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3 filmes de baixo orçamento que arrecadaram mais que Supergirl em 2026
Produções de super-heróis enfrentam dificuldades enquanto filmes originais conquistam o público


O desempenho de Supergirl nos cinemas acendeu um alerta dentro da DC Studios e reforçou uma tendência que Hollywood vem observando ao longo dos últimos anos: grandes produções baseadas em super-heróis já não conseguem atrair automaticamente o público apenas pelo peso da marca.
Enquanto blockbusters multimilionários enfrentam dificuldades para justificar seus investimentos, filmes originais têm surpreendido ao conquistar milhões de espectadores ao redor do mundo.
A nova aventura estrelada por Milly Alcock estreou arrecadando apenas US$ 38 milhões nos Estados Unidos, resultado inferior ao de produções como Morbius e As Marvels.
O desempenho levou até mesmo o CEO da DC Studios, Peter Safran, a tentar tranquilizar os fãs diante da repercussão negativa, enquanto crescem as dúvidas sobre o futuro da estratégia comandada por James Gunn.
O cenário, porém, vai muito além de um único filme. Em 2026, diversas franquias tradicionais vêm encontrando dificuldades para repetir o sucesso de anos anteriores. Ao mesmo tempo, produções inéditas — principalmente do gênero terror — provaram que criatividade, boca a boca e orçamentos modestos podem gerar lucros muito superiores aos de grandes apostas dos estúdios.
O contraste fica ainda mais evidente quando se compara Supergirl, uma das produções mais caras do ano, com fenômenos como Obsessão e Backrooms: Um Não-Lugar, filmes produzidos por uma pequena fração do orçamento do longa da DC e que arrecadaram centenas de milhões de dólares nas bilheterias mundiais.
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O fracasso de Supergirl preocupa a nova fase da DC
Desde que James Gunn e Peter Safran assumiram o comando criativo da DC Studios, a expectativa era de que Supergirl consolidasse o novo universo compartilhado da empresa nos cinemas. Isso, no entanto, não aconteceu.
Segundo a revista Variety, o longa estrelado por Milly Alcock custou cerca de US$ 290 milhões aos cofres da Warner Bros. Entre produção, divulgação e distribuição, trata-se de uma das apostas mais caras da história recente da DC.
Após sua primeira semana em cartaz, entretanto, o filme acumulou apenas US$ 68 milhões em bilheteria mundial. A própria publicação afirma que "está claro que 'Supergirl' caminha para se tornar um fracasso de bilheteria". Em seguida, acrescenta que estimativas apontam perdas entre US$ 85 milhões e US$ 120 milhões para o estúdio.
Segundo a Variety, pela metodologia tradicional de Hollywood, a produção precisaria arrecadar aproximadamente US$ 400 milhões para atingir o ponto de equilíbrio financeiro, embora fontes ligadas ao filme afirmem que esse valor possa estar mais próximo de US$ 300 milhões.
O público mudou e isso aparece nas bilheterias
O desempenho de Supergirl também ajuda a ilustrar uma transformação maior no comportamento do público. Nos últimos anos, o entusiasmo em torno dos filmes de super-heróis diminuiu de forma perceptível.
Depois de mais de uma década dominando os cinemas, o gênero passou a enfrentar sinais claros de desgaste, enquanto produções originais conquistam cada vez mais espaço entre espectadores que buscam histórias inéditas, propostas diferentes e novas experiências.

Outro fator frequentemente apontado é o perfil do público consumidor de filmes de super-heróis. Historicamente, essas produções concentram uma parcela significativa de espectadores do sexo masculino, grupo que, em muitos casos, demonstra menor interesse por adaptações protagonizadas por personagens femininas quando comparadas às franquias lideradas por heróis já consolidados, como Batman, Homem-Aranha e Homem de Ferro.
Outro elemento que pesou contra o longa foi sua recepção. Embora parte da crítica tenha elogiado a atuação de Milly Alcock, as avaliações sobre o filme ficaram longe do consenso positivo que normalmente impulsiona grandes blockbusters.
Entre as principais críticas estiveram a direção considerada pouco inspirada, a falta de impacto emocional e a percepção de que os trailers entregaram boa parte dos momentos mais importantes antes mesmo da estreia. Sem um forte boca a boca e enfrentando concorrentes de peso nas salas de cinema, o longa perdeu força rapidamente.
Supergirl não foi o único grande tropeço do ano
O caso da heroína kryptoniana também não é isolado. Poucas semanas antes, Mestres do Universo chegou aos cinemas cercado de expectativas para transformar o clássico personagem He-Man em uma nova franquia da Amazon MGM Studios.
O resultado ficou muito abaixo do esperado. Produzido com um orçamento estimado entre US$ 170 milhões e US$ 200 milhões, o live-action arrecadou apenas US$ 101,9 milhões mundialmente, consolidando-se como um dos maiores fracassos comerciais de 2026.

