INVESTIGAÇÃO
Dark Horse: Polícia Federal avança em investigação sobre financiamento
Apuração busca esclarecer se recursos destinados ao filme sobre Bolsonaro tiveram outras finalidades
A Polícia Federal pretende aprofundar as investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O foco da apuração está em um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, que teria recebido parte dos recursos destinados ao projeto audiovisual.
A PF pretende solicitar às autoridades norte-americanas a quebra de sigilo do Havengate Development Fund, apontado como destinatário de parte dos valores enviados para financiar o filme.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, a medida dependerá da cooperação das autoridades dos Estados Unidos e de autorização da Justiça local.
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Os investigadores buscam esclarecer se os recursos enviados ao exterior foram efetivamente utilizados na produção de Dark Horse ou se parte do montante teve outras finalidades.
Uma das suspeitas analisadas pela corporação é a possibilidade de que os valores tenham sido utilizados para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. A PF também apura se houve uso dos recursos em ações vistas pelos investigadores como tentativas de pressão sobre autoridades brasileiras.
O fundo americano é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro. Recursos da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teriam sido direcionados ao fundo sob a justificativa de financiar a produção cinematográfica.
PF avalia abertura de novo inquérito
Em entrevista à GloboNews, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação identificou elementos que justificam a abertura de uma investigação específica sobre o envio dos recursos aos Estados Unidos.
Segundo ele, representações encaminhadas à PF foram analisadas e uma delas já foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá se manifestar sobre o conteúdo, a competência e a definição da relatoria do caso.
Questionado se a investigação deve tramitar separadamente das demais apurações relacionadas ao Banco Master, Andrei respondeu: "No entendimento da nossa área técnica, sim".
Quebra de sigilo e cooperação internacional
Para avançar na apuração, a Polícia Federal pretende recorrer à cooperação internacional. O pedido de quebra de sigilo do fundo poderá ser apresentado caso haja autorização para a abertura de um novo inquérito e respaldo das autoridades judiciais competentes.
A corporação também pretende utilizar a chamada Difusão Prata da Interpol, ferramenta voltada à identificação, localização e retenção de patrimônios ligados a pessoas investigadas. O Brasil está entre os países participantes da iniciativa.
Destino dos recursos está sob análise
A principal questão investigada é se os valores enviados ao fundo foram usados exclusivamente para financiar o filme ou se parte deles teve outro destino.
Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos alegando perseguição do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-parlamentar já relatou dificuldades financeiras decorrentes do bloqueio de contas bancárias, incluindo contas de familiares.
Atualmente, ele é réu em uma ação que tramita no STF sob acusação do crime de coação, processo relatado por Alexandre de Moraes.
Defesa nega irregularidades
Quando o financiamento de Dark Horse foi revelado pelo Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou qualquer relação entre os recursos e despesas de Eduardo Bolsonaro.
"Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos."
Paulo Calixto, administrador do fundo citado na investigação, não tem se manifestado sobre o caso.
A Polícia Federal segue analisando documentos e movimentações financeiras para esclarecer a destinação dos recursos e definir os próximos passos da investigação.