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Daniela Mercury e esposa tomam decisão sobre ordem dos trios

Cantora e empresária definiram o que vão fazer após a Justiça determinar prioridade ao Olodum na saída dos trios

Leilane Teixeira
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Imagem ilustrativa da imagem Daniela Mercury e esposa tomam decisão sobre ordem dos trios
Foto: Reprodução Redes Sociais

A empresária Malu Verçosa, esposa de Daniela Mercury, afirmou que não pretende recorrer novamente à decisão judicial que definiu a ordem dos blocos no Circuito Dodô, mas deixou claro que a disputa está longe de acabar. Segundo ela, a estratégia agora será retomar o diálogo institucional com o Conselho do Carnaval (Concar) e com a Empresa Salvador Turismo (Saltur).

“A gente não vai recorrer à decisão porque essa judicialização que fizemos agora foi no plantão judiciário. O que vamos fazer, a partir de agora, é tentar de novo o diálogo com o Concar e com a Saltur, porque eu venho tentando ao longo do tempo”, afirmou.

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Malu relatou que, antes mesmo do Carnaval começar, a equipe do bloco Crocodilo teria formalizado ofícios aos órgãos responsáveis solicitando esclarecimentos sobre os critérios adotados na definição da fila. Segundo ela, não houve resposta.

“Oficiamos o Concar e a Saltur antes do Carnaval começar e não obtivemos resposta. Quando saiu a publicação da ordem dos blocos, eu liguei pessoalmente e não fui atendida. A única solução que a gente tinha era entrar com uma ação na Justiça, o que eu acho lastimável, porque somos colegas e todo mundo sabe a história.”

“A antiguidade sempre foi o critério”

Ao defender a posição do bloco Crocodilo, comandado por Daniela Mercury, Malu argumentou que historicamente a antiguidade sempre foi o principal critério para definir a ordem de desfile.

“Sempre foi o critério para a ordem da fila a antiguidade. Sempre foi. Eu recebi uma compilação feita pela própria prefeitura, com dados do Diário Oficial mostrando os desfiles entre 1996 e 2026. São 22 anos de história registrados ali. Esses registros mostram exatamente o empurramento que teve com o bloco Crocodilo.”

Ela afirmou que o bloco já chegou a ocupar a 11ª posição na fila — e, considerando agremiações que deixaram de existir, poderia ter ido para o 15º lugar — enquanto outros blocos teriam sido inseridos sem critérios claros.

“Qual é o critério? Se não é a antiguidade, se não é a presença no circuito, qual é? A gente precisa definir quais são os critérios. Isso implica retorno financeiro, retorno de mídia. Não sejamos ingênuos. Há interesses.”

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Impacto nos horários e na visibilidade

A empresária também criticou a mudança no horário de início do Carnaval no circuito Barra-Ondina. Segundo ela, a antecipação da abertura da festa — que antes começava às 17h e agora tem início por volta das 15h — alterou significativamente a dinâmica e prejudicou a posição do Crocodilo.

“Cada ano a gente está sendo empurrado para mais tarde. Daniela nunca tinha desfilado 11h da noite numa sexta-feira. Você chega em Ondina 4h da manhã. Se eu fosse a primeira da fila, que é o meu direito como bloco Crocodilo, eu já estaria desfilando e chegando lá em Ondina num horário nobre.”

Para Malu, a discussão não é apenas estratégica para a artista, mas também para a cidade.

“É importante ter ela em horários nobres. O Crocodilo está há 30 anos desfilando neste circuito, com o mesmo nome e a mesma atração. Que bloco faz isso aqui neste circuito? Nenhum.”

Pipoca, cordas e direito de desfile

Outro ponto levantado foi a possibilidade de o bloco desfilar sem cordas, em formato pipoca, mesmo mantendo sua posição tradicional na fila.

“Eu não sou obrigada a vender abadá. Posso levantar as cordas, botar segurança e deixar entrar quem quiser. É um direito meu. Então a gente tem que ver os pesos e as medidas e entender por que isso acontece.”

Ao encerrar, Malu reforçou que a judicialização ocorreu apenas após tentativas frustradas de negociação.

“Não foi por falta de tentativa de diálogo.”

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