ACB EM FOCO
Desenvolvimento não acontece por acaso
Confira a coluna ACB em Foco desta quarta


Estou na China há algumas semanas, representando a Associação Comercial da Bahia em um seminário sobre redução da pobreza por meio das micro e pequenas empresas. A experiência tem me deixado uma certeza: desenvolvimento não acontece por acaso.
Não pretendo ignorar os problemas da China, nem sugerir que o Brasil copie um modelo de outra realidade. O Brasil, como República Federativa constituída em Estado Democrático de Direito, precisa encontrar respostas compatíveis com sua realidade.
Mas há um resultado impossível de ignorar: em cerca de quatro décadas, 800 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza na China.
Isso não veio de uma política isolada, nem se resumiu a enfrentar necessidades imediatas. A China apostou na geração de riqueza: ampliou a produção e investiu em industrialização, infraestrutura, educação e integração de mercados, levando essas condições aos territórios à margem desse processo.
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A lógica é: para reduzir a pobreza de forma duradoura, é preciso criar um ambiente em que mais pessoas possam produzir, trabalhar, empreender e participar da riqueza gerada.
O que mais me fez refletir foi como o trabalho e a empresa aparecem nessa lógica. Uma pequena produção precisa ganhar qualidade, escala, acesso a mercado e condições para continuar existindo.
Quando uma empresa cresce, ela não melhora apenas a vida de quem empreende. Ela compra de fornecedores, contrata pessoas, movimenta o comércio local e cria oportunidades ao redor. Uma empresa bem-sucedida não é positiva apenas para o dono; ela tem impacto sobre uma comunidade inteira.
No Brasil, a Constituição prevê essa ideia. A ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com o objetivo de assegurar existência digna para todos. Mas, na prática, ainda criamos um ambiente que parece desconfiar de quem quer crescer.
O pequeno empreendedor enfrenta burocracia, insegurança jurídica, crédito caro e um sistema tributário complexo. Muitas vezes, crescer passa a ser mais difícil do que começar.
Não há redução sustentável da pobreza sem geração de riqueza. A proteção social é indispensável, mas não pode ser a única resposta. Para que mais pessoas tenham autonomia, é preciso criar condições para produzir, empreender, vender e prosperar.
Essa é uma das principais lições que levo desta experiência na China: a valorização da produção está no centro da estratégia de desenvolvimento. Cada pessoa precisa ter a chance de contribuir de alguma forma, seja empreendendo, trabalhando, produzindo, prestando um serviço ou integrando uma cadeia produtiva. Quando um país cria condições para que mais gente produza e prospere, ele não gera riqueza apenas para alguns; amplia oportunidades para todos.


