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Desenvolvimento não acontece por acaso

Confira a coluna ACB em Foco desta quarta

Beatriz Farias Baleeiro, chefe de Gabinete da Presidência da ACB
Por Beatriz Farias Baleeiro, chefe de Gabinete da Presidência da ACB
Beatriz Farias Baleeiro, chefe de Gabinete da Presidência da ACB
Beatriz Farias Baleeiro, chefe de Gabinete da Presidência da ACB - Foto: Ariele Lima/Divulgação

Estou na China há algumas semanas, representando a Associação Comercial da Bahia em um seminário sobre redução da pobreza por meio das micro e pequenas empresas. A experiência tem me deixado uma certeza: desenvolvimento não acontece por acaso.

Não pretendo ignorar os problemas da China, nem sugerir que o Brasil copie um modelo de outra realidade. O Brasil, como República Federativa constituída em Estado Democrático de Direito, precisa encontrar respostas compatíveis com sua realidade.

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Mas há um resultado impossível de ignorar: em cerca de quatro décadas, 800 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza na China.

Isso não veio de uma política isolada, nem se resumiu a enfrentar necessidades imediatas. A China apostou na geração de riqueza: ampliou a produção e investiu em industrialização, infraestrutura, educação e integração de mercados, levando essas condições aos territórios à margem desse processo.

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A lógica é: para reduzir a pobreza de forma duradoura, é preciso criar um ambiente em que mais pessoas possam produzir, trabalhar, empreender e participar da riqueza gerada.

O que mais me fez refletir foi como o trabalho e a empresa aparecem nessa lógica. Uma pequena produção precisa ganhar qualidade, escala, acesso a mercado e condições para continuar existindo.

Quando uma empresa cresce, ela não melhora apenas a vida de quem empreende. Ela compra de fornecedores, contrata pessoas, movimenta o comércio local e cria oportunidades ao redor. Uma empresa bem-sucedida não é positiva apenas para o dono; ela tem impacto sobre uma comunidade inteira.

No Brasil, a Constituição prevê essa ideia. A ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com o objetivo de assegurar existência digna para todos. Mas, na prática, ainda criamos um ambiente que parece desconfiar de quem quer crescer.

O pequeno empreendedor enfrenta burocracia, insegurança jurídica, crédito caro e um sistema tributário complexo. Muitas vezes, crescer passa a ser mais difícil do que começar.

Não há redução sustentável da pobreza sem geração de riqueza. A proteção social é indispensável, mas não pode ser a única resposta. Para que mais pessoas tenham autonomia, é preciso criar condições para produzir, empreender, vender e prosperar.

Essa é uma das principais lições que levo desta experiência na China: a valorização da produção está no centro da estratégia de desenvolvimento. Cada pessoa precisa ter a chance de contribuir de alguma forma, seja empreendendo, trabalhando, produzindo, prestando um serviço ou integrando uma cadeia produtiva. Quando um país cria condições para que mais gente produza e prospere, ele não gera riqueza apenas para alguns; amplia oportunidades para todos.

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Tags

Associação Comercial da Bahia china Desenvolvimento

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