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É DE GATO MESMO?

Como o mito do "espetinho de gato" afeta as vendas de ambulantes no Carnaval

Ambulantes faturam até R$ 2,5 mil por dia e transformam o mito do espetinho em estratégia de venda

Marina Branco

Por Marina Branco

15/02/2026 - 6:00 h

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Neuza de Sousa, de 56 anos, está há mais de 20 carnavais trabalhando na rua
Neuza de Sousa, de 56 anos, está há mais de 20 carnavais trabalhando na rua -

Todo folião que já saiu para o Carnaval de Salvador ouviu, pelo menos uma vez, o clássico conselho "cuidado com espetinho de gato".

A fama de que os espetinhos vendidos nos circuitos da festa seriam feitos de gato acompanha a cultura urbana brasileira há décadas, desde que surgiu como desconfiança de que a carne usada teria procedência duvidosa, preparo improvisado, ausência de fiscalização.

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Desde então, o ambulante que trabalha nas ruas da cidade virou, muitas vezes, alvo de piada - mas ao conversar com alguns deles, é fácil perceber que eles já sabem exatamente como lidar com as piadinhas, e mais que isso, reverter em renda.

Do mito ao lucro

No circuito Barra-Ondina, mais especificamente no Morro do Cristo, Rosângela Santos vende os churrasquinhos com os quais trabalha desde os 18 anos. Hoje, aos 35, vende em um ponto fixo durante o ano na Suburbana, ao lado do Atakarejo, e no circuito do Carnaval quando fevereiro chega.

Assim, já é mais que acostumada com o mito, e sabe como lidar com ele. "O povo chega aqui perguntando: tem espetinho de gato? Aí a gente fala que tem, brincando", conta.

"A fama não atrapalha, aí é que vende mais. A piada faz com que a galera chegue mais", explica.

No cardápio, no entanto, não tem gato, com a barraquinha de Rosângela vendendo espetinhos de carne com calabresa, frango puro, cupim, marmitinha, pirão de aipim e arrumadinho.

Rosângela Santos vende os churrasquinhos com os quais trabalha desde os 18 anos
Rosângela Santos vende os churrasquinhos com os quais trabalha desde os 18 anos | Foto: Marina Branco I Ag. A TARDE

Faturamento

Com cada espetinho custando entre R$ 15 e R$ 18 e o pirão e o arrumadinho custam R$ 25, o faturamento costuma ser estável, e aumenta ainda mais na época de Carnaval.

"Eu vou vender uns mil e quinhentos na noite, mil reais, depende do movimento", conta.

Durante o resto do ano, no ponto fixo, ela garante que também “dá pra ganhar um diário bom”. Mas na festa, o faturamento aumenta.

Quem também sente o impacto da folia é Neuza de Sousa, de 56 anos, que já está há mais de 20 carnavais trabalhando na rua.

No caso dela, o lucro pode chegar a R$ 2 mil ou R$ 2,5 mil por noite em uma barraquinha onde os preços variam, sendo R$ 15 no espeto tradicional e R$ 25 quando feito na chapa. No cardápio, frango, calabresa e carne.

Espetinho raiz x “premium”

Enquanto o ambulante vende por R$ 15 ou R$ 18, bares e estabelecimentos fixos em áreas nobres de Salvador oferecem versões "gourmetizadas" que podem ultrapassar R$ 35 ou R$ 40, com cortes especiais, molhos autorais e ambientação climatizada.

No entanto, economicamente, o ambulante mostra que o modelo funciona, e não perde pela criação dos "espetinhos premium". Vender R$ 1.500 em uma noite ou lucrar até R$ 2.500 durante o Carnaval revela que o espetinho das ruas continua sendo um dos produtos mais resilientes da economia informal soteropolitana.

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E, para ambulantes como Rosângela, não só isso - também é muito melhor. "Esse é mais gostoso (do que o gourmet), com certeza. É tão gostoso que o povo come e volta para comprar novamente. Todo dia chega aqui", conta.

Para ela, a diferença está só no tipo da carne, que agrada a diferentes gostos e, por isso, varia na decisão de "qual é melhor" de acordo com o consumidor.

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Carnaval Salvador comida de rua cultura popular brasileira economia informal Espetinho de gato Lucro ambulante

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