CINEMA NACIONAL
Festival exibe 70 filmes e destaca produções baianas em Curitiba
Evento que completa 15 anos reúne obras de diferentes países
Teve início ontem, e segue até o dia 13 de junho, mais uma edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, que, em 2026, chega ao seu décimo-quinto ano.
Com um amplo leque de produções de diversas partes do mundo, a seleção traz mais 70 filmes que serão exibidos em diversos locais da capital paranaense, dentre eles o notório Teatro Ópera de Arame, que, com capacidade para um público de 1500 pessoas, recebeu na noite de ontem a estreia de Yellow Cake, filme do cineasta Tiago Melo.
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Apresentando sua trama dramática com tons de sátira, o filme é protagonizado por Rejane Faria (de Marte Um) no papel de uma física nuclear parte de uma equipe de cientistas que faz experimentos com urânio na tentativa de erradicar o mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue. No elenco, Tânia Maria (de O Agente Secreto) segue surpreendendo com seu carisma.
Com uma seleção competitiva focada em obras brasileiras e estrangeiras, o Olhar de Cinema apresenta nesta edição a estreia de oito filmes longas metragens, dentre eles o baiano Reparação, primeiro longa solo do diretor Marcus Curvelo (seu longa de estreia, Eu, Empresa, de 2021, dividia a direção com Leon Sampaio).
Experiente diretor de curtas que, em sua maioria, possuem um apelo cômico, além de uma mordaz crítica social, com Reparação, Curvelo volta sua lente para uma abordagem pessoal acerca da morte de seus pais (confira nas próximas edições com a cobertura do festival a matéria completa com entrevista do diretor).
Outra presença marcante no festival é a estreia nacional de Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, produção cearense que passou pelo festival de Berlim em janeiro.
Dirigido por Janaína Marques e protagonizado por Verônica Cavalcanti e por Luciana Souza, o filme aborda um marcante reencontro mental entre mãe e filha, em uma reconciliação dramática de traumas do passado que envolvem a luta contra o feminicídio e a busca por saúde mental.
Nos próximos dias, confira entrevista com diretora e elenco na cobertura do jornal A TARDE.
Desafios de produção
O jornal A TARDE conversou com Antônio Gonçalves Jr., diretor-geral do Olhar de Cinema, sobre a celebração ao chegar nas quinze edições do evento, bem como os desafios e dificuldades para tornar concreto o festival, que acontece em Curitiba desde 2012.
“Quando começamos, tínhamos muito uma ideia de que, após fazer o primeiro e fazermos umas quatro edições, começaríamos a ter uma coisa um pouco mais tranquila”, comenta Antônio.
“Aí depois falávamos que, quando chegássemos em dez edições, seria mais tranquilo. E até hoje temos a principal dificuldade que é, realmente, a questão do financiamento. De financiar um festival que vem crescendo de uma maneira muito natural e espontânea. E temos que atender essa expectativa do público”, explica o produtor do evento.
O aumento exponencial do público do festival é um fator, também, comentado por Antônio no papo com o A TARDE. “Por exemplo, a abertura no Opera de Arame (teatro cartão postal de Curitiba), um local com capacidade para 1.600 pessoas. No começo, fazíamos a abertura em uma sala com capacidade para 200 pessoas. O festival cresceu e tivemos que crescer justamente para poder acomodar um público cada vez maior dentro desses limites", pontua o produtor, comemorando esse aumento, mas mantendo a responsabilidade financeira do evento.
“O desafio continua sempre o mesmo. Porque o público cresce, o interesse cresce, a relevância do festival cresce, mas o orçamento não acompanha nem um pouco esse crescimento. Então, infelizmente, a dificuldade do primeiro ano com relação a essa questão é a mesma que temos agora, no 15º ano", constata.
Do curta para o longa
Além dos longas metragens citados, o festival, também, trará uma competitiva de curtas, formato que o evento valoriza como formador dentro do cinema brasileiro.
“A gente veio do curta. Eu sou produtor de filmes desde 2007. A produtora Graça Filmes, que produz o Olhar de Cinema desde 2012, foi fundada em 2007. Começamos com o curta, e jamais conseguiríamos deixar de lado essa nossa própria história", comemora Antônio.
“Se não houvessem curtas no Olhar de Cinema, não faria sentido, porque surgimos aí e acreditamos muito na importância do formato dentro desse ecossistema do cinema. Ele exerce papel fundamental na entrada de muita gente no audiovisual. E a entrada da grande maioria das pessoas no cinema é através dos curtas-metragens", destaca.
Marcus Curvelo, citado anteriormente, é um desses diretores que passaram pelo Olhar de Cinema com curtas metragens e, agora, apresenta no festival um longa.
"Marcus é um cara que a gente acompanha já há um bom tempo, desde os curtas. Exibimos aqui o curta dele Garotos Ingleses (2022) em sua estreia. É um cineasta que admiramos muito pelas propostas que ele traz. É sempre tudo muito inventivo, tudo muito novo. E o longa-metragem que ele traz agora, também. Reparação segue o mesmo caminho. E também traz uma coisa muito pessoal. No Garotos Ingleses já tinha um pouco essa coisa mais pessoal, mas quase como uma caricatura", descreve Antônio.
“Agora, Marcus Curvelo já vai para um lado mais pesado, porque é uma coisa muito pessoal dele, na relação com o pai e com a mãe. Mas tem uma abordagem que você ainda não tinha visto nada parecido com isso. E isso encanta bastante na nossa comissão de curadoria. Ver um filme e de ter esse impacto, esse frescor que traz uma ousadia. Reparação tem um grau de ousadia bem grande na sua concepção. Então, é um exemplo desse de realizadores que acompanhamos e admiramos, e acaba que eles estreiam os seus longas aqui”, comemora.
Evento de mercado
Além das mostras de filmes, o Olhar de Cinema desse ano traz a segunda edição do MECI - Mercado do Cinema Independente, evento que conecta produtores, distribuidores, programadores de festivais, representantes de fundos de investimento e profissionais de cinema para uma programação de painéis, masterclasses, pitchings, estudos de caso e sessões de networking.
“Para nós, era até uma demanda natural que foi se criando dentro do festival para termos esses espaço. Porque trazemos uma programação e uma curadoria diferentes, e foi por isso que conseguimos nos consolidar de uma maneira até rápida, dentro dessa quantidade de outros festivais super legais e que já possuem mais de cinquenta anos. Acabou que entendemos que havia uma demanda de conectar esses agentes que fazem esses filme. Que fazem parte desse ecossistema. Não só a feitura do filme, mas também de toda a questão de distribuição, exibição, plataformas, canais, financiadores e tudo isso”, explica Antônio.
“Começamos a entender que havia essa demanda latente. O MECI tem esse formato mais de conferência e todo mundo que tem interesse pode participar. Criamos o MECI com um foco em cinema, exclusivamente. E em cinema independente, que é o que a gente exibe. Então, não faria sentido fazer um evento de mercado que não dialogasse com o festival. O MECI só surge por conta do festival. Para tentar ajudar e contribuir na conexão entre os agentes que fazem parte desse ecossistema do cinema independente", finaliza o diretor-geral do evento.
Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba
- Quando: de 04 a 13 de junho
- Informações: www.olhardecinema.com.br
*O jornalista viajou para Curitiba a convite do Olhar de Cinema