CONJUNTURA POLÍTICA
A batalha dos PGPs na Bahia
Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda-feira


Na quarta-feira passada (27), o pré-candidato a governador ACM Neto lançou o "Sua Voz é a Nossa Voz", visando intensificar a escuta popular na elaboração do seu Programa de Governo. A ação traduz a sua primeira derrota eleitoral na pré-campanha, ao se ver obrigado a criar um próprio PGP às pressas como resposta à presença qualificada dos petistas e aliados no interior baiano.
Na verdade, o erro de cálculo foi grande e simbólico, já que a primeira movimentação pública de ACM Neto foi partir para uma agenda “forasteira” ao lado de políticos de Goiás e São Paulo para buscar experiências administrativas sem antes ouvir quem vive de perto a realidade baiana.

O Programa de Governo Participativo (PGP) petista ficou maior em 2014, quando Rui Costa organizou sua candidatura a partir da escuta nos territórios baianos e venceu em um ambiente nacional bastante hostil ao PT. Em 2018, repetiu o método e foi reeleito no ano em que Bolsonaro tornou-se presidente e de refluxo eleitoral do PT em todo o Brasil. Em 2022, Jerônimo levou a engrenagem ao maior alcance territorial e endógeno, mantendo a presença do PGP nos 27 Territórios de Identidade antes da campanha e venceu em 22 deles no segundo turno.
Leia Também:
O PGP de 2026 é uma das estratégias territoriais mais inteligentes dos petistas ao buscar uma mobilização política efetiva nos territórios desde a pré-campanha, sendo que a presença no interior reforça a imagem positiva do governador Jerônimo Rodrigues como líder de um “governo de rua” ao lado dos prefeitos, enquanto a imagem de ACM Neto ainda é enraizada no imaginário dos eleitores como um “líder da capital”.
O equívoco da oposição que correu para copiar o PGP petista revela dificuldades estruturais na relação com o interior: no programa de governo apresentado por ACM Neto ao TSE em 2022, os 27 Territórios de Identidade não aparecem como unidade de planejamento e governança. Ou seja, ao longo de 200 páginas, o documento não incorpora a gramática territorial da Bahia nem explica como suas propostas dialogariam com as demandas particulares de cada território.
No âmbito do voto, o cálculo eleitoral do PT em torno dos territórios é estratégica, pois, os 50 maiores municípios baianos confirmam a força do interior para os petistas. Nos 30 maiores municípios, que reúnem 45,6% do eleitorado, Neto venceu em 21 e Jerônimo em 9 cidades. Quando o recorte avança para os 50 maiores, que reúnem 53,2% do eleitorado, Jerônimo vence em 26 e Neto em 24, sendo que Lula venceu em 49 das 50 maiores cidades baianas. A conta é simples: o PT busca ser bastante competitivo nas grandes cidades e repor as derrotas na força do voto territorial, em especial, nas médias e pequenas cidades, tendo o lulismo como trunfo político e eleitoral.
*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]