A produção estreou com US$ 54,3 milhões no primeiro fim de semana global e rapidamente perdeu espaço nas bilheterias, reforçando que nostalgia, sozinha, já não garante o sucesso de grandes franquias.
Filmes muito menores fazem história
Se Supergirl e outras grandes franquias enfrentaram dificuldades para convencer o público a sair de casa, diversos filmes muito menores fizeram exatamente o oposto. Em 2026, produções originais mostraram que criatividade, boas histórias e forte repercussão nas redes sociais podem valer mais do que orçamentos milionários.
Poucos filmes conseguiram uma trajetória tão impressionante quanto Obsessão. Dirigido por Curry Barker, o terror foi produzido com apenas US$ 750 mil, um orçamento considerado minúsculo para os padrões de Hollywood.
Ainda assim, o longa ultrapassou US$ 426 milhões em bilheteria mundial, tornando-se o maior filme da história — sem ajuste pela inflação — entre todas as produções realizadas com orçamento inferior a US$ 1 milhão.

O feito permitiu que o longa superasse um recorde que pertencia havia décadas ao clássico Operação Dragão (1973), estrelado por Bruce Lee, que havia arrecadado aproximadamente US$ 400 milhões com um orçamento estimado em US$ 850 mil.
O sucesso também colocou Obsessão entre as maiores bilheterias de 2026 e consolidou o longa como o filme de terror original mais lucrativo do século XXI, ultrapassando produções como Corra!, Invocação do Mal e Pecadores.
O desempenho não foi impulsionado apenas pelas bilheterias. A produção foi aclamada em festivais como o Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), passou pelo Fantastic Fest, venceu o Prêmio do Público em Sitges e mantém 94% de aprovação da crítica e do público no Rotten Tomatoes, reforçando o forte boca a boca que ajudou a transformar o filme em um fenômeno mundial.
Outro caso que surpreendeu Hollywood foi Backrooms: Um Não-Lugar. Produzido pela A24, o longa adapta uma das creepypastas mais populares da internet e foi dirigido por Kane Parsons, criador da série de vídeos que acumula mais de 70 milhões de visualizações no YouTube.
Com um orçamento de aproximadamente US$ 10 milhões, o filme arrecadou mais de US$ 356 milhões mundialmente e tornou-se a maior bilheteria da história da A24, superando todos os lançamentos anteriores do estúdio.

Ainda na estreia, Backrooms recuperou centenas de por cento do seu orçamento apenas com a arrecadação inicial nos Estados Unidos e continuou crescendo graças às recomendações do público.
O longa também recebeu elogios da crítica especializada e chamou a atenção de nomes importantes da indústria, incluindo Steven Spielberg, que destacou o trabalho desenvolvido pelos jovens diretores Kane Parsons e Curry Barker.
Devoradores de Estrelas virou fenômeno
Embora o sucesso de 2026 tenha sido marcado principalmente pelos filmes de baixo orçamento, Devoradores de Estrelas mostrou que grandes investimentos continuam funcionando quando acompanhados de uma história original capaz de conquistar o público.
Baseado no best-seller de Andy Weir, autor de Perdido em Marte, o longa teve um orçamento estimado entre US$ 190 milhões e US$ 200 milhões.
Mesmo assim, conseguiu um desempenho raro para uma ficção científica original. A produção ultrapassou US$ 650 milhões nas bilheterias mundiais, tornando-se a maior arrecadação da história da Amazon MGM Studios, superando inclusive Creed III.
Nos Estados Unidos, o longa já acumula mais de US$ 305 milhões, enquanto os mercados internacionais continuam impulsionando sua arrecadação semanas após a estreia.

O sucesso também foi acompanhado por uma excelente recepção. Devoradores de Estrelas registra 95% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e recebeu nota A no CinemaScore, desempenho que ajudou a fortalecer o boca a boca e consolidou o filme entre os maiores sucessos comerciais de 2026.
O público parece buscar mais do que marcas conhecidas
Os resultados de 2026 mostram que o nome de uma franquia já não garante, sozinho, grandes bilheterias.
Enquanto adaptações de marcas consagradas, como Supergirl e Mestres do Universo, enfrentaram dificuldades para justificar seus elevados investimentos, produções originais encontraram espaço para crescer graças à criatividade, ao entusiasmo do público e às recomendações nas redes sociais.
Isso não significa o fim dos filmes de super-heróis, mas evidencia uma mudança importante no comportamento dos espectadores. Cada vez mais, o público parece disposto a prestigiar histórias inéditas e experiências diferentes, independentemente do tamanho do orçamento ou da força da propriedade intelectual.
Em um cenário no qual o boca a boca pesa mais do que nunca, 2026 mostra que Hollywood talvez esteja entrando em uma nova fase: uma em que boas ideias conseguem competir de igual para igual com franquias bilionárias, e, em alguns casos, até superá-las.


