Os mascarados e o anti-herói

Publicado sexta-feira, 18 de junho de 2021 às 18:26 h | Atualizado em 18/06/2021, 18:28 | Autor: Jolivaldo Freitas*

Hoje, nem tanto, mas a geração baby boomer e até a X curtiu bastante nos cinemas e depois na TV, grandes filmes em que os heróis eram mascarados. Interessante é que como só quem usava máscara era bandido, sempre havia a possibilidade de oherói mascarado ser confundido com algum deles. Por exemplo o Zorro, que tinha como companheiro o Tonto, diversas vezes teve de fugir dos rangers, os federais norte-americanos da época. O mesmo com o Cavaleiro Negro, com oFantasma ou o Zorro de capa e espada, esse que se fazia de idiota para enganar os militares espanhóis. Na modernidade vieram outros mascarados que eram aceitos normalmente como Batman ou o Homem Aranha.

Quem usava máscara era bandido que assaltava bancos ou trens do velho Oeste ou eram os chineses para evitar os malefícios da poluição que até hoje devasta o pulmão da população. Hoje somos obrigados a usar máscaras. Somos todos mascarados, independentes de sermos mocinhos ou bandidos. Usar máscara é essencial não para se esconder. É primordial para a vida.

Mas, nós temos, depois de tanto tempo sem algum, um personagem superpoderoso: Jair Bolsonaro. Ele acha que nada o atinge, mas já foi atingido pela faca de um maluco, pela Covid que não levava a sério e até por faringite e hemorroida. Mas esse anti-herói de HQ ainda acha que é retadão mesmo e sua saga é enfrentar a Ciência. Se tivesse de fazer uma História em Quadrinhos eu daria o título: Super Bolsonaro contra a Ciência. O presidente não para de criticar as medidas científicas. E tem em seu cinto de utilidades, como um anti-Batman, a Ivermectina e a Cloroquina.

Sua filosofia na luta contra o “mal” que em sua visão é a ciência é chegar à imunização de rebanho e para isso – coisa que sua inimiga Ciência condena – nada de usar máscaras, nada de distanciamento social, nada de restrições. Sem atentar ou sem ter noção do que significa as 500 mil mortes de brasileiros que se avizinha ou que se já não tiver sido ultrapassada neste momento em que se lê este artigo, Bolsonaro diz que vale mais a manutenção do emprego. Sendo maldoso digo que cada morto abre uma vaga de emprego.

Ele garante que o isolamento social não tem nenhuma base cientifica, sob a ótica da ciência própria que criou e aplica. Ele diz que seu governo não criou o lockdown, coisa que os países que aplicaram hoje estão abrindo todo o comércio e até cinema. Disse que não impôs toque de recolher (o que se mostrou benéfico na maior parte do mundo). O certo é que quem acreditou nas máscaras, no toque de recolher, no lockdown, na OMS e na Ciência não está mais usando máscaras. Veja o caso da reunião dos líderes do G7: todos sem máscaras e com a consciência em paz. Seus países com alto grau de vacinação e alguns sem ver morte por Covid faz tempo. Hoje só malfeitor não usa máscara.

Imagem ilustrativa da imagem Os mascarados e o anti-herói
Jolivaldo Freitas

 *Jolivaldo Freitas  é escritor e jornalista. Especialista em marketing político

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