LEVI VASCONCELOS
E o meio ambiente se mela no jogo político
Especialistas alertam que privatização não é a solução para a crise hídrica no Brasil
Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente e, nessa pegada, cabe lembrar que o jogo da política muito influi em questões ambientais, tanto que o planeta dá sinais de agonia com as mudanças climáticas, enquanto nós vivemos no Brasil um tempo de rios urbanos 100% melados de esgotos, sem solução à vista.
Já que assim o é, vem a questão: já que estados como São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Sergipe, Pernambuco e Piauí, no embalo de uma legislação criada no governo de Jair Bolsonaro, já privatizaram os sistemas de água e esgoto, seria esta a solução?
O professor Luiz Roberto Moraes, engenheiro sanitarista com doutorado e pós-doutorado em Londres e Portugal, ex-diretor da Embasa, é quem fala:
– De jeito nenhum. O capital só entra para ganhar, e o Brasil tem hoje o maior programa de privatização do mundo. E o que está ocorrendo onde já está privatizado? As empresas estão correndo para o BNDES, atrás de dinheiro público.
Ele cita que na Inglaterra, por exemplo, onde o sistema de água e esgoto é todo privatizado desde o início de 1980, já há um forte movimento para a retomada pelo menos de um modelo misto, como é na maior parte dos países com privatização.
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BOMBA DE MERDA – Luiz Moraes já tem na trajetória um histórico de brigas da pesada nesse campo. Lá pela década de 1970, por exemplo, comprou briga contra a construção da barragem de Pedra do Cavalo, por achar um absurdo que na área da represa a incidência de chuvas é de 800 milímetros por ano enquanto Salvador é de dois mil milímetros:
– Quem tem menos dava a quem tem mais.
Como resultado, ganhou uma bomba de bosta de presente, episódio que marcou a vida de Luiz Moraes. Mas nem por isso o intimidaram.
Agora, ele trava novo embate, contra a privatização da Embasa. Ele cita que 99,2% de Salvador já é ligada ao sistema de água, e 80% ao de esgoto, sistema gerenciado pela Embasa em parceria com o Inema.
E por que fica a sensação de que os rios e riachos estão infectados por esgotos?
– Tem muitos despejos de esgotos de residências e também de resíduos industriais não fiscalizados.
Diz ele, bacias hidrográficas que abrangem estados são federais, as que ficam nos territórios dos estados são estaduais e as que não saem dos limites dos municípios são municipais. Cada área deve cuidar do seu pedaço.
Em Salvador, há 12 bacias hidrográficas e outras nove de drenagem natural. O PDDU da capital baiana não contempla ou faz pouco caso disso, entrega tudo à Embasa. Ou seja, lava as mãos:
– Ambiente puro é dever essencial do poder público. Não é privatização que vai resolver.
REGISTROS
Escala 1x6
As Comissões da Alba não funcionaram nem terça e nem quarta. Um grupo de professores foi à Comissão de Educação segunda e lá não apareceu nenhum deputado. Um professor espantou-se e um funcionário explicou:
– Semana com feriado no meio em junho, os deputados seguem a escala 1x6.
– 1x6?
– Sim, um dia de trabalho, cinco de folga.
Eracy baiano 1
Eracy Lafuente Pereira Maciel, advogado e executivo de infraestrutura, diretor da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), que é gaúcho, vai receber o título de Cidadão Baiano dia 15, iniciativa do deputado Angelo Almeida (PT).
Eracy baiano 2
Eracy chegou a Salvador há 20 anos, a convite de Jaques Wagner, então governador, para atuar na modernização da logística do Estado. Casou com uma baiana e hoje é pai de uma soteropolitana.
Sesc e Senac
Os 80 anos do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) vão ser celebrados na Alba em sessão especial segunda (10h). A proposta é do deputado Bobô (PC do B).