O ano de ouro do mercado imobiliário. Mas e o PDDU?
O volume de vendas imobiliárias em Salvador em 2025, atingiu o maior patamar dos últimos 14 anos

O mercado imobiliário em Salvador registrou um excelente desempenho em 2025. Os imóveis na capital baiana tiveram uma valorização de 16%, a maior do país, segundo o Índice FipeZAP, colocando a Bahia em destaque no mapa de investimentos imobiliários do Brasil.
O volume de vendas imobiliárias em Salvador em 2025, atingiu o maior patamar dos últimos 14 anos, com crescimento de cerca de 41%, em relação a 2024, segundo a Ademi.
Os dados mostram que o mercado imobiliário não apenas resistiu aos desafios de um cenário com juros elevados, mas também apresentou desempenho superior à média nacional em valorização e vendas.
Ora, se com juros de 15% ao ano, bem acima da chamada taxa de juros neutra, o setor imobiliário baiano demonstrou tal dinamismo, tudo indica que, em 2026, quando o Banco Central deve dar iniciar o ciclo de queda na taxa de juros, o setor vai deslanchar ainda mais. Isso porque os juros dos financiamentos imobiliários vão se reduzir, ampliando o acesso ao crédito para pessoas e famílias e estimulando a demanda por compra de imóveis, inclusive por parte dos investidores. Como o estoque de imóveis não comercializados em Salvador é baixo, o incentivo a lançamentos e investimentos no setor da construção civil será imediato.
O crescimento do mercado imobiliário em Salvador decorre também de transformações urbanas estruturais, relacionadas com os investimentos em mobilidade urbana, (metrô e BRT) e novas vias urbanas, que alteraram a geografia econômica da cidade e redistribuíram valor imobiliário integrando novas áreas ao tecido urbano. Ora, esse processo, aliado ao ciclo de queda dos juros pode transformar 2026 no ano de ouro do mercado imobiliário em Salvador.
Mas aí vem uma pergunta fundamental. E a revisão do PDDU? A Prefeitura de Salvador e Câmara de Vereadores têm de se empenhar em dotar a cidade de um PDDU que permita o crescimento do mercado imobiliário de forma equilibrada. O plano precisa estabelecer critérios racionais de verticalização, evitando o sombreamento excessivo e adotando parâmetros urbanísticos que relacionem altura, ocupação do solo e coeficiente de aproveitamento. Do mesmo modo, o ordenamento do uso do solo precisa ser revisto, com a preservação do caráter residencial das áreas sensíveis e a definição clara de onde atividades comerciais de grande porte podem ou não se instalar, garantindo qualidade urbana, paisagem e funcionalidade da cidade. Em outras palavras: chega de super mercados pé na areia! A orla atlântica de Salvador pode e deve ser verticalizada, mas com racionalidade, sem sombreamento e sem o complexo de elefantíase vertical.
Por outro lado, é preciso selecionar zonas para a atividade industrial e para o aproveitamento da vocação portuária que é histórica em Salvador. E é imprescindível dotar Salvador de áreas verdes e de parques seguros que possam ser utilizados pela população. O espaço é pequeno para falar sobre a importância do PDDU, mas pode-se finalizar dizendo que ele é urgente, que precisa ser discutido com a população e que precisa de equilíbrio para garantir que 2026 seja o ano de ouro do mercado imobiliário, mas que isso aconteça com racionalidade sem degradar a bela cidade da Bahia.
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