SE LIGA NA DICA!
Esse filme de romance promete emocionar com uma história de recomeço
Estrelado por Hugh Jackman e Kate Hudson, longa aposta na força da música para falar de identidade e pertencimento

Para a grande maioria do público brasileiro, talvez Neil Diamond não seja um cantor tão conhecido quanto outros nomes de sua mesma faixa etária, como Paul McCartney, Mick Jagger ou Bob Dylan.
No entanto, é muito provável que tenham escutado ao menos uma música entre os muitos hinos que o cantor estadunidense nascido em 1941 compôs e lançou em seu auge do sucesso, entre as décadas de 1960 e 1970.
Além de clássicos como Sweet Caroline e seu notório "pam-pam-pam" após o refrão, são dele canções tão clássicas quanto e que se tornaram hits não somente na sua voz, mas com bandas populares como Smash Mouth (com o hit na MTV I’m a believer, trilha sonora de Shrek, filme de 2001) ou Girl, You’ll be a Woman Soon, cuja versão da banda Urge Overkill foi imortalizada em película e dança por Quentin Tarantino e Uma Thurman em Pulp Fiction (1994).
Mas mesmo com uma trajetória de sucesso deveras impressionante, batendo recordes de vendas e criando músicas eternas dentro do cancioneiro popular estadunidense, talvez a trajetória de vida de Neil Diamond, mesmo com todos esses atributos, não possua um apelo essencial para uma cine-biografia, algo visto em filmes como Johnny & June (2005), Ray (2004) ou no recente Um Completo Desconhecido (2024).
Leia Também:
Pensando assim, um filme sobre um mecânico/músico cover de Neil Diamond, que, mesmo já com mais de cinquenta anos, ainda tenta alcançar qualquer sucesso dentro da indústria musical, talvez não mereça atrair tanto a atenção do público. Constatar o contrário ao final da sessão de Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, estrelado por Hugh Jackman e Kate Hudson, não poderia ser mais satisfatório.
A importância de um ídolo
Se passando a partir do final dos anos 1980 e adentrando a década seguinte, a história de Mike Sardina e de Claire Sardina, casal de cantores e instrumentistas que se conhecem dentro da ingrata profissão de músicos cover animando noites com canções em restaurantes e em bares de karaokê, traz esse aspecto de construção narrativa calcada no azarado que, finalmente, vê a sua estrela brilhar.
Nesse processo de busca não por uma fama meteórica, mas apenas de uma forma de viver em paz diante de suas próprias frustrações (e podendo pagar os próprios boletos nesse movimento, claro), os dois tentam alcançar um reconhecimento, mesmo que mínimo na sua proposta de entretenimento.
Tendo Neil Diamond como seu grande ídolo, para Mike Sardina, o lendário cantor representava, inicialmente, não alguém que ele estivesse à altura de imitar em uma proposta cover.
Neste ponto, é pertinente observar como Song Sung Blue traz em seu cerne uma análise da importância de se possuir um ídolo, alguém cujo respeito e admiração norteia nossa influência cultural e, muitas vezes, moral.
Pode parecer ingênuo? Sim, mas a sinceridade no olhar de Sardina ao interpretar as canções daquele que mais admira nos traz outra impressão (tais apresentações, inclusive, estão no homônimo documentário de 2008, disponível gratuitamente no YouTube).
Mas após conhecer Claire e elaborar a dupla Trovão e Raio (Lightning & Thunder Duo, no original), Mike lhe propõe ir além de uma proposta de um simples show cover de Diamond. O que ele intenta é um uma ‘Neil Diamond Experience’. E sua energia contagiante entrega justamente isso.
Tal química entre ambos, juntamente ao talento nato deles, viria a lhe trazer fama local a partir da cidade de Milwaukee, na centro dos Estados Unidos, e tornaria o casal uma sensação em toda a região.
Aquela ascensão local chamou a atenção, inclusive, do cantor Eddie Vedder, quando sua banda, o Pearl Jam, realizou um show na cidade. Na ocasião, o autor de Alive convidou a dupla para o palco, levando-os a tocar uma das canções de Neil Diamond, no caso, Forever in Blue Jeans, junto com o grupo. No filme, tal momento acontece com uma maior liberdade criativa, mas não menos impactante de modo emocional (Vedder, inclusive, autorizou o uso da sua canção no filme, algo raro).
Jackman e Hudson em coro
As presenças de Hugh Jackman e Katie Hudson, já lidando de forma honesta com a maturidade dos já muitos anos de atuação que possuem em suas carreiras, dão ao longa dirigido por Craig Brewer uma dignidade ainda mais perceptível em sua proposta.
A ideia aqui é abordar as dificuldades de alguém que busca viver de seu próprio (e inegável) talento musical, acaba por encontrar o reconhecimento, mas recebe os golpes da vida de forma trágica e desestabilizante física e emocionalmente. E o filme consegue focar de modo pungente em tais golpes e como o casal tenta administrá-los.
Vivendo um veterano da guerra do Vietnã que encontrou no alcoolismo um conforto inesperado, mas que conseguiu superar o vício e agora comemora duas décadas de sobriedade, Hugh Jackman comprova (mais uma vez) estar além de qualquer arquétipo de herói mutante e traz para a sua versão de Mike uma honestidade dramática tocante.
E a citada sinceridade no olhar do Sardina real encontra na interpretação de Jackman um paralelo dramático palpável. E o fato do ator australiano ser um cantor tão talentoso ajuda bastante, claro, na composição de seu protagonista.
Já Kate Hudson, a eterna Penny Lane do jovem clássico Quase Famosos (2000), em sua versão madura, cria para sua Claire aspectos de uma doçura apaixonante diante do encontro de uma alma gêmea musical e conjugal que se contrapõem de modo doloroso quando a amargura de uma tragicidade que lhes acomete muda tudo de um segundo para o outro.
Valendo-se dessa real história de fundo, é nos momentos musicais, no entanto, que Song Sung Blue se firma como um filme que desenha, a partir de uma contagiante simplicidade, a história de gente comum alcançando feitos extraordinários. Por vezes, o filme soa cafona, idealizado e romântico ao extremo? Sim, mas e daí?
Possivelmente é justamente por se permitir desenhar um conto de fadas que durou pouco que o longa se sustenta. Além disso, trata-se de Neil Diamond e toda a sua presença glitter no palco, com laquê no cabelo e costeletas protuberantes sendo homenageada por dois fãs e músicos. Qual o problema em ser cafona? Às vezes, o cinismo crítico cansa.
Horários, cinemas e mais: acesse o Cineinsite AQUI e veja onde os filmes estão passando.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




