SALVADOR
“Blocos afros precisam ter espaço no pré-Carnaval”, diz Deyvid Bacelar
Declaração aconteceu após adiamento do Festival Batuquerê para 2026
Por Redação
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Nem Osíris sabe como aconteceu... O Festival Batuquerê, um grande desfile com a participação de oito blocos afros de Salvador, previsto para acontecer nesta terça-feira, 25, no Circuito Barra/Ondina, teve de ser adiado para 2026.
Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) do governo Lula, o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, tentou viabilizar, junto ao setor privado, o projeto que foi elaborado pela empresa Pira e que deveria acontecer já neste pré-Carnaval de 2025, mas lamentou a ausência de sensibilidade em algumas instâncias da burocracia, que acabaram inviabilizando a realização do Festival este ano.
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“Sabemos o quanto é fundamental que os blocos afros tenham maior espaço e visibilidade no pré-Carnaval e no Carnaval de Salvador. Assim como diversos artistas e bandas estão tendo oportunidade de desfilar em eventos que antecipam a festa, como o Fuzuê e o Furdunço, é importante que seja viabilizada também a apresentação dos blocos afros na principal passarela do Carnaval da Bahia, que é o circuito Barra/Ondina”, defendeu Bacelar.
Ele lembrou que, em anos anteriores, o patrocínio de empresas públicas e privadas, como a Petrobras e a Ambev, através das leis de incentivo à cultura, foram fundamentais para garantir o “Carnaval Ouro Negro” – que tornou possível o desfile dos blocos afros na capital baiana durante vários anos. “Cada dia que passa a gente vê a comercialização das ruas, da fé, e o escanteamento cada vez maior dos blocos afros na cidade mais negra fora de África”, resumiu Bacelar.
Defesa do Projeto
Durante o evento que marcou o lançamento do projeto, realizado pela manhã na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, várias lideranças de blocos afros e afoxés se manifestaram em defesa do projeto. Para Lucila Laura, aluna percussionista da Banda Didá, esse projeto já deu certo, e vai garantir a presença afro no circuito de maior visibilidade, que é o Barra Ondina, e em horários que não sejam somente durante as madrugadas.
“A gente precisa pôr em prática essa cultura de ocupação dos espaços pelos blocos afros, pois movimentamos a economia o ano inteiro, não somente no Carnaval. Mais do que saber que o bloco afro é bonito e que carrega uma cultura e uma história, é a gente acreditar em projetos como este que colocam na prática a gente na rua”, afirmou Laura.
Cláudio Araújo, presidente do Malê Debalê e também da Liga dos Blocos Afros, destacou que “o projeto é a possibilidade de ressignificação de um momento que a gente esperou. “Temos de marcar território. Tropeços acontecem e não foi possível este ano, mas o Malê Debalê espera que 2026 seja promissor”, frisou Araújo.
“Esse nosso encontro aqui é uma forma de resistência”, disse Alberto Pitta, fundador do Cortejo Afro. “Botar um afoxé na rua é muito mais um compromisso que nós temos com a comunidade. Quando termina o Carnaval, nós voltamos para cuidar das nossas comunidades, todos os blocos afros sempre têm uma escola e um trabalho social. Nós não vamos para Nova Iorque, após receber os recursos, para comprar o lixo nova-iorquino. Se esse ano não aconteceu, vamos trabalhar para que aconteça em 2026”, apostou.
Documentário
O Festival Batuquerê, que agora deve acontecer no ano que vem, prevê a realização de um documentário, que vai contar a história dos cinquenta anos de ancestralidade dos blocos afros no Carnaval de Salvador. O idealizador do projeto e diretor da empresa Pira, Filipe Ratz, diz que a ideia é trazer uma narrativa completa desde a criação dos afoxés até os dias atuais. “A Bahia, que é o berço da cultura afro-brasileira, tem o compromisso de preservar esse patrimônio para as futuras gerações”, disse Ratz.
Ele lembrou que o Rio de Janeiro já reconheceu a relevância dos seus blocos afros, ao tombá-los como patrimônio cultural imaterial da cidade. “Isso demonstra o reconhecimento da importância dessas manifestações para a identidade e a cultura carioca, servindo de inspiração para outras cidades brasileiras. É fundamental que esse tombamento ocorra também em Salvador”, destacou.
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