CONJUNTURA POLÍTICA
O PT venceu o timing da crise
Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda-feira


As últimas duas semanas foram as mais turbulentas do cenário político baiano desde o início da pré-campanha, sendo que a operação de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT) colocou o campo governista na defensiva exatamente quando o caso “Dark Horse” ainda sangrava a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
A ação da Polícia Federal funcionou como um desafogo temporário para Flávio, que rapidamente buscou construir uma equivalência retórica entre o PT e os demais partidos parceiros de Daniel Vorcaro e Augusto Lima nas fraudes do Banco Master. O cálculo projetado por alguns no ambiente político local e em Brasília foi que o presidente Lula se afastaria da Bahia para se blindar de possíveis desgastes.
No entanto, a presença de Lula aqui na Bahia na semana passada deu fim às especulações. A agenda governista foi um sinal inequívoco de que o petista não cogita qualquer isolamento político do núcleo petista baiano, na medida em que inaugurou um hospital regional em Alagoinhas — impactando mais de 20 municípios da região com atendimento de média e alta complexidade —, deu pontapé inicial nas obras da Ponte Salvador-Itaparica e participou da reabertura do Teatro Castro Alves, o tempo inteiro ao lado de Jerônimo Rodrigues e do próprio Wagner.
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Um segundo aspecto é que Lula sabe que depende da força coletiva da chapa para sair da Bahia com ampla votação na disputa presidencial. A fala do presidente contra ACM Neto durante a agenda deu o tom do cálculo que está posto: Lula não hesitará em se manter leal a Wagner e seguirá entendendo que o PT baiano é insubstituível na estratégia eleitoral nacional, quem sabe até para uma vitória ainda no primeiro turno.
Um terceiro ponto é a leitura que os baianos parecem ter feito da operação da PF, sendo que a pesquisa da Paraná Pesquisas realizada após a ação da PF e divulgada na véspera do feriado de independência não mostrou sinais de riscos reais à reeleição do senador. Wagner e Rui Costa seguem líderes na corrida ao Senado e Jerônimo Rodrigues alcançou aprovação de 52% com avaliação positiva de 37,1%, ligeiramente acima da negativa de 36,1%. A batalha do governador pela reeleição ainda reside nos 24,9% que avaliam o governo como regular.
Há ainda um elemento que devemos considerar neste momento: ACM Neto não pode encarnar o discurso anticorrupção enquanto carrega o bolsonarismo como alma mater da sua chapa e ainda pairam as perguntas sobre como se investiga Augusto Lima isolando do foco a sua relação com o ex-prefeito e com o ex-ministro João Roma.
De uma maneira geral, Lula e o PT baiano parecem ter vencido o timing da crise com altas doses de confiança política e coesão interna, são dimensões essenciais para seguir em frente rumo à disputa eleitoral.
*Cláudio André é Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]


