NOVA TECNOLOGIA
Radar que monitora todo o trajeto do motorista chega ao Brasil
Tecnologia já está sendo testada em rodovias brasileiras
Uma nova tecnologia de fiscalização começou a chamar a atenção de motoristas em diferentes regiões do país. Diferente dos radares convencionais, que registram a velocidade em um único ponto da via, o novo sistema acompanha o veículo ao longo de todo um trecho da rodovia e calcula sua velocidade média durante o percurso.
A novidade já está sendo testada em estradas brasileiras e surge como uma tentativa de combater uma prática comum entre condutores: reduzir a velocidade apenas ao passar pelos radares e acelerar novamente logo depois.
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O sistema ganhou destaque após registros feitos na BR-101, considerada a rodovia com maior número de sinistros do Brasil, segundo o Anuário Estatístico 2025 da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A expectativa é que a tecnologia contribua para tornar o trânsito mais seguro e reduzir comportamentos de risco nas estradas.
Embora ainda não possa gerar multas, a ferramenta já desperta interesse de concessionárias, especialistas em mobilidade e empresas de transporte, que acompanham de perto a evolução da tecnologia e as discussões sobre sua regulamentação.
Como funciona o radar que monitora todo o trajeto
O funcionamento é diferente dos equipamentos tradicionais encontrados nas rodovias brasileiras.
Em vez de medir a velocidade em apenas um local, o sistema utiliza câmeras instaladas em dois ou mais pontos de uma mesma estrada. Cada vez que o veículo passa por uma dessas câmeras, sua placa é identificada e registrada pelo sistema.
Com base na distância conhecida entre os pontos de monitoramento e no tempo gasto para percorrê-los, o software calcula automaticamente a velocidade média desenvolvida pelo motorista durante todo o trecho analisado.
Na prática, isso significa que a condução do veículo deixa de ser avaliada em um único instante e passa a ser observada ao longo de todo o percurso.
Testes já acontecem em diferentes estados
A BR-101, principal laboratório da tecnologia no país, possui um dos casos mais conhecidos até agora.
No município de Sooretama, no Espírito Santo, onde existe um limite de 60 km/h devido à proximidade de uma área de preservação ambiental, um dos primeiros registros apontou um veículo circulando com velocidade média de 124 km/h no trecho monitorado.
A tecnologia, entretanto, não está restrita à rodovia capixaba. Empresas especializadas em fiscalização eletrônica já realizam testes e projetos-piloto em estradas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Por que o sistema ainda não gera multas
Apesar de já estar em operação em alguns trechos, os equipamentos possuem atualmente apenas caráter educativo e de monitoramento.
O principal motivo é jurídico. Hoje, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e as normas da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) exigem que a medição utilizada para autuação seja feita em um ponto específico da via.
Como o novo sistema calcula a velocidade média entre dois ou mais locais, ele ainda não possui respaldo legal para emitir multas.
Esse cenário poderá mudar caso seja aprovado o Projeto de Lei 2.789/2023, que tramita no Congresso Nacional e propõe justamente autorizar a utilização da velocidade média para fiscalização e autuação de condutores.
Tecnologia pode ajudar a reduzir acidentes
Além do combate ao excesso de velocidade, especialistas apontam benefícios relacionados à segurança viária.
Um dos principais argumentos é a redução das frenagens bruscas próximas aos radares convencionais, comportamento frequentemente adotado por motoristas que diminuem a velocidade apenas ao se aproximarem dos equipamentos de fiscalização.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, as colisões traseiras foram o tipo de sinistro mais registrado nas rodovias federais em 2025, totalizando 14.360 ocorrências.
Com o monitoramento contínuo do percurso, a tendência é que os condutores mantenham velocidades mais constantes durante a viagem, reduzindo situações que podem aumentar o risco de acidentes.
Impacto para caminhoneiros e transportadoras
A possível regulamentação também pode provocar mudanças importantes no setor de transporte rodoviário.
Atualmente, muitas empresas concentram o monitoramento dos motoristas principalmente nos locais onde existem radares fixos. Com a adoção da velocidade média, a condução regular ao longo de todo o trajeto tende a ganhar ainda mais importância.
A mudança é acompanhada com atenção por transportadoras, já que eventuais infrações podem resultar em suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de motoristas profissionais, gerando impactos operacionais e custos adicionais para as empresas.
O que pode mudar nos próximos anos
Enquanto o debate legislativo continua, concessionárias já começam a se preparar para uma possível ampliação da tecnologia.
Segundo a Pumatronix, existem projetos em fase de testes ou contratação com concessionárias como Tamoios, Motiva e Arteris, em rodovias de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Outro ponto que favorece a expansão do sistema é a possibilidade de utilização de câmeras e estruturas de monitoramento já instaladas em diversas rodovias, reduzindo os custos de implantação.
Por enquanto, a tecnologia segue sendo utilizada para monitoramento e conscientização dos motoristas. Mas, caso a legislação seja alterada, o Brasil poderá seguir o caminho adotado em diversos países europeus e transformar a velocidade média em um novo parâmetro para fiscalização eletrônica nas estradas.