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Mulheres de Aço

Confira a coluna de Luiz Telles

Luiz Telles
Por Luiz Telles
Imagem ilustrativa da imagem Mulheres de Aço
Foto: Foto: Leticia Martins | ECBahia

A última semana foi de muitas análises sobre a participação do Bahia na Copa Libertadores e os efeitos da chegada do Grupo City no clube, desde 2023. Em linhas gerais, as avaliações cercam a formação de elenco em médio e longo prazo, e o progresso nos resultados das últimas temporadas, em contraponto às frustrações geradas pela oscilação do time em campo e pelos vultosos valores de investimento em dois anos de formação da SAF.

Bacana! O caminho das discussões é esse mesmo: ir além das críticas rasas e encontrar lugar para opor paixão e racionalidade. Contudo, neste campo de diagnósticos e prognósticos sobre a nova era do futebol tricolor, o que me incomoda é ninguém sequer falar sobre a equipe profissional feminina, que apesar de fazer atualmente sua melhor campanha na Série A1 do Brasileirão, segue praticamente ignorada pelos grandes veículos de comunicação e também pelas mídias alternativas que cobrem o Esquadrão.

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Não sou ingênuo de não entender a diferença de peso cultural (com uma forte raiz no machismo estrutural) entre o futebol masculino e o feminino, e que isso justifica uma menor atenção do público e do mercado ao produto. Acredito também que, como em outros entraves similares, essa é uma batalha longa e que será vencida com o tempo, mas numa urgência bem aquém da necessária à que eu tantos outros desejamos.

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Meu ponto é a desproporção de atenção. A falta de uma cobertura minimamente decente, com conhecimento do elenco, comissão, resultados e do contexto do futebol feminino no país. A revolução que chegou ao Bahia para o time masculino também está em curso na equipe feminina (ainda que em menor grau), mas ninguém sequer faz ideia disso. E não se trata de culpar a comunicação do clube por falhar na divulgação dos jogos. Apesar de não dar o mesmo tratamento a ambos, está muito longe de ser desigual e injusta. O material disponibilizado à imprensa e torcedores é farto, e suficientemente bom para uma cobertura de respeito. O que falta é interesse, à medida que sobra ignorância.

E é uma pena, porque as Mulheres de Aço fazem um início de 2025 promissor. Após dois acessos à elite com queda imediata na temporada seguinte, o retorno à Série A1 desta vez aconteceu de forma estruturada, melhor planejada e com investimentos. Faltando apenas três rodadas para o fim da fase de classificação, o clube não apenas já não corre risco de rebaixamento, como tem grande chance de ir às quartas de final.

O elenco de 2025 tem como base aquele que conseguiu o acesso em 2024, e que diferentemente de temporadas passadas, passou a ter atletas com contratos mais longos e dentro de um planejamento de modelo de jogo baseado no controle da posse, com reforços prioritários no meio-campo. Com estrutura e gestão andando de mãos dadas, nem mesmo mudanças forçadas, como a troca da técnica Lindsay Camila por Felipe Freitas, em 2024, alteraram o panorama de evolução.

O time não tem supercraques, mas a cada nova contratação, torna-se mais e homogêneo, com maior capacidade para atuar com intensidade e ser mais competitivo fisicamente. Ainda não está no mesmo patamar de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Ferroviária e Cruzeiro, mas já não é mais presa fácil para ninguém.

É necessário construir e solidificar uma cultura de futebol feminino, como o Corinthians conseguiu com suas ‘Brabas’. O caminho está desenhado para isso, mas a SAF não pode dormir no ponto. Pentacampeão estadual consecutivo, o Tricolor precisa ainda dar passos importantes para se estabelecer como uma força da categoria nacionalmente. Vai da fomentação de sua quase inexistente divisão de base, à necessidade de a direção começar a priorizar uma aproximação entre equipe e torcida, investindo para que os jogos aconteçam frequentemente em Salvador, em horários que não conflitem com o time profissional masculino.

Como a maioria ignora e não critica, também não há pressão por essas melhorias, mas no momento já ficaria satisfeito se os feitos dessas mulheres tivessem a vitrine que merecem.

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