DO BRASIL PARA O MUNDO
Festival de Berlim seleciona filme brasileiro com elenco internacional
Karim Aïnouz volta à Berlinale com Rosebush Pruning, enquanto outras produções brasileiras também entram na seleção

Por Beatriz Santos

A presença brasileira no Festival de Berlim 2026 ganha força com a seleção de Rosebush Pruning, novo longa de Karim Aïnouz, para a programação da Berlinale, que acontece entre 12 e 22 de fevereiro, na Alemanha.
O diretor retorna ao evento com um projeto de elenco internacional e tom provocativo, reforçando a aposta do festival em obras que misturam risco estético e impacto cultural.
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Estrelado por Elle Fanning, Riley Keough, Callum Turner, Jamie Bell, Pamela Anderson e Tracy Letts, o filme acompanha uma vila espanhola onde os irmãos americanos Jack, Ed, Anna e Robert vivem isolados e mergulhados na fortuna herdada.
O equilíbrio entre eles começa a desabar quando Jack decide morar com a namorada e Ed passa a investigar a verdade sobre a morte da mãe, abrindo espaço para segredos, mentiras e a implosão de uma estrutura familiar sustentada por aparências.
“Estou feliz da vida de voltar ao Festival de Berlim, um festival visionário. O último filme meu que esteve em competição aqui foi Praia do Futuro, em 2014. É uma honra poder estrear novamente aqui. Além de ser realizado na cidade onde eu vivo, é um festival que aposta em um cinema de inovação e invenção. É uma vitrine perfeita para este filme, que investe em um afiado senso de humor, marcado pela transgressão e ousadia, valores que são sinônimos do próprio Festival e da cidade de Berlim. Estar ao lado dos filmes selecionados me deixa profundamente lisonjeado”, celebra Aïnouz.
Descrito como uma sátira contemporânea sobre as contradições da família tradicional, Rosebush Pruning se passa em uma mansão na Catalunha e gira em torno de uma família americana rica e excêntrica, envolta em conflitos absurdos.
Enquanto os irmãos desfrutam da herança e do consumo de roupas de grife, também ignoram as necessidades do pai cego e se prendem a relações marcadas por dependência emocional e violência crescente.
Com roteiro de Efthimis Filippou, o longa é uma colaboração de Aïnouz com MUBI, The Match Factory, Kavac Film, The Apartment (empresa da Fremantle), SurFilm, Crybaby e Gold Rush Pictures.
A produção leva a assinatura de Viola Fügen, Michael Weber, Simone Gattoni, Annamaria Morelli e Vladimir Zemtsov, com coprodução de Andreas Wentz, Juan Cano “Nono” e Rachel Dargavel.
Curta brasileiro na disputa
Além do filme de Aïnouz, a seleção do Festival de Berlim deste ano também inclui Nosso Segredo, de Grace Passô. A obra marca a estreia da cineasta em longas-metragens e acompanha uma família negra que tenta reconstruir a rotina após uma perda recente.
Enquanto cada pessoa atravessa o luto de um jeito, o filho caçula guarda um segredo que pode levar todos a encarar dores profundas e encontrar um novo caminho.
O elenco reúne Robert Frank, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip, Ju Colobmo, Marisa Revert, Gláucia Vandeveld, Juan Queiroz, Mateus Aleluia, Nanego Lira e Tássia Reis.
Filme com Lázaro Ramos também está na seleção
A programação oficial do 76º Festival de Berlim também traz o longa brasileiro Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, com Lázaro Ramos no elenco e também como produtor associado. O filme fará sua estreia mundial na mostra competitiva Generation, voltada a narrativas com protagonismo e temas infantojuvenis.
Produzido pela Deberton Filmes e Biônica Filmes, em coprodução com a Warner Bros., e com distribuição nacional da Paris Filmes, Feito Pipa acompanha Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em ser jogador de futebol e vive com a avó Dilma, interpretada por Teca Pereira.
O conflito cresce quando a saúde da avó se fragiliza e ele tenta esconder a situação para evitar morar com o pai Batista, personagem de Lázaro Ramos, em uma relação atravessada por ausências e afetos não ditos.
Além de Feito Pipa, o Festival de Berlim 2026 contará com outras produções brasileiras na programação oficial, espalhadas entre as mostras Panorama e Generation.
Mais produções brasileiras no festival:
- Se eu fosse vivo… vivia, de André Novais Oliveira (Mostra Panorama)
- Isabel, de Gabe Klinger (Mostra Panorama)
- Quatro Meninas, de Karen Suzane
- Papaya, de Priscilla Kellen
- A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (Mostra Gerações)
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