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Antonio Pitanga ganha mostra sobre seu legado no cinema
Aos 87 anos, ator ganha mostra gratuita no Cine Glauber Rocha com presença confirmada


No início dos anos 1960, pouco antes da eclosão do Cinema Novo, uma pulsante geração de cineastas e artistas reinventava o cinema na Bahia. Período conhecido como Ciclo de Cinema Baiano, surgiram dali filmes emblemáticos, como Bahia de Todos os Santos (1960), de Trigueirinho Neto, A Grande Feira (1961), de Roberto Pires e Barravento (1962), primeiro longa-metragem de Glauber Rocha.
Um outro nome importante também emergiu dali, tendo participação ativa em todos esses projetos: Antonio Pitanga. Formado na Escola de Teatro da Ufba, Pitanga se tornou um dos atores mais importantes de sua geração, antes mesmo de ir morar no Rio de Janeiro em meados dos anos 1960.
Agora, aporta em Salvador a Mostra Pitanga, realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil. De hoje a 9 de agosto, Salvador receberá uma programação vasta que celebra o legado e o trabalho incansável de Pitanga, à frente e também por trás das câmeras.
Serão exibidos 29 filmes, entre curtas e longas-metragens, além da mostra contar com uma série de atividades formativas. As sessões são gratuitas e acontecem no Cine Glauber Rocha e no Cine Lankiana, na Fazenda Grande 4.
“Essa mostra é mais uma bela homenagem e uma revisitação importante da minha trajetória, da trajetória do cinema brasileiro, cuja semente foi plantada na nossa Bahia. Então, voltar à minha terra representa muito para mim, aos 87 anos. É a memória viva, flores em vida”, comemorou Pitanga.
A abertura acontece na noite de hoje, no Cine Glauber Rocha, às 18h30, com a exibição dos curtas-metragens Premonição (2011), de Pedro Abib, O Velho Rei (2013), de Ceci Alves e Olhos de Cachoeira (2020), de Adler Paz, protagonizados pelo ator, que estará presente para apresentar a sessão e conversar com o público.

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Fronteiras do cinema
São quase 70 anos de carreira, espalhados por quase 100 filmes que se misturam com a própria história do cinema brasileiro. Sua filha, a atriz Camila Pitanga, e o roteirista Thiago Ortman são os curadores da mostra e também conversaram com A Tarde.
“Um norte importante para nós foi pensar que esse arco de vida e arte do ator e diretor Antonio Pitanga cria uma ponte formativa para novas gerações”, destacou Camila. “Meu pai nunca parou de trabalhar. Então, o critério foi pegar filmes que fossem emblemáticos, entre curtas e longas, mostrando a diversidade e a pluralidade de personagens e de tempos”, complementou a atriz.
Além dos títulos já citados, outras obras de destaque não poderiam ficar de fora da Mostra. Este é o caso de O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, baseado no texto clássico de Dias Gomes, filme ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Pitanga também foi presença marcante em filmes como A Idade da Terra (1980), de Glauber, e A Grande Cidade (1966), de Cacá Diegues. Esses são filmes muito ligados ao núcleo do Cinema Novo, movimento do qual Pitanga participou ativamente.
“Cacá Diegues me chamou para fazer Ganga Zumba, em 1963, e a gente chega no Rio de Janeiro abraçado pelo CPC, o Centro Popular de Cultura. A grande revolução do Cinema Novo foi dar protagonismo ao povo brasileiro e, ao fazer isso, surgiu o Pitanga. Eu sou resultado desse protagonismo”, revelou o ator.
Mas ele também contribuiu com outros projetos de cineastas ligados a outras vertentes do cinema. Fez A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, e Jardim de Guerra (1968), de Nevile d’Almeida, ambos pertencentes ao Cinema Marginal.
Esteve também em Compasso de Espera (1969), dirigido pelo dramaturgo Antunes Filho e protagonizado por um outro grande ator negro, Zózimo Bulbul – esta sessão acontece no sábado, 8, e será comentada pela crítica de cinema e historiadora Lorenna Rocha.
Compõem também a mostra, os filmes que Pitanga dirigiu. O primeiro deles, em 1979, Na Boca do Mundo, e mais recentemente o romance histórico Malês. Além disso, a própria Camila destaca o documentário que ela mesma dirigiu em parceria com Beto Brant sobre o pai.
“É um filme para se ter um panorama da vida desse negro em movimento, para revelar como nele a vida está imbricada na arte”, reverenciou a atriz.
Mostra Pitanga / 31 de julho a 9 de agosto / Cine Glauber Rocha e Cine Lankiana (Fazenda Grande 4) / Gratuito / ccbb.com.br


