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A Bahia mudou seu comércio com o exterior

China desbanca Estados Unidos e assume a liderança absoluta no comércio exterior da Bahia

Armando Avena
Por Armando Avena
Vendas para a China disparam e estado da Bahia atinge marca de 7 bilhões de dólares em exportações
Vendas para a China disparam e estado da Bahia atinge marca de 7 bilhões de dólares em exportações - Foto: Reprodução

A Bahia está mudando seu comércio exterior. Há pouco tempo os produtos petroquímicos lideravam nossas exportações, mas hoje estão em 7º lugar entre os produtos mais vendidos pelo estado. Nos primeiros sete meses de 2026, por exemplo, apenas cinco produtos – soja, petróleo, ouro, celulose e algodão – representaram mais de 70% de tudo que a Bahia exportou. E só depois aparecem os tradicionais minérios, café, cacau e produtos petroquímicos,

A Bahia é o maior exportador de soja do Nordeste e o 7º maior do Brasil e o 2º maior produtor de algodão, ambos com alta produtividade. É o 3º maior exportador brasileiro de celulose. E tornou-se um dos maiores produtores de ouro do Brasil e as ligas douradas passaram a ocupar o 3º lugar na nossa pauta de exportações, com vendas de quase US$ 800 milhões.

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Por conta disso, o destino das exportações baianas mudou e a Argentina e os Estados Unidos, que já foram grandes compradores, perderam posição. A China é de longe nosso maior mercado e responde por mais de 25% das nossas vendas externas. O país asiático compra soja, celulose, minérios café e muito mais e como o algodão da Bahia, além da China, vai para Bangladesh, Vietnã, Paquistão e Índia, entre outros, e o petróleo vai para Singapura, a Ásia é o mercado de 42% dos produtos estaduais.

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Entre os cinco países que mais compraram produtos baianos, além da China, está o Canadá, por causa do ouro que é manufaturado lá, Singapura, o maior comprador de petróleo, a Holanda que é a porta de entrada na Europa, via porto de Roterdã, e compra celulose, frutas minerais e petroquímicos e outros, fechando o top 4 dos maiores clientes da Bahia. E só então, em 5º lugar, aparece os Estados Unidos.

Diferente do que escuto em muitos fóruns empresariais, a Bahia é, sem comparação, a maior economia do Nordeste e suas exportações representaram mais de 50% do total exportado pela região, o que representa um montante maior do que o das exportações do Maranhão, Pernambuco ,Ceará e Rio Grande do Norte somados.

Com esse cenário, as exportações baianas nos sete primeiros meses de 2026 somaram US$ 7,51 bilhões, com crescimento de 15% e as importações somaram US$ 6,57 bilhões, um aumento de 24%. E aqui aparece uma outra mudança estratégica, que interessa a economia como um todo.

A China desbancou os Estados Unidos e tornou-se o maior vendedor de produtos para a Bahia, vindo de lá 35% de tudo o que a Bahia compra do exterior. Isso aconteceu porque as importações de automóveis chineses atingiram o montante de US$ 1,2 bilhão, sendo o produto mais importado pelo estado em 2026, superando o petróleo para a Refinaria de Mataripe e a Nafta para a petroquímica. É verdade que esse movimento teve uma circunstância pontual dada pela possibilidade do fim da isenção do imposto de importação para automóveis no sistema CKD pela BYD, que antecipou as importações. Mas o governo prolongou o benefício por mais 6 meses.

As informações são da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI) e mostram que as relações comerciais entre a Bahia e a Ásia, especialmente a China, estão crescendo de forma exponencial, impactando o comércio exterior, o setor mais tradicional da economia baiana.

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