HOLLYWOOD
Teste com IA em filme de Marilyn Monroe falha e diretora desabafa em Veneza
Projeto encomendado com IA generativa de vídeo foi substituído por performance ao vivo


A tentativa de recriar a presença da icônica Marilyn Monroe nas telas por meio de algoritmos esbarrou nos limites da própria tecnologia. Durante o Festival de Cinema de Veneza, a atriz e diretora Maggie Gyllenhaal revelou que desistiu de utilizar inteligência artificial generativa de vídeo em seu novo projeto após os resultados se mostrarem insatisfatórios e sem sensibilidade artística.
A cineasta, que preside o júri da edição de 2026 do festival italiano, apresentou o curta-metragem Flesh Impact. A obra propõe uma reflexão sobre a trajetória de Marilyn Monroe: Dakota Johnson interpreta a estrela no auge da fama, enquanto Ellen Burstyn encarna uma versão envelhecida da atriz, imaginando como seria sua vida caso não tivesse morrido em 1962.
Apesar da pressão dos financiadores do projeto para adotar ferramentas de ponta, Gyllenhaal optou por descartar o material gerado por computador durante a fase de pós-produção.
Gyllenhaal explicou que aceitou o desafio por curiosidade, utilizando um modelo de IA devidamente licenciado e treinado apenas com acervos originais dos filmes da estrela aos quais a equipe tinha acesso legal.
No entanto, a comparação direta entre o recurso digital e o trabalho de cena acabou com as chances da tecnologia entrar no corte final:
- Falta de humanidade: O vídeo gerado por IA não conseguiu transmitir a carga emotiva necessária para a narrativa;
- Força do elenco: A performance ao vivo de Dakota Johnson trouxe uma camada muito mais vibrante e tocante para a personagem;
- Decisão no corte: Todo o material sintético trabalhado ao longo de meses foi jogado fora no resultado definitivo.
Impacto na indústria audiovisual
A declaração de Gyllenhaal ganha peso em um momento em que a indústria audiovisual global discute o impacto da automação e os limites éticos do uso de imagem de artistas mortos.
"As pessoas que encomendaram o projeto me pediram para usar IA. Eu topei e pensei: 'Vamos ver'. Mas basicamente não funcionou. Trabalhamos muito nisso e descartamos porque o resultado com Dakota foi muito mais comovente e humano", afirmou a diretora durante painel em Veneza.
O episódio reforça as limitações atuais da IA generativa em produções de alto nível e joga luz sobre o temor de profissionais do setor quanto à substituição de atores e técnicos por ferramentas automatizadas.