casos, os valores flutuam entre R$ 500 e R$ 1.500, dependendo da dosagem e da logística de entrega.

Embora as versões paraguaias sejam produzidas por laboratórios locais, o monitoramento das autoridades sanitárias brasileiras sobre a eficácia e o transporte adequado desses itens, que muitas vezes exigem refrigeração, permanece como um ponto de alerta para especialistas do setor.

A ansiedade de não encontrar a próxima dose tem levado muitos a percorrerem dezenas de farmácias ou buscarem alternativas arriscadas.

"O medicamento falso que costuma prometer substituir o Mounjaro, além de arriscado, tem vindo de fora do país transportado de forma incorreta, como em pneus de caminhão por exemplo, sem o adequado condicionamento e refrigeração", disse a especialista.

Escalonamento

O tratamento é desenhado como uma escada, subindo degrau por degrau para que o corpo não "se assuste" com o medicamento. A dose Inicial é de 2,5 mg uma vez por semana, geralmente mantida por 4 semanas.

Esta dose não foca na perda de peso imediata ou no controle glicêmico total, já que ela serve para ajustar o sistema digestivo à medicação e minimizar efeitos colaterais, como náuseas por exemplo.

O que acontece depois?

Após as primeiras 4 semanas, se a tolerância for boa, o médico geralmente prescreve o aumento para 5 mg. Os incrementos continuam de 2,5 mg em 2,5 mg, se necessário, até atingir a dose de manutenção ideal para cada paciente, podendo chegar ao máximo de 15 mg.

A aplicação é feita via subcutânea (barriga, coxa ou parte superior do braço), sempre no mesmo dia da semana. Beber muita água ajuda a reduzir possíveis desconfortos gástricos iniciais.

Especialistas alertam para que nunca altere a dose ou pule etapas sem o aval do endocrinologista, pois o risco de efeitos colaterais intensos aumenta muito, caso o escalonamento for ignorado.

Caso o paciente fique muito tempo sem a droga e tente voltar direto na dose alta, os efeitos colaterais (náuseas e vômitos) podem ser muito mais severos.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

desabastecimento Diabetes Tipo 2 medicamento Mounjaro Obesidade tirzepatida

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Interrupção brusca do tratamento pode causar "efeito rebote", onde paciente sente aumento súbito do apetite
Play

Vídeo: blogueira é sufocada por namorado até desmaiar em elevador

Interrupção brusca do tratamento pode causar "efeito rebote", onde paciente sente aumento súbito do apetite
Play

Idosa é atropelada por motorista nu e bêbado; veja vídeo

Interrupção brusca do tratamento pode causar "efeito rebote", onde paciente sente aumento súbito do apetite
Play

“Assassinos” e “Jesus”: terreiro Bantu é alvo de ataque em Salvador

Interrupção brusca do tratamento pode causar "efeito rebote", onde paciente sente aumento súbito do apetite
Play

Bolsonaro na Papudinha: conheça luxuosa cela do ex-presidente

x