Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > LEVI VASCONCELOS

LEVI VASCONCELOS

E vai dar Lula ou Flávio? Um dos dois faz hoje uma história única

Vitória de Lula significaria o quarto mandato no voto; triunfo de Flávio tornaria o senador o primeiro filho de ex-presidente a ocupar o Planalto

Levi  Vasconcelos
Por Levi Vasconcelos
Desafio foi feito por Lula durante debate na Band no último domingo, 18
Desafio foi feito por Lula durante debate na Band no último domingo, 18 - Foto: Renato Pizzutto | Band

Seja quem for o vencedor hoje, Lula ou Flávio, vai protagonizar hoje um fato especialmente único na história do Brasil.

Se der Lula, será o único na história a ganhar quatro mandatos presidenciais no voto. Ele tem três, o que já é inigualável. Mais que isso vira fenômeno.

Tudo sobre Levi Vasconcelos em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Se der Flávio, vira o único filho de ex-presidente a tornar-se presidente. Só para ajustarmos, convenhamos: ele é filho de Jair Bolsonaro, mas só está onde chegou por causa do Bolsonaro. O Flávio é só complemento.

Origem da elite x liderança popular

Mais que isso, os dois são farinha do mesmo saco. Desde que os portugueses aqui chegaram — isso soma 526 anos de história —, o único governante que veio da ralé foi Lula. O resto, seja lá de que forma tenha sido, sempre a elite.

E é aí que começa a configuração do cenário atual. Lula veio da ralé e olhou para a ralé. Ele é nordestino e, por ter voltado os olhos do governo para cá, ganhou as simpatias gerais. O prestígio dele é apenas a recíproca.

Como? Em duas frentes: água e educação. Na água, botou para andar projetos da transposição do Rio São Francisco. Na educação — e isso ele citou no debate da Globo quando o papo foi o Nordeste —, ampliou significativamente o número de universidades e institutos federais de educação.

Na Bahia, por exemplo, tinha uma federal, a UFBA. Hoje tem mais cinco. Institutos federais tínhamos dois, um em Valença e outro em Uruçuca. Hoje temos 36; Valença ganhou mais um e hoje tem dois, porque aproveitou a estrutura abandonada da antiga Ceplac.

Mais África do que Europa: o olhar sobre o Nordeste

A diferença entre Sul e Nordeste é visível na experiência de Andreas Reichmuth, hoje com 63 anos, suíço de Lucerna, especialista em auditorias financeiras, que passou a vir regularmente ao Brasil, de início forçado e agora por opção (nada de trabalho, ressalte-se).

Ele casou com uma baiana, mas ressalva que já andou o Brasil inteiro e gosta mais do Nordeste. Na Suíça, diz encher o saco com tudo certinho, na hora certa.

“Aqui é diferente em parte. O Sul é mais Europa e o Nordeste mais África. Me sinto melhor por cá”, diz o suíço.

Aí entra o xis da questão: no atacado, os sulistas olham para os nordestinos com o preconceito dos tempos em que, sem nada, montavam num pau de arara para fugir da miséria.

E como Flávio entra nisso? Nunca entrou, nem ele nem o pai. Até tenta, como no debate da Globo, dizer que vai fazer. A questão é que ele se debate com quem já fez.

Mas se Lula cá é bem visto, pelo Brasil afora nem tanto. Hoje saberemos como começar o novo capítulo dessa história.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Sócio oculto

Essa quem contava era Cleraldo Andrade, ex-deputado, que nos deixou em outubro de 2022.

Cearense de Saboeiro, juazeirense por adoção, Etelvir Dantas, deputado estadual, depois federal, marcou época no Velho Chico, primeiro como dono de uma rede de supermercados em Juazeiro e Petrolina, depois como pioneiro do agronegócio, hoje pujante, antes incipiente.

Em 1975, o governo encampou a tese do físico baiano Bautista Vidal e lançou o Proálcool, o programa que pretendia transformar o etanol em combustível de carro, hoje uma realidade.

Etelvir embarcou de corpo e alma, plantou vastas extensões de cana na região, investiu muito dinheiro, mas na hora de montar a usina, o projeto empacou, começou a enfrentar dificuldades, caiu no tititi. Foi nesse clima que um dia ACM o encontrou:

— Quer dizer, Etelvir, que você anda espalhando para todo mundo que eu sou seu sócio?!

— Eu não digo, mas se o senhor quiser, portas abertas.

— Eu quero é que você tire o meu nome disso!

O projeto quebrou.

*Colaborou: Marcos Freitas.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

eleições Flávio Bolsoanaro Lula

Relacionadas

Mais lidas