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FUTEBOL

Seleção de Ancelotti: tática, improvisação e o dilema físico para o Mundial

O craque Tostão avalia as estratégias de Ancelotti e os desafios do Brasil rumo à Copa do Mundo

Tostão*
Por Tostão

Ancelotti já disse que é um treinador sem filosofia, sem uma estratégia estabelecida e que age de acordo com a qualidade e a característica dos jogadores de sua equipe e do adversário. Baseado nos seus conhecimentos técnicos e táticos, ele já tem uma maneira de jogar, com poucas variações, que utilizou nas partidas da seleção.

Por não ter grandes craques no meio campo e por possuir muitos atacantes hábeis, talentosos e rápidos pelos lados e pelo centro, o técnico tem priorizado as transições rápidas da defesa para o ataque e as estocadas individuais, que têm funcionado bem. Já as outras fortes seleções preferem a associação de muitos meio-campistas para trocar passes, ter o domínio da bola, do jogo e esperar o momento certo de tentar o gol. O ideal é unir as duas estratégias em um mesmo jogo, de acordo com o momento.

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O equilíbrio entre defesa e ataque

A seleção brasileira deve marcar com nove jogadores (quatro defensores, dois volantes, dois pontas que atacam e defendem e mais um meia centralizado que volta para marcar). Para atacar, serão geralmente quatro jogadores (dois pontas, um meia ofensivo centralizado e um atacante pelo centro), além do avanço ocasional de um dos volantes. Receio que o ataque e a defesa fiquem compartimentados, separados, com um vazio no setor, como, às vezes, tem ocorrido.

Será que Ancelotti, contra grandes seleções, irá mudar a estratégia e escalar um trio no meio campo (un volante centralizado e um meio-campista de cada lado, que atacam, constroem e defendem)? É pouco provável, pois faltam grandes talentos no setor. Próximo da Copa de 70, Zagallo trocou um ponta excepcional, rápido e driblador, Edu, por um terceiro jogador de meio campo. Funcionou muito bem porque Rivellino era um grande craque. Os craques têm preferência.

Laterais improvisadas e o risco de Paquetá

Ancelotti parece ter definido que melhor do que escalar laterais jovens de pouco talento é improvisar zagueiro na lateral direita ( Militão ou Danilo) e escalar o experiente Alex Sandro na esquerda. Sentiremos falta de laterais que apoiam, avançam, porém, assim fica melhor, ainda mais que a seleção possui excelentes pontas.

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Paquetá, que era tido como certo, corre riscos de não ir ao mundial. Na sua melhor posição, a de meia- atacante centralizado, o time já conta com Matheus Cunha, Raphinha e até com a possibilidade de ter Neymar. Na função mais recuada, a de reserva de Bruno Guimarães, Ancelotti prefere um jogador mais forte na marcação.

Momento de Neymar e a liberdade de Vinicius Jr.

Ancelotti disse novamente que Neymar só irá ao mundial se estiver muito bem fisicamente, pois só assim vai se destacar. Isso é claro. Mais que isso, penso que Neymar não acompanhou a evolução do futebol, já que passou a atuar em um espaço pequeno de campo, esperando a bola no pé para tentar uma grande jogada individual. Contra grandes seleções, terá poucas chances.

Ancelotti não quer Vinicius Junior aberto pela esquerda, pois assim teria de voltar para marcar. O técnico, com razão, quer vê-lo livre, se movimentando por todo o ataque, como atua hoje no Real Madrid.

A história do futebol e das Copas do Mundo é uma sucessão e uma associação de situações atuais e antigas, técnicas, táticas e afetivas, com momentos previstos e inesperados. Muitos fatos importantes ainda poderão ocorrer até o mundial. Nada está definido.

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Carlo Ancelloti copa do mundo neymar seleção brasileira

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