ACB debate impactos do VLT e reforça atuação na agenda de mobilidade urbana
Lideranças empresariais discutem integração do modal com o comércio e o transporte náutico

Durante a sessão plenária da Associação Comercial da Bahia (ACB), realizada nesta quinta-feira, 19, lideranças empresariais acompanharam uma palestra sobre o andamento das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), reforçando a mobilidade urbana como eixo estratégico da entidade.
O presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), Eracy Lafuente, destacou o projeto como um “vetor de desenvolvimento socioeconômico” para Salvador. Em sintonia com o tema, a ACB anunciou o lançamento da Câmara de Urbanismo, ainda sem data definida, sob coordenação da arquiteta e urbanista Kátia Carmelo, ampliando sua atuação em mobilidade, planejamento urbano e requalificação de áreas estratégicas da capital.
Durante a explanação, o VLT foi apresentado como um equipamento estratégico de transformação urbana, com capacidade de integrar regiões historicamente desconectadas, como Comércio, Calçada, Subúrbio Ferroviário e Ilha de São João. O sistema, que prevê a substituição do antigo trem do subúrbio por um modal moderno, sustentável e integrado, deve reduzir o tempo de deslocamento, ampliar o acesso ao transporte público de qualidade e impulsionar a ocupação urbana ao longo do seu trajeto.

A presidente da ACB, Isabela Suarez, destacou a importância da iniciativa, mas reforçou a necessidade de ampliar o diálogo com o setor produtivo. “A gente recebe com entusiasmo uma obra dessa magnitude, mas é fundamental discutir de que forma o comércio pode se beneficiar diretamente dessas intervenções, especialmente em um cenário de alta vacância e desafios de segurança pública no Centro Antigo”, afirmou.
Todas as medidas que impactam o setor precisam ser discutidas com quem paga a conta.
Isabela também chamou atenção para o potencial de integração com a economia do mar. Entre as sugestões apresentadas estão a revitalização de estaleiros artesanais, o fortalecimento da atividade pesqueira e a criação de estruturas que incentivem o turismo e o esporte náutico na Baía de Todos-os-Santos. A dirigente defendeu a criação de píeres e conexões que permitam o deslocamento por embarcações, conectando Salvador ao Recôncavo e ampliando o fluxo de pessoas para comércio, serviços e turismo.
Pensar na integração entre barco, metrô e VLT é estratégico para trazer o público da Baía de Todos-os-Santos para dentro da cidade, não só para trabalho, mas também para consumo e lazer”, pontuou.
A reunião também abriu espaço para reflexões sobre o ordenamento urbano e o aproveitamento de áreas públicas ao longo do trajeto do VLT, com a proposta de transformar imóveis ociosos em espaços produtivos, contribuindo para a reocupação do Centro e o aumento da segurança.
Associativismo como força do setor produtivo
Além da mobilidade, o encontro abordou temas como a proposta de mudança na escala de trabalho 6x1, os impactos tributários sobre micro e pequenas empresas e a necessidade de maior segurança jurídica, principalmente para as empresas enquadradas no Simples Nacional.
O debate evidenciou a preocupação do setor produtivo com decisões que podem afetar diretamente a competitividade, o nível de emprego e a sustentabilidade das empresas, especialmente em um cenário de alta carga tributária e desafios estruturais da economia brasileira.“Todas as medidas que impactam o setor precisam ser discutidas com quem paga a conta”, afirmou Isabela Suarez.
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Para o presidente do Conselho Superior da ACB, Paulo Cavalcanti, o momento exige mais do que posicionamento: demanda articulação. Segundo ele, o fortalecimento do associativismo é essencial para garantir que a classe empresarial tenha voz ativa nas decisões que impactam o ambiente de negócios.
Os empresários precisam entender que, isolados, não conseguem atingir seus objetivos.
“Os empresários precisam entender que, isolados, não conseguem atingir seus objetivos. É por meio das associações que a classe produtiva se organiza, ganha força e consegue representar seus interesses”, afirmou.
Cavalcanti destacou ainda que pautas como a escala 6x1 e as mudanças tributárias precisam ser debatidas de forma estruturada e coletiva. “Não existe democracia que se sustente sem uma classe empresária organizada. Quando o setor produtivo se une, fica mais forte para dialogar e influenciar decisões que impactam toda a sociedade”, concluiu.
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