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Essa nova animação da Sony está surpreendendo graças ao sotaque nordestino

Estúdio de sucessos lança animação com DNA brasileiro

Grazy Kaimbé*

Por Grazy Kaimbé*

21/02/2026 - 9:02 h

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Como a cultura nordestina transformou a versão brasileira de "Goat"
Como a cultura nordestina transformou a versão brasileira de "Goat" -

Em um mundo habitado apenas por animais, Zeca Brito é uma cabra jovem e de porte pequeno que tenta ocupar um espaço tradicionalmente reservado aos mais fortes. Essa é a base de Um Cabra Bom de Bola, animação que estreou nos cinemas brasileiros no último dia 11. A história acompanha sua entrada na liga profissional de berrobol (esporte inspirado no basquete) e marcado pelo contato físico, dominado por competidores maiores e mais velozes.

A animação é produto da Sony Pictures Animation, estúdio responsável por sucessos como Homem-Aranha: Através do Aranhaverso e Guerreiras do K-Pop. Na história, Zeca Brito recebe a oportunidade de integrar a liga profissional do berrobol, modalidade que mistura velocidade, estratégia e embate físico em arenas que variam entre estádios de gelo e cenários em chamas. Seus novos companheiros de equipe não escondem o incômodo ao ver uma cabra no elenco. Mas ele insiste. “Os pequenos também mandam bem no jogo” deixa de ser slogan e se torna linha de força narrativa.

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No Brasil, o protagonista ganha a voz do potiguar Rafael Sadovski, que vive um momento simbólico na carreira ao assumir seu primeiro grande papel principal em animação. Com pouco mais de dois anos no mercado de dublagem, ele define a experiência como um divisor de águas.

“Eu estou começando agora na profissão e, de repente, me vejo protagonizando um filme desse tamanho. O Zeca é um personagem que acredita quando ninguém acredita. Ele insiste quando dizem que não dá. Eu me identifiquei muito com isso. Sou novo na carreira, contraceno com professores meus, gente que eu sempre admirei, e me coloco nesse mesmo lugar: pequeno, mas fazendo acontecer”, afirma.

E para ganhar o ‘molho do Brasil’ uma das marcas da versão aqui é o sotaque nordestino de Zeca. A escolha não foi casual. Segundo Rafael, ele já foi chamado para o teste com essa proposta. “Quando falaram que queriam manter meu sotaque do Nordeste, eu achei incrível. É raro ter essa oportunidade. O sotaque ajuda a contar a história. Ele dá identidade, aproxima, cria identificação imediata com o público. Não é só um detalhe estético; ele faz parte da personalidade do Zeca”, destaca.

A diretora de dublagem Andrea Murucci disse que a escolha do sotaque nordestino foi determinante para o tom da produção. “Tivemos toda a liberdade da Sony para criar e brincar na adaptação das piadas. Mas eu acho que um ponto forte desse filme foi a escolha do nome do protagonista e do próprio filme. Zé Cabrito, dentro da proposta de ter um protagonista nordestino, foi uma escolha incrível. E Um Cabra Bom de Bola foi perfeito de todas as formas, porque juntou as duas ideias dentro de um título. A partir daí, isso já me permitiu brincar muito mais”, conta.

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De acordo com ela, a adaptação brasileira não se limitou à tradução literal dos diálogos. O trabalho envolveu escolhas culturais e sonoras que reforçam a origem do personagem. “A criatividade que colocamos nas adaptações e o cuidado que tivemos com as gírias, com os termos nordestinos, principalmente na escolha do elenco, foram fundamentais. Conseguimos reunir um elenco de feras, realmente. São todos incríveis, ficaram maravilhosos. Acho que isso tornou a nossa versão brasileira ainda mais especial”.

Entre os nomes convidados para a dublagem estão a ex-jogadora de basquete Hortência, além de Jukanalha e Fred. Andrea destaca a participação da atleta como simbólica dentro do universo esportivo da história. “A Hortência foi a cereja do bolo. Foi uma homenagem muito merecida. Quando você traz uma referência real do esporte para dentro de um filme que fala sobre sonho e competição, isso ganha uma outra camada”, destaca.

A diretora também ressalta o papel da mãe de Zeca na construção do protagonista. Para ela, o incentivo familiar é a base emocional da narrativa. “O Zeca é um cabrito que, apesar de pequeno, sempre teve o amor e o incentivo da mãe para sonhar grande. O sonho dele era jogar berrobol, e ela o levava ao estádio desde pequeno. Esse apoio fez com que ele tivesse força e segurança para enfrentar os desafios. Ele é pequeno no tamanho, mas é uma fortaleza”.

Esporte e emoção

Imagem ilustrativa da imagem Essa nova animação da Sony está surpreendendo graças ao sotaque nordestino
| Foto: Divulgação

Visualmente, o filme aposta em arenas grandiosas e partidas coreografadas com dinamismo. O berrobol é apresentado como um espetáculo de impacto físico e estratégia coletiva. Mas, para além do espetáculo, a narrativa se sustenta na trajetória emocional do protagonista. “Você fica nervoso, torcendo para saber se eles vão ganhar ou não. E se identifica muito com o Zeca. Não é só sobre esporte. É sobre pertencimento, sobre provar valor, sobre ocupar espaços”, diz Rafael.

Segundo ele, a reação do público nas pré-estreias já sinaliza o potencial de alcance. “Eu assisti duas vezes, em São Paulo e no Rio, e foi emocionante. Ver a criançada saindo animada, berrando, falando do filme… É mágico ouvir sua voz ali e perceber que aquilo toca as pessoas”, conta o dublador.

O berrobol, embora inspirado no basquete, foi tratado como um esporte próprio. A inexistência de regras prévias permitiu maior liberdade criativa nas cenas de jogo e nas transmissões. “O berrobol é baseado no basquete, mas tem regras próprias, porque é um esporte que não existe. Então foi tranquilo trazer mais ação, ritmos e termos diferenciados, inclusive para os comentaristas. Tivemos liberdade para criar e brincar nas cenas de ação”.

Em um mercado de animações frequentemente centrado em heróis fisicamente imponentes ou figuras naturalmente talentosas, Zeca Brito se constrói na insistência. Ele não é o mais forte nem o mais rápido. Ele é o que permanece. Para Rafael, essa é o principal apelo do personagem. “O Zeca é divertido, é desenrolado, é safo. Colocam situações difíceis no colo dele e ele encara. Ele não é o favorito. Ele é o improvável. E isso faz toda a diferença”, conclui.

‘Um Cabra Bom de Bola’ (Goat) / Dir.: Adam Rosette, Tyree Dillihay / Com Rafael Sadovski, Hortência, Fred Bruno e Jukanalha (versão brasileira) / Salas e horários: http://cineinsite.atarde.com.br/

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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